Trabalhando com a auto-cura (pelo chakra Swadhisthana)

O chakra Swadhisthana, cura e castidade

Claro que, entre os quatro instintos fundamentais que sustentam a máquina física, a sexualidade se destaca por operar com a energia que, em nosso corpo, manipula a vida (por meio da reprodução).

Então, é preciso estudar o segundo chakra à parte, também chamado chakra sexual, e que se relaciona com a segunda órbita planetária do nosso corpo, microcosmo análogo ao sistema solar, órbita do planeta Mercúrio, que em todas as culturas, sempre foi associado aos poderes de cura associados às técnicas de transmutação dos instintos.

O aspecto mais específico da transmutação das energias sexuais acumuladas neste chakra (como águas represadas, quando não há perdas) lhe torna intimamente relacionado com os poderes do Caduceu de Mercúrio e ao elemento água.

Nascer da água e do Espírito, isso já nos foi dito. E um dos simbolismos da água deste segundo nascimento se encontra aqui.
Mercúrio se relaciona com o segundo céu e órbita de poder no corpo, segundo chakra.

Notemos que, no segundo dia da Criação, ELOHIM-Deus transmutou as águas (matéria-prima, caos) do abismo (o vazio) em águas superiores e águas inferiores. Essa é a conexão perfeita para começarmos a entender mais profundamente as funções do segundo chakra no nosso corpo.

As águas superiores são aquelas que, transmutadas, irrigam nosso cérebro, ampliando as faculdades mentais. No Gênesis, as águas superiores formaram os céus: a mente é o nosso céu, estrelas são pensamentos iluminados. Mas somente os seres imortais, filhos do segundo nascimento (Anjos) habitam as moradas celestes.

As águas inferiores são a representação da sexualidade para a reprodução, e não para a transmutação.
Tanto que a vida física começou a partir destas águas inferiores, que o Gênesis diz ter sido a origem dos mares e, também, da terra seca, e depois vieram sementes, e todas formas de vida, de maneira muito coerente com os atuais modelos da ciência.

Essa passagem do Gênesis ilustra de uma forma muito verdadeira como a sexualidade pode realmente ser transmutada em elementos superiores que se instalam no céu de nossa mente, e nos ajudam a despertar consciência espiritual.

E se somos mesmo um sistema solar em miniatura, cada chakra vibra em ressonância com as órbitas planetárias que lhes correspondem, e o caduceu de mercúrio, ao lado da doutrina legítima, é um manual perfeito de como o homem pode compor sua própria cosmologia interna antes de se unir à cosmologia externa, para cuja finalidade é chamado a estudar e trabalhar na escola da vida.

Voltando ao chakra de mercúrio, relacionado ao elemento água, temos que compreender que, da mesma forma que a luxúria sexual e todos os seus derivados impregnam este chakra de uma vibração muito contaminada (por isso é muito comum o desenvolvimento de câncer e tumores nos órgãos sexuais) vibração essa que repercute em todo o corpo físico na forma de doenças, deixando o organismo muito frágil e suscetível aos males, tanto internos quanto externos, o inverso é absolutamente verdadeiro, e o trabalho com este chakra, nas bases da transmutação via castidade, mais o controle respiratório, o transforma em nosso “Hospital particular” e por que não, na Fonte da Juventude onde brotam aquelas louvadas “Águas da Vida”?

Este chakra é o ponto-chave da transmutação sexual, e os órgãos sexuais, em função inversa, interiorizada (porque o comum é o uso da sexualidade exteriorizada, o que consome muita energia vital e mental) transformam as energias e também as secreções sexuais em um remédio natural para tudo, administrado ao corpo inteiro a partir do cérebro e sistema nervoso onde aquelas águas sublimadas são injetadas, criando sentido para aquela citação bíblica que diz:
“E rios de água da vida correrao de seu ventre” (relação com o poder do Espírito Santo em nós).

Cura, juventude, fertilidade mental, são alguns dos dons extraídos da “sexualidade sacrificada”, voltada para dentro e não para fora, porque exteriorizar a sexualidade é perder energia, mas interiorizá-lo é ganho certo de energia, sendo este o argumento central do Tantra da Mão Direita (do solteiro, monge, celibe) como fonte de poder e auto-cura.

O Caduceu de Mercúrio, no modo geral, se aplica à transmutação de todos os instintos físicos em conjunto, mas no modo especial, refere-se à programação da energia sexual ao contrário da programação da mesma energia que a natureza aplica em nossa vida, ou seja, direcionada para a reprodução, usando todos os meios para isso, incluindo as sensações de prazer que amarram os mais fracos em sua prática frequente.

Na Cabala hebraica, o análogo do deus Mercúrio é o Anjo Rafael, relacionado ao mesmo planeta e definido como A CURA ou a MEDICINA de Deus, o que fica claro no livro de Tobias e nas ações ali registradas do Anjo.

Outro forte argumento para tudo isso está na tradução do sânscrito do nome SWADHISTHANA

SWA = força vital
DHISTHANA = morada

Assim, fica

Swadhisthana = Morada da força vital

Este chakra também tem um papel fundamental sobre as correntes nervosas que ascendem até o cérebro a partir do osso coccígeo, onde se instala o chakra-raiz (Muladhara), porque os órgãos sexuais é que aplicam, através do segundo chakra, a polarização das correntes nervosas que, subindo desde o cóccix, alcançam o cérebro também na polaridade dos dois hemisférios, criando então a energia polarizada que circula por todo o corpo no processo final, conforme a ilustração das duas serpentes do caduceu de mercúrio conectando os dois terminais de energia do sistema nervoso, inferior (cóccix) e superior (cérebro).

O chakra básico (Muladhara) concentra a força latente dos quatro instintos da natureza humana, poupados pelo discípulo numa conduta reta e moderada de vida, porém, é na altura do segundo chakra que essa energia latente ali estocada (no Kundalini dormente) se converte em correntes polarizadas pela ação dos órgãos sexuais através daquele chakra segundo, as quais, combinadas com a respiração, finalmente assumem um status de movimento dinâmico que pode subir até o cérebro e realizar suas operações mágicas de mutação, interiorizando e transformando a energia sexual bruta em fonte de cura (porque o inverso é real, e a luxúria se torna fonte de todo tipo de doença e predisposição às doenças).

Nos modelos da Alquimia antiga, o Sol fecunda a Lua para que se obtenha a Pedra Filosofal (a energia andrógina da mente capaz de realizar tudo) a partir da pedra oculta (VITRIOL) ou fogo secreto. Esse fogo secreto foi chamado de IGNIS INNATURALIS, e embora hoje se traduza isso como “Fogo Natural”, o correto no latim é FOGO NÃO NATURAL, o que fica perfeitamente explicado quando o discípulo contraria os propósitos da natureza para o sexo (reprodução), interiorizando sua força sexual de maneira tal que o fogo inverte de direção mas não se perverte, ao contrário, se converte em fogo de cura e vida renovada.

A Pedra oculta ou fogo não-natural deve ser obtido, então, para que as águas de Mercúrio (energias sexuais) sejam devidamente fecundadas: o enxofre fecunda o mercúrio, outra simbologia alquimista conhecida.
Se o chakra-raiz é a morada do fogo, e se esse fogo é o somatório das correntes instintivas-nervosas poupadas pelo discípulo e polarizadas pelo chakra dos órgãos sexuais, então ele possui o fogo não-natural, e tem a pedra oculta colocada na base de sua nova edificação.

Lhe falta agora obter um mercúrio puro, o que ele conquista trabalhando com a castidade, já que o pensamento é o canal mais suscetível de contaminação da energia sexual. Isso porque o raio de mercúrio também tem relação com a energia mental, e todo tipo de pensamento morboso vai impregnando as águas do chakra swadhisthana até o ponto de torná-las imprestáveis para grande obra alquimista.

O segredo maior deste trabalho é transferir a vitalidade e fecundidade sexual inerente aos órgãos reprodutores para os poderes da mente, que a tornarão fecunda, cheia de vitalidade fértil nas criações do pensamento, nascendo aqui todo gênio da ciência, todo mestre da arte e todo santo e humano que transcendeu a própria condição mortal em seus feitos celebrados pelos imortais além do tempo!

Reparando no desenho hindu do chakra swadhistana, ele possui uma lua crescente na base (simbolo das águas) numa flor de seis pétalas resplandecendo em tons de fogo e laranja (os tons da cura e da vitalidade).
Como uma panela com água que está sobre o fogo, fervendo, sendo vaporizada, essa analogia funciona muito bem aqui, e até a relação 6/4 entre as pétalas dos chakras primeiro e segundo são indicativos de uma cosmologia harmônica que os envolve numa relação criativa de poder: porque 6/4 é a proporção do segundo harmônico da nota fundamental (o Sol de Dó), quinta justa, frequência dos acordes harmônicos da música, e se o exercício for combinado com mantras, teremos aqui um trabalho de auto-cura com efeitos amplificados.

Em resumo, os dois chakras inferiores, Muladhara e Swadhistana, possuem os dois elementos fundamentais, fogo e água, com os quais o discípulo começa a sua edificação interior, ou cosmologia íntima alinhada com a cosmologia planetária. De modo que, agora você já sabe, qualquer filosofia ou doutrina moderna que pregue uma espiritualidade não vinculada a uma vida sexual de castidade, moderação e pureza e purificação, é completamente falsa.
Porque será uma casa edificada sobre areia, e o construtor será esmagado pela pedra angular que, rejeitada, se lhe tornou a pedra de tropeço.

E o que mais tem no mundo moderno são falsos edificadores com suas doutrinas, infelizmente, aceitas pela maioria, porque estão buscando não a verdade dos fatos, mas as teorias que sejam convenientes com suas ideologias carnais que jamais concluirão seu segundo nascimento em vida. Antes, são passaportes da segunda morte.

Finalmente, compreenderemos onde está o Santo Graal dentro de nós, prata e esmeralda contendo as águas da vida que, purificadas, são convertidas em vinho de iluminação pela palavra de nosso Cristo interno. E aquele que beber deste vinho, que contém o sangue do Senhor, este viverá para sempre.

JP em 06.03.2020

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