A Bíblia e os apócrifos

A Bíblia foi montada conforme uma linearidade de textos que excluiram os apócrifos.

Nem todos os apócrifos são verdadeiros, diga-se de passagem. Um critério de grande dificuldade para se julgar tudo isso, que livros eram fonte de inspiração divina e quais eram fruto imaginação humana. Essa foi a regra básica para se reunir os textos bíblicos, os que seguiam uma coerência e linearidade de contexto.

Haviam muitos textos na época com os quais a Igreja organizou a Biblia, anexando-a com o já existente Velho Testamento judaico. Até os nossos dias, textos apócrifos são encontrados, muitos autênticos e muitos, fruto da criatividade pessoal de seus autores não inspirados diretamente pelo Espírito de YHWH, como eram os profetas.

A linearidade de contextos, bem como o acerto das profecias antes anunciadas, eram a regra principal da seleção dos livros inspirados por Deus daqueles criados por ficção literária humana.

Os quatro evangelhos canônicos, por causa dessa linearidade e profecias constatadas (o que significa uma mesma Inteligência não-humana condutora por fonte) eram usados como a base do Novo Testamento, inclusive as cartas de Paulo, desde o livro de Atos, concordam com aqueles evangelhos, seguindo uma linha harmônica até o Apocalipse, passando pelas cartas de outros apóstolos, como Pedro, João e Tiago.

Um exemplo de literatura apócrifa que colide de frente com os evangelhos canônicos é o Evangelho de Felipe, que insinua um casamento entre Jesus e Maria Madalena.

Contudo, nos evangelhos canônicos, Jesus veta o casamento aos seus apóstolos e seguidores, declarando que Anjos não se casam, e nem os eleitos para o dia da Ressurreição.
(O sexo é tratado pelas Escrituras, desde o Velho Testamento, como um mecanismo estritamente reprodutor do corpo humano, para se constituir família. A fonte do segundo nascimento é claramente e repetidas vezes associada ao Verbo ou Palavra de Deus, não ao sexo:

O que nasce da carne, é carne… o que nasce do Espírito (pela Palavra de Deus) é espírito.
(Jesus respondendo a Nicodemos, que lhe questiona como ser possível um velho nascer de novo…)

Assim sendo, não faz o menor sentido Jesus proibir o casamento aos seus apóstolos (dizendo que este era um mandamento apenas para quem estava pronto, a quem lhe foi destinado) e ele mesmo estar casado e desfrutar do sexo com Madalena.
Isso se alinha com as todas as antigas doutrinas monásticas (celibato) do Oriente.

Muitos apócrifos eram obra humana dentro de um gênero literário comum na época, o gênero apocalíptico ou o gênero do contato espiritual. Porém, nem todos eram fruto de contato espiritual real, senão que da criatividade pessoal dos escritores conforme o estilo da época, incluindo também os textos gnósticos posteriores, que pretenderam novas interpretações sobre a Biblia.
Eles equivaleriam ao moderno estilo ficcional da literatura e cinema.

Esse é outro problema que acontece com a Bíblia: a questão da interpretação.
Muitos teólogos não se contentaram apenas em traduzir os textos, eles também deram suas versões de interpretação sobre os textos, o que explica as discordâncias entre as várias traduções existentes ao longo dos anos.
Mas trata-se de um fenômeno observável.
Até as pequenas contradições entre os evangelhos canônicos podem ser explicadas pelo exemplo abaixo.

Quatro evangelhos canônicos, quatro testemunhas de Cristo tentando relatar os fatos.
Imagine quatro pessoas diferentes vendo um mesmo filme.
Um filme rico, cheio de detalhes e enredo complexo.
E depois, tome-se depoimento de cada um deles, em separado,
tentando narrar tudo o que viram e lembram ter visto no filme, acrescentando também o seu entendimento sobre o filme.

Haverá 100% de concordância entre estes quatro depoimentos?
Logicamente que não.
Isso explica as pequenas discordâncias entre os evangelhos.
O importante é que, no seu conteúdo central, a divindade encarnada de Cristo e sua missão na Terra, nisso todos eles concordam.
E é nessa mensagem que os buscadores da Luz devem se concentrar, ao invés de se comportar como os fariseus, denunciados pelo próprio Cristo:

“Vocês coam o mosquito e engolem o camelo” (querendo dizer que ficam atentos ás questões pequenas e cotidianas da Lei, enquanto cometem grandes transgressões em pontos vitais da mesma Lei).
Essa é outra faceta da Hipocrisia religiosa.

O fato de um apócrifo antigo ser descoberto hoje não implica necessariamente em legitimidade. Pode ser simplesmente uma ficção ou mesmo uma versão mentirosa dos fatos, porque também haviam inimigos da fé naquele tempo, e a escrita era um direito de todos.
A antiguidade de um texto não o legitima por efeito.

A mentira falada ou escrita sempre existiu.

Os primeiros teólogos sempre invocavam o Espírito Santo para auxiliá-los tanto na tradução como na interpretação dos textos, inspirando-os na direção da verdade. Esse costume se perpetuou em toda a Igreja até os nossos dias.
A mesma inspiração foi solicitada pelos primeiros líderes da Igreja no sentido de reunir os textos realmente inspirados por Deus na coleção de livros conhecida mundialmente por BÍBLIA.

Claro que os Inimigos de Cristo não mediram esforços em combatê-lo, desde a sua época, em Israel, se armando de todo tipo de mentiras que, com o passar dos séculos, se tornaram teorias conspiratórias, que tentam ou desacreditá-lo como Filho de Deus, ou tentam provar que ele nunca existiu, dizendo SEM PROVA ALGUMA que ele foi uma mera invenção da Igreja Católica nos tempos do Imperador Constantino.

Embora as descobertas arqueológicas todo o tempo confirmem a sua existência, bem como de todas as personagens citadas nos Evangelhos, para desespero dos ateus e inimigos de Cristo, que ficam cada vez mais ilhados em seus próprios argumentos sem base e crédito nenhum.

Apenas baeados no valor de suas próprias crenças negativas.

Uma coisa é mais do que certa.

A Verdade não precisa do tempo.
Quem precisa do tempo somos nós.
Porque o tempo sempre dá razão a quem tem razão.

JP em 05.01.2021

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