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Sobre leões e ovelhas

Sobre leões e ovelhas

Leões e ovelhas são duas faces da mesma alma, a espada do guerreiro e a cruz do mártir. O profeta Isaias fala que leões e ovelhas se reuniriam em pastos tranquilos na terra prometida, perfeitamente conciliados.

Há o tempo para sacar a espada e o tempo para aceitar a cruz, há o tempo para ensinar e o tempo para calar. Jesus procedeu seu ministério em dois tempos, com a espada da palavra e o silêncio da cruz.

Daqui nasceu a expressão:
Estar entre a cruz e a espada, que significa estar entre a decisão de lutar por alguma coisa ou ceder sobre isso enquanto o destino opera.

Sábio é quem consegue distinguir estes dois tempos para tudo em sua vida.

O próprio Apocalipse enaltece a figura de Jesus Cristo sob a imagem do Leão e do Cordeiro, representando a força do combate e o poder da aceitação do destino.

Porque vai chegar a hora que o leão em nós vai precisar assumir a aceitação da ovelha ao chamado do sacrifício, quando ele chegar…

E saiba, os cordeiros podem mais do que os leões, porque se as palavras convencem, o exemplo arrasta!

O Leão em nós abre caminho com a espada, mas a ovelha em nós recebe a coroa quando aceita o seu destino em nome da Verdade, por pior que ele seja.

Afinal, o Apocalipse 13 anuncia que muitos cristãos nos últimos tempos seriam presos ou mortos pela espada, e assim ERA NECESSÁRIO QUE ACONTECESSE.

Enquanto os apóstolos ensinavam, ensinavam em meia força, mas quando sustentaram essa verdade até a morte, foi aqui que a força se tornou plena, convencendo as multidões.

Porque pensaram as multidões:
Alguém que morre em nome de sua causa realmente acredita muito nela!

O Leão tipifica os guerreiros da fé, mas a ovelha caracteriza a alma pronta a entregar tudo em nome do que acredita.

Dois tempos da nossa alma, Sol e Lua, afirmação e aceitação. Força diante do que podemos mudar, resignação diante do que não podemos mudar. Força e mansidão, a paz das pombas e a sabedoria das serpentes no mesmo coração, alquimia plena da cruz somando duas metades…

Quando lutamos por alguma coisa, ainda não entregamos tudo de nós, porque ainda existe traços do nosso ego em busca de autoafirmação, mas quando silenciamos tudo, até a reação e a resistência ao Mal, entramos numa vibração espiritual tão elevada que ela vai destroçar todo apego à existência material, horrorizando os materialistas que saem racionalmente confusos diante de tudo isso.

Aquele que entrega a própria vida por uma causa ou pelo amor de alguém, realmente provou que entregou tudo, porque ama plenamente, por inteiro, sem divisões ou dúvidas.

E o próprio Cristo foi até o fim, aceitando a cruz por escolha própria, provando que entregaria tudo por amor a nós!

Aqui ele foi um cordeiro devastador, não um leão. A Cruz foi o seu ato de loucura extrema.

Eis o poder imenso do sacrifício das ovelhas e do Cordeiro Sagrado na cruz, justamente numa época em que o ego se devota apenas ao prazer da autossatisfação.

No final, quem vence a grande batalha contra o Mal não são os leões.

Mas os cordeiros.

JP em 15.03.2025

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