Os Olhos da Mente sobre o Tempo

Se o passado dentro de nós se chama memória, e o futuro dentro de nós se chama premonição, a consciência é o estado mental que sempre ocupa a ação presente do tempo que flui.

A alma é atemporal, mas a consciência da alma nos veículos da mente é uma função que só existe com base na sintetização de conceitos formulados a partir de experiências assimiladas pela memória acumulada.

Enquanto a percepção do futuro, ou premonição, acontece quando a mente consegue acessar a curva mais adiantada daquele fluxo de tempo em relação ao ponto presente.

A premonição é a contraparte da memória projetada no tempo futuro dentro de uma mesma dinâmica circular de ciclo cujo fluxo intercepta os dois hemisférios cerebrais que são capacitados tanto para registros do passado como para percepções do futuro.

Portanto, onde está a sua mente agora, no passado ou no futuro?

Se o tempo não é uma linha reta, e sim, um círculo, ele não existe como entidade real, fluindo com duas pontas soltas de uma curva que se estende ao infinito para trás (passado) e para frente (futuro), até que a curva, sempre dobrando-se sobre si mesma, faça aquelas pontas se tocarem, de modo a criar um fluxo de informações fechadas que, atravessando a mente, pode gerar estados de consciência não só capazes de extrair registros do passado ou de antever cenas futuras, como também a capacidade de conectar os dois extremos e compreender a visão global de tempo dentro da lei de causa (passado) e efeito (futuro).

A consciência é um órgão da alma tão extraordinário que, se desenvolvida aos níveis maiores do despertar, pode conectar passado e futuro diante dos nossos sentidos e percepções, exercitando cada vez mais a sua compreensão daquela lei de causa e efeito criando todos os fluxos ou circuitos fechados de tempo fluindo no tecido do espaço singular.

Então, diante da consciência desperta, o tempo desaparece como sendo algo linear e aparentemente imutável, reaparecendo como o que ele realmente é: uma ilusão circulante de eventos passados imprimindo tendências de repetição em eventos futuros, incessantemente. E diante dessa descoberta, a consciência percebe o tempo girando como uma roda, com os amanhãs engatados aos ontens, uns empurrando os outros para a frente, num sentido de eterna repetição.

A Iluminação acontece quando a mente finalmente descobre que o Novo nunca existiu entre o nascer e o morrer, entre o ontem e o amanhã. Ele só pode acontecer no momento presente no qual investimos todas as nossas decisões mais inteligentes e maduras de mudança real.

Portanto, em que tempo deve estar a nossa mente?

Onde o tempo simplesmente não existe, naquele estado real onde a mente capta todas as coisas entrelaçadas no eterno Agora, podendo inclusive exercer controle sobre elas.

JP em 05.03.2020

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