O Verdadeiro código da Vinci muito além de Maria Madalena – parte 19 – outras obras em código (1)

Os Gêmeos (os infantes sagrados)

Não sei se a tradição de ilustrar o mistério dos Gêmeos sagrados do Espírito Santo começou em Leonardo, mas certamente, a corrente chegou nele e foi retransmitida adiante.

Uma estranha pintura atribuída a Leonardo dá base aos argumentos da Alquimia no simbolismo da fusão das polaridades gêmeas (lembrando que os signos de Mercúrio, Gêmeos e Virgem, representam exatamente isso: a reunião das polaridades de energia no ventre da Mãe Sagrada, o laboratório, forno de operações, etc).

Provavelmente, trata-se de uma representação incomum de Jesus e João Batista quando crianças – porque Leonardo não pintou (ao que se saiba) nenhum quadro com Jesus e João Batista adultos, por exemplo, na cena mais memorável, o Batismo de Cristo no rio Jordão.

O fato de pintar em alguns quadros estas crianças, e a própria Virgem Maria, com pele clara e cabelos aloirados (sendo que eram judeus, tipicamente com pele mais escura e cabelos escuros), é parte vital de outro código, o código ariano-venusiano das origens da humanidade.

A Madona “loira” de Sandro Botticelliou Afrodite?



Há uma relação sutil entre a genética do povo eleito e as misteriosas hibridações que os Anjos de Vênus, infiltrados nos povos, orquestraram de forma muito especial junto dos antigos hebreus, principalmente naquelas concepções “milagrosas”, como a concepção de Isaac, Samuel, Sansão e outros.

Só para ilustrar, existe uma bela pintura do espanhol Murillo chamada “Os Meninos da concha”, um século depois de Leonardo, e ilustra Jesus dando água a João Batista numa concha (a concha nos conecta diretamente aos mistérios do caminho de santiago de Compostella, apóstolo de Cristo).

João Batista é identificado como aquele que carrega o bastão que porta a cruz (como Leonardo pintou em algumas obras). Mas note que eles se parecem demais, e não somente primos, a pintura parece ilustrá-los como gêmeos!
Se Jesus é o menino que dá a água, por que João Batista olha fixamente para o cordeiro sentado adiante?

Uma devoção a Cristo, diriam.
Ou porque João Batista também teria uma missão que identificaria o cordeiro?
Afinal, ele foi o primeiro mártir, degolado como um cordeiro pelo tirano Herodes.

Na flama enroscada no topo do bastão, junto da cruz, se escreve:
ECCE AGNUS DEI
“Eis o Cordeiro de Deus” (latim)

A conexão com IO-AGNES, Joannes, João, o Cordeiro.
Ou seriam dois cordeiros? Por isso, gêmeos?

De qualquer forma, o código se preserva, a alquimia dos elementos gêmeos no ventre da Mãe Virgem (signos mercurianos) na busca do Andrógino que inicia sua jornada ao céu (Sagitário, o terceiro signo mutável) rumo ao Pai (Peixes, o quarto e último signo da cruz mutável da qual pertencem Gêmeos e Virgem, fechando a chave tetra da ascensão).

Leonardo Perdido (1)

Em 2012, uma suposta pintura perdida de Leonardo da Vinci foi encontrada na casa de um fazendeiro na Escócia, e especialistas garantem se tratar de um Leonardo autêntico, entre tantas outras obras perdidas.

A pintura retrata o tema de sempre, a Madona, os dois meninos e o cordeiro.
E mais uma vez, vemos um sutil destaque à pessoa de João Batista, o menino aos pés de Cristo, nos braços de sua mãe.
Isso porque a Madona e o Cordeiro olham diretamente para ele.
E o próprio menino Jesus aponta para ele, enquanto João aponta para o cordeiro.
Os meninos são muito parecidos, o código dos gêmeos.

Teólogos diriam que tudo apenas quer reforçar a missão messiânica de Jesus, mas teóricos da conspiração entendem aí que Jesus também se refere a João como um cordeiro. Então, Deus enviou dois cordeiros ao mundo, João Batista e Jesus. E o sacrifício de João, o primeiro mártir cristão, abriu caminho para a missão de Jesus, o segundo cordeiro.
“É preciso que ele cresça e eu diminua”, disse João.

Na mão esquerda, a Virgem segura uma pequena flor branca, símbolo de sua castidade vitoriosa, e um discreto símbolo que parece a Flor de Lis no peito de Maria, atrás da cabeça de Cristo, subentendendo a linhagem real?

A grande árvore presente, no lado de João, e o cenário e cores que lembram o estilo da Vinci.
O bastão de João, com a cruz no topo, aponta diretamente para a árvore: o caminho da árvore da vida é a cruz, a cruz de fogo, a Alquimia do andrógino, INRI.

E claro, o mesmo código dos dedos que apontam o caminho: o caminho que começou em João Batista, a personificação de Hermes, e se completa em Jesus Cristo na cruz…

São João Batista – ou São João no deserto
(obra de discípulos)

Esta obra, na verdade, retrata Baco, o deus Baco ou Dionísio, transformado em São João Batista no deserto, à entrada da caverna da Iniciação, caverna que prefigura a sepultura: a porta da morte, a entrada para o renascimento.

Baco, relativo a Dionísio na mitologia grega, é filho de Júpiter e a mortal Sêmele, era o deus do vinho e representava a embriaguez, porém também era um promotor da civilização, legislador e amante da paz.

Nos mistérios, o vinho representa a nova doutrina que traz embriaguez á alma: Cristo transformou as águas em vinho, e este vinho se transubstanciou no seu próprio sangue derramado, assinando o novo pacto com a humanidade.
O vinho representa o conhecimento dos deuses, que produz embriaguez da alma.
Mas não é um vinho para todos, apenas os Iniciados podem beber dele, e tal qual o Hidromel, se tornarão jovens outra vez, e imortais.

Com certeza, essa obra tem a influência e talvez a participação direta de Leonardo da Vinci, especialmente na confecção dos (mesmos) códigos.
E desta vez, as duas mãos estão apontando para direções cujo sentido se completa plenamente, conforme o argumento central da alquimia.
A mão direita aponta, com o dedo indicador, para a entrada da caverna, colocada à direita do observador, enquanto a mão esquerda aponta para baixo, sugerindo a morte, a descida, a interiorização.

“Exaltarei os humildes e precipitarei os arrogantes!” declara o Senhor nas passagens bíblicas.

Isso tem um equivalente hermético: “SOLVE ET COAGULA”
Dissolve o impuro para condensar o que é puro.
Dissolve o ego para condensar a alma consciente.
Dissolve as energias densas para sublimar em energias etéreas.

Ou simplesmente: morre para renascer!
Em João, o jogo das pernas, esquerda sobre direita, sugere o mesmo paradoxo: descer para subir, morrer para renascer.

A caverna imaginária (sugerida) ao lado esquerdo do profeta (a via esquerda, começar pela via esquerda, isto é, a via negativa, negação do ego, negação do aspecto animal da vida, negação do que é inferior, material e impuro) é a entrada para a efetiva Iniciação: o deserto, o afastamento de tudo o que é mundano, o retiro, o isolamento, a penitência, a purificação. O Umbral, o Submundo, o sepulcro, o forno alquimista, a descida ao ventre da Terra, VITRIOL, para encontrar a pedra oculta, a base de todo o trabalho, a raiz da árvore da vida.

Aqui, João Batista é o Iniciador nos mistérios, encarna o mestre ou guru que todo discípulo encontra na entrada da caverna da Iniciação. E o seu papel é batizar o discípulo com os conhecimentos elementares do mundo espiritual.

Ao fundo, vemos um cervo na paisagem, e ele também é parte do código iniciático, porque o cervo é um conhecido símbolo da fertilidade associado ao deus masculino, o Cernunnos, o Touro zodiacal, fonte da vida, ou ainda, a Cabra, o Bode, a energia vital pura, que também se refere ao fogo sagrado, matéria prima da Grande Obra.
A galhada do cervo faz relação com os galhos da árvore da vida (ou árvore da ciência, dependendo do contexto).

Neste caso, a árvore da ciência diante do Iniciador, que conduz o discípulo no correto discernimento entre o bem e o mal, para que ele separe o sutil do denso, e o joio do trigo em sua refinação interior, visando o renascimento.

É o caminho da separação que nos leva ao deserto. Separar do que é falso (mundo dos homens) para reunir ao que é legítimo (o mundo divino). As mesmas condições que Jesus apresentou ao velho Nicodemus acerca do segundo nascimento, que é a alquimia entre a água e o espírito, entre a pureza dos elementos e o poder reedificante do Espírito Santo em nós. Do homem, a parte é apresentar os materiais da construção puros, renovados, e do espírito, a parte é reedificar a partir dos materiais que o homem lhe apresenta, materiais de energia vital e energia mental.

E os códigos não cessam.

Olhe para a extremidade superior do bastão de São João, e logo acima dele, em forma de tronco de árvore, há uma perfeita árvore ou parte de árvore em forma de mão, mão que também ergue o dedo direito, apontando para o céu: o código da Vinci, Baco-Dionísio, João ou Hermes Trismegisto!

Então, temos três direções apontadas: as duas mãos de João, para a direita (de quem vê, e esquerda dele), e para baixo, e concluídas estas direções, vem a realização final, a ascensão, a via para cima, para Deus, para a transcendência do humano no divino.

Este é o ensino de Jesus a Nicodemus e, antes, o ensino de João Batista a Jesus, e o ensino de Buda, o ensino de Moisés, o ensino de Salomão, o ensino de Hermes.

E tudo começa a partir da raiz, da descida, da morte.
Descer à própria raiz da vida no corpo, cóccix, núcleo da energia vital instintiva, terminal inferior do sistema nervoso circulante, enfim, a serpente oculta dos mistérios… que deve subir na vara e se transfigurar em bronze, liga metálica, outro conceito alquimista!

Desenho de São João Batista

Neste desenho, o profeta está inteiramente nu, segurando um bastão com a mão direita e, com a esquerda, aponta para uma espécie de cruz formada por dois bastões cruzados.

Mais uma vez, um argumento em código para os mistérios da Cruz (INRI) e o fogo secreto, agente primordial da Alquimia, a reunião das polaridades gêmeas, etc.

Outros desenhos variados insistem no mesmo código: a mão cujo dedo aponta algo, alguém, alguma coisa…

Mulher apontando

Uma mulher de cabelo e roupas esvoaçantes aponta para a direita com a mão esquerda e, aqui, um detalhe:
mesmo que, numa e noutra obra, Leonardo mude a mão, esquerda ou direita, não importa, o código se conserva, porque ela sempre vai apontar para o lado direito da imagem (para quem observa) ou para o alto.
Tomé, na Última Ceia, aponta para o lado, e está à direita de Cristo na imagem (à sua esquerda, na situação do agrupamento).

A Via da direita ou da esquerda?

Leonardo da Vinci geralmente coloca à direita da cena (para quem vê) a direção do sinal do dedo da personagem
(ou para o Alto): a via da direita é a via da ascensão, e a via da esquerda, a via da descida.
Descer para subir, morrer para renascer, os paradoxos da ciência secreta.

Resta saber se o lado direito das imagens sugerido por Leonardo assume o valor de direito (relativo ao observador) ou esquerdo (relativo à cena em si), e se for o lado esquerdo, ele faz mais sentido ao código que deseja camuflar os caminhos “marginalizados” da Ciência Hermética pela Igreja Católica em seu tempo, e até os nossos dias.
Eu acredito que ele se refere à via esquerda, não pela ótica do observador da cena, mas pela ótica da personagem inserida no contexto da pintura (ou desenho).

Isso combina com o estilo de Leonardo, ocultista, solitário, eremita, monástico e voltado para o Hermetismo e não para o Catolicismo, incluindo o contato com os mistérios pagãos, seus deuses e forças, leis e mistérios… que falam de magia e transmutação, fala do despertar do deus interior, da viagem astral, meditação, clarividência, intuição e paranormalidade.

Ou seja, a ciência secreta de Leonardo fala e ensina tudo aquilo que a Igreja Católica, desde sempre, qualificou como Satanismo, bruxaria e magia negra, daí a necessidade de tantos códigos!
São os mistérios da morte, da noite e da caverna obscura, da Iniciação e do mergulho no EU, no Ser, em busca de respostas que livro algum pode fornecer. Deus dentro em primeiro lugar, para, em seguida, ser encontrado ao redor.

Caminho esquerdo, solitário, no deserto da exclusão, das ovelhas que fizeram sua lã se tornar negra quando se desgarraram do rebanho…

(Continua)

JP em 13.10.2020

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