A Síndrome do Prisioneiro

Do Grego SYNDROME, “conjunto de sintomas”, de SYNDROMOS, “o que corre junto”, formado por SYN-, “junto”, mais DROMOS, “corrida”.

Qual o conjunto de sintomas desta síndrome existencial?

A síndrome do prisioneiro consiste essencialmente na acomodação da vontade a todas as situações externas de prisão dentro de um tempo relativamente prolongado que nos limitam as ações, e tais ações limitadas são assim transferidas ao subconsciente dentro daquele tempo na forma de uma gradual acomodação da vontade (que traz em si todos os potenciais latentes da renovação e mudança) às circunstâncias que não consegue superar ou mudar.

E a cada dia que passa, você apenas acumulará em seu subconsciente todo o cansaço, tristeza, dor, desapontamento, desânimo e descrença em função de tudo o que viveu. E esses elementos vão construindo um castelo, e esse castelo terá uma masmorra profunda na qual a melhor porção da sua alma, a porção criança, a porção entusiástica, se tornará prisioneira, sentenciada a prisão perpétua pelos seus sentidos comuns, a menos que os seus sentidos incomuns reajam contra isso.

Em outras palavras, é você dentro da prisão fazendo com que a prisão se instale dentro de você…
É o passarinho que ficou tanto tempo dentro de uma gaiola fechada que perdeu a vontade de voar, e não pensa em voar mais, mesmo se abrirem a gaiola diante dele.

É o prisioneiro que passou tanto tempo atrás das grades que, mesmo depois que ele foi liberto, ele continuará carregando a prisão dentro dele na forma de uma conduta que, implantada no seu subconsciente, ainda refletirá insegurança e medo em todos os seus passos na vida.

E não há prisão maior que o tempo… ele é a prisão real.
As situações adversas, quando prolongadas, é que enjaulam nossa vontade.
O tempo é o real criador de algemas ao redor da mente, e todos os condicionamentos ao redor da consciência.

Esse tempo que derruba muros e corrói os metais, o tempo que passa e esmaga todos os ideais com sua roda insensível, é a real prisão a ser superada, porque no tempo nunca morou o novo, essa é uma grande ilusão, achar que o tempo amanhã nos trará o novo se o novo não acontecer dentro de nós.

Cria-se aqui um circulo vicioso, porque o tempo nos condiciona às ações velhas e repetidas, e essas ações velhas e repetidas nos tornam presos dentro do tempo, destituídas do poder de trazer o novo…aquele poder capaz de nos conservar a criança interior, que é sempre feliz porque nunca deixa de acreditar num mundo mágico e emocionante, diferente dos adultos acomodados ao velho roteiro de sempre!

O teste final para todas as almas encarnadas nesta roda é vencer o argumento do tempo, reagindo contra essa síndrome que todos tendem a carregar em função dessas experiências todas.

Essa é uma batalha contra si mesmo a ser travada todos os dias, correndo junto com o tempo sem permitir que ele condicione nossa mente… algo muito difícil que realmente exige muita força, empenho e paciência!
Para poucos, justificando a parábola da porta estreita e da estrada rude e solitária do mestre maior.

Para compreender de vez que a palavra “ânimo” vem de alma, e se vem de alma, não pode depender de nenhuma circunstância externa, e que a palavra “entusiasmo” significa Deus dentro, e se Deus está dentro, e se você permite que Deus dentro renove todos os seus pensamentos diariamente, apesar de tudo o que você já passou, sofreu, perdeu, esperou e preso ficou muito tempo dentro de situações limitadoras e difíceis, então você se encontra na real estrada do renascimento interior capaz de transcender a própria mecânica do tempo, estrada essa que é feita para os fortes, fortes em Deus, aqueles que colocaram toda a sua fé, força, vida, alma e entendimento na Verdade abaixo declarada:

“Se o mundo vos odiar, nada temam.
Eu venci o mundo!”

Porque sozinho ninguém pode vencer o tempo.
Só vencerá o tempo e todo o resto se o humano se render e se submeter ao poder divino.
O ego humano trai a si mesmo julgando que pode fazer tudo sozinho.
No dia de sua morte, verá como acreditou tempo demais numa mentira… porque até a própria vida lhe escapará pelos dedos, cedo ou tarde… e novamente, a prisão do tempo!

JP em 28.08.2020

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