A Metamorfose da Alma

Metamorfose, mudar de forma (termo de origem grega)

E hoje, vivemos dentro de uma sociedade de consumo que se apega demais às mudanças externas de forma e aparência, desde malhação em academias para ganhar musculatura até cirurgias plásticas ou todo tipo de escultura e pintura no corpo, transformando-o numa vitrine de exibição pública.

O ego humano não se conforma mais em ficar escondido lá dentro da mente, agora ele precisa se expor publicamente, transformando o corpo em vitrine de exibição pública.
Ele quer, mais do que nunca, chamar a atenção, se sentir notado, aplaudido, reconhecido… extrapolando todos os limites da vaidade. Nunca se viu uma geração tão vazia por dentro multiplicando todos os ornamentos físicos para tentar se destacar na sociedade de consumo em seus desfiles de vaidades.

E quanto mais tempo, energia e dinheiro se investe no que é externo (perecível e passageiro) mais se perde o contato com o que é interno (real, permanente)

Porque a essência da Metamorfose humana começa pela alma, portanto, é um processo interno que nada tem a ver com o seu desejo de ganhar músculos, ou operar o seu nariz, ou cobrir o corpo de tatuagens e roupas da moda para se sentir, de alguma forma, melhor com tudo isso, renovado como pessoa, o que é uma inverdade.

Porque a renovação vem de dentro, e a metamorfose acontece por dentro.

A metamorfose é da alma, e quando a alma muda, seus valores mudam, e você percebe que mudar o corpo não significa nada. A alma continua velha, do mesmo jeito lá dentro, ainda que você transforme todo o seu corpo.

A lagarta tem que comer muitas folhas verdes para iniciar o processo de metamorfose em borboleta, e a sociedade de consumo come informações todo o tempo, toda a hora, julgando erradamente que isso lhe permitirá a construção de consciência. Não, apenas está congestionando a mente com quantidade de informações, entupindo todos os canais que permitem a construção de consciência por meio de um processo interno chamado Auto-conhecimento. Cria-se então um círculo vicioso, e quanto mais informação diária a nossa mente come na Internet, mais ela se sente perdida, vazia, confusa e sem saber para onde ir e o que fazer.
Estou errado?

Todo mundo está on-line o tempo todo, devorando com voracidade todo tipo de informação que puder colher de seus sites preferenciais. A mente está entupida de tantas teorias. E por que fica aquela sensação de que, cada vez mais, menos se sabe para onde vai e de que forma tudo isso vai terminar?
Não é a quantidade de comida ingerida que determina a transformação da lagarta, e sim, a sua maturidade.
Aparentemente estamos na era da informação.

Mas eu já disse antes e repito: precisamos mais do que uma humanidade informada.
Precisamos de uma humanidade transformada!
E a transformação é sempre interior.

Isso significa que lagartas também podem morrer por congestão, antes mesmo de se transformarem.

E a ideia da sociedade de consumo é usar todas as mídias para entreter as pessoas com futilidades e meias verdades, além da inundação de teorias especulatórias, e enquanto isso ela vai implantando como puder todo tipo de propaganda de consumo na sua mente. Tudo para desviar você da sua natureza interior profunda, lhe encapando com tanta informação subjetiva que, cedo ou tarde, lhe isole do que realmente importa para os rumos da metamorfose da alma: o auto-conhecimento.

Jesus disse: que adianta ganhar o mundo quem irá perder a sua alma?

Melhor seria não haver internet e tanta distração e futilidade entupindo a mente da lagarta para que ela nunca abra as asas de borboleta.
Se o corpo é a sombra do nosso sol interior, o que acontece quando os olhos preferem olhar para a sombra, vivendo suas curtas vidas para satisfazer seus corpos e só?

Porque, se o teu corpo se move na Terra, e o teu espírito no céu, onde levas a tua alma neste exato momento?

JP em 02.03.2020

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