O Verdadeiro Código da Vinci muito além de Maria Madalena – parte 15 – o Santo Graal

A Grande Tábua da Ciência Hermética

Eu chamaria assim a Última Ceia de da Vinci, como uma Grande Tábua de Ciência Hermética disfarçada de pintura… onde o mestre condensou todos os seus conhecimentos secretos principais, transformando o Cristo central no grande arquétipo da realização espiritual plena e integral almejada por todo alquimista e discípulo da Grande Obra.

A primeira medida proporcional importante que eu encontro é o número áureo Phi (1.618).
As proporções da pintura são repletas deste número, aliás, como muitas outras obras de Leonardo, uma espécie de assinatura secreta nos modelos da Divina Proporção, fortalecendo os argumentos da Ciência Hermética.

Além disso, os portais estão sugeridos no fundo da cena, uma porta e duas janelas abertas por trás de Cristo e alguns apóstolos próximos dele, por onde entra a luz na sala.

Além disso, como vimos antes, o triângulo é outra assinatura hermética fundamental, e não somente o corpo de Jesus disposto em formato triangular, mas a divisão dos 12 apóstolos em 4 grupos de três pessoas.
O corpo de Jesus em formato Delta, bem diante de uma porta aberta, nos leva a outro padrão de ordens secretas, o Portal entre duas colunas, porque Delta grego é variante do Dalet hebraico, e ambos significam PORTA, sendo a quarta letra de seus alfabetos.

Justamente no capítulo 4 do Apocalipse que o apóstolo João viu uma porta aberta no céu, através da qual alcançou o Trono de Deus.

A Questão do Cálice.
Imagens refletidas na Última Ceia trazendo conexões templárias com o Santo Graal? Cavaleiros, e uma mulher segurando um bebê?
Tudo isso é muito subjetivo para servir de alicerce de entendimento dos segredos da mente de Leonardo.

Porém, Leonardo da Vinci não pintou um cálice propriamente dito na sua Última Ceia. Pintou copos comuns, que me parecem em número de doze, com vinho pela metade, além de outros utensílios espalhados, pães e tudo mais.
Se pintou algum cálice ou GRAAL, o fez oculto, ou simbólico.

Na verdade, se ele seguiu a risca o conteúdo do Evangelho de João, capítulo 13, no seu esboço, não poderia ter pintado um cálice ao estilo Santo Graal não relatado nas Escrituras. Mas pode sim ter criado alegorias para ele, como a letra V no espaço entre Jesus e João.

O que os Evangelhos estabelecem é a criação da nova aliança entre Deus e os homens que Jesus celebra e confirma no ritual do pão e vinho, carne e sangue do Filho de Deus entregue à morte pela salvação do gênero humano.
Teorias sobre o Santo graal confluem de outras partes e se associam ao tema da Última Ceia seguindo outras tradições, gnósticas, apócrifas, etc.

Particularmente, eu não acredito nas teorias que defendem que os Cavaleiros da Igreja, nos tempos das Cruzadas, encontraram nas ruínas de Jerusalém o Santo Graal das lendas arturianas… e logo após, aquele grupo de cavaleiros, após sua descoberta, e alguns acertos com o Papa Inocêncio II, se torna a poderosa Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, em 29 de março de 1139.

Eu creio que o real tesouro que eles encontraram nas ruínas de Jerusalém se relaciona a fragmentos da sabedoria perdida de Salomão, aquela sabedoria que, segundo se diz, dava ao rei a capacidade de se comunicar com os espíritos do Universo e as potências celestes por meio de rituais de Magia Teúrgica, recebendo dos mesmos todos os seus dons e prodígios. Daí a associação da Ordem Templária com o Templo de Salomão e o seu nobre conhecimento e ciência oculta. Templo num sentido muito acima da mera edificação de pedra… Templo no sentido de Cosmos hierarquicamente organizado pelas potências espirituais dos Anjos e Gênios, conforme os textos da Cabala.

Esse conhecimento (hoje, perdido) transformou os cavaleiros templários em senhores do mundo na sua época, com poderes sobre os reis e sobre os homens da Igreja. Eles patrocinaram a construção de muitas catedrais góticas na Europa, em especial, no norte da França, compondo aquele circuito de Igrejas que, em visão aérea nas cidades escolhidas, formam o desenho da constelação de Virgem, com a estrela alfa azul (Spica) situada na mais bela catedral de todas, Chartres.

Essas catedrais são verdadeiros Livros de Pedra repletos de conhecimento oculto em suas linhas, proporções, símbolos, esculturas e até cores e formas de seus vitrais. Ocultismo maçônico que ali começava… os segredos de Salomão, herdeiro das nobres ciências do Egito de Hermes-Toth.
Se o Graal tem um grande valor, esse valor significa o Alimento do Eterno Feminino, que é a ciência do espirito, o Hermetismo, o Ocultismo, a Doutrina capaz de gerar deuses imortais a partir de homens mortais e corrompidos pelo pecado.

É indiscutível que Maria Madalena amava muito Jesus, tanto que foi para ela, e não outro apóstolo que Jesus apareceu primeiro, quando ressuscitou. Até admito que há algo de muito “feminino” pintado nos traços de João, o apóstolo amado de Cristo colocado à sua direita na Ceia. Mas observando o conjunto de obras de Leonardo, inclusive a sua última pintura conhecida, São João Batista, com traços bastante andróginos, fica claro que o código da Vinci não se refere à Maria Madalena, mas a João Batista, personagem que representava o próprio Hermes, o guia da ciência oculta para Jesus Cristo e os outros que o seguiam antes do Messias aparecer no cenário conturbado de Israel.

Até porque… Leonardo da Vinci nunca pintou um quadro de Maria Madalena, até o que se sabe agora…

E o Hermetismo nos leva ao Andrógino, a chave procurada pelos alquimistas, porque o Andrógino era o resultado final da Alquimia das metades, dos complementares, Sol e Lua, Enxofre e Mercúrio, homem e mulher, yang-yin, e ao ser obtido, conferia ao seu possuidor todos os dons simbólicos da pedra filosofal, entre eles, juventude eterna, cura para todas as doenças e imortalidade.
Esse Andrógino, retratando os diálogos de Platão, era a chave da auto-realização perfeita do homem, capaz de conduzí-lo ao segundo nascimento e transformá-lo em Filho de Deus.

Absurdas, por outro lado, são algumas teorias que tentam colocar Leonardo da Vinci como seguidor fervoroso de João Batista acima de Cristo, como se Leonardo interpretasse em João Batista o verdadeiro messias, e em Cristo, o Messias errado… e se o próprio João Batista deu testemunho do Cordeiro de Deus na pessoa de Jesus Cristo, que disse que ele precisava diminuir enquanto Jesus precisava crescer… certamente que Leonardo não era ignorante a estes fatos. Ignorantes são sempre os teóricos que bolam suas conspirações sem um conhecimento mais amplo e profundo da obra do mestre italiano que mudou a história da arte e da ciência para sempre.

E antes de ter sido um artista e um cientista, Leonardo da Vinci foi um místico fervoroso, que usou toda a sua ciência e arte para buscar uma coisa acima de tudo: o segredo da Imortalidade.

E se Cristo ressuscitou dentre os mortos, com certeza, este conhecimento foi possuído pelo Hermes de seu tempo, João Batista, à quem atribuiu tais segredos…

JP em 20.04.2020

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