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O Tudo e o Nada

 

 

O estado natural ou original de tudo o que foi criado seria aquele estado que existe antes de Tudo ser (criado).

Ou melhor dizendo, o estado natural de Tudo é o estado do Nada.

Porque o Nada é a Causa. O Tudo, o Efeito.

E dentro deste paradoxo conceitual metafísico, esse Nada é o Tudo verdadeiro (a Realidade) enquanto o Tudo que concebemos, este é o Nada (ou Ilusão).

É impossível separar palavra, conceito e pensamento.

Eles também são projeção de algo anterior, de algo ulterior, e que não pode ser descrito por termos.

O Tudo a que me referi faz parte dessa projeção, e o Nada, do projetor. Termos existem, muitos, vários, em todas as religiões, e na Física igualmente.

Mas o que importa é compreender que o Universo é feito de camadas, e que, todas elas, o Tudo, se dissolvem e deixam de existir, então são Nada, nesse sentido existencial, enquanto a essência, donde elas se formaram, esta permanece, sendo então o Tudo o que realmente há, ainda no sentido existencial.

E esse conjunto de Ser-Emanação-Criação-Destruição-Recriação, eu costumo chamar Deus. Sentindo-o é que eu o entendo. E entendendo-o, eu o sinto. Ele é Tudo o que há mas é Nada do que vemos. A Criação é apenas uma tosca imagem Dele refletida no Espelho.

Pelo menos nesse ponto todas as cosmogonias antigas concordam.

E uma coisa é certa: elas nunca passaram da contemplação do Espelho.

“E Deus criou o céu e a Terra…

E Deus viu que era Bom…”

No Gênesis, percebemos essa sugestão: Deus cria as coisas e reflete sobre as coisas (e viu que era bom).

A Criação é um espelho onde o Criador mira-se.

Criação, Tudo. Criador, Nada (conceitualmente), isso na ótica da criatura que observa e julga a Sua existência através dos dados cósmicos.

As palavras ainda são um recurso de espelho para as idéias mais profundas que emanam da alma. Por vezes, nos traem, nos limitam. Para contemplar o Tudo, elas nos ajudam, mas para definir o Nada, são completamente inúteis.

Dentro do nosso universo, que também é um sistema fechado, nunca escaparemos da Lei da Relatividade. Nem as nossas palavras tampouco.

Este é o calabouço da Dualidade.

Este é o limite dos sentidos. Este é o muro das percepções materiais. Avançar estes limites e pular o muro é o próximo passo para toda alma que já sentiu que religião alguma da Terra já é capaz ou suficiente para preencher a sua mente cheia de perguntas e a sua alma cheia de necessidades que, nem rodando o mundo inteiro ou virando-o pelo avesso, poderiam ser aqui encontradas.

E tudo o que está lá fora não passa de nada para esse coração que tem fome e sede de coisas que não estão e nunca estiveram neste mundo.

 

JP em 15.08.2019

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