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O Encontro com Deus

 

 

O encontro com Deus pressupõe o que cada um entende por DEUS em seu coração.

Se um crente toma Deus por uma entidade antropomórfica, repleta de juízos e condenações, leis e deveres impostos, o encontro com Deus seguirá no seu entendimento por linhas de colisões e conflitos com o pecado e a culpa mais parecidos com processos judiciais intermináveis, gerando muito mais medo intimidador do que respeito amoroso e obediência salutar, e sua busca mais parecerá um padecimento sem fim na luta contra os conflitos do que uma gradual ascensão da consciência na direção do AMOR.

Se um fanático toma Deus por uma hierarquia guerreira e possessiva, que deve implantar a sua Lei pela espada e pela força contra outras religiões consideradas imperfeitas a serem esmagadas, então a sua busca pessoal por Deus mais parecerá uma sangrenta e interminável Batalha de ódios no campo da Intolerância do que uma gradual ascensão da consciência na direção do AMOR.

Se um santo ou penitente toma por Deus um Pai punidor que purifica sua alma através de incontáveis sacrifícios, então este Pai tende a lhe parecer severo demais e inalcançável demais por ser exigente demais em seus critérios de pureza e perfeição, e sua trilha espiritual mais parecerá uma longa e dolorosa estadia em um hospital da alma do que uma gradual ascensão da consciência na direção do AMOR.

Se um ufólogo toma a DEUS por um produto ou resultante final da inteligência e tecnologia holográfica de Aliens superiores, então a sua caminhada de encontro ao Criador mais parecerá um filme de ficção alienígena cheia de robôs ou a imagem de uma civilização dotada de máquinas inimagináveis investidas de Inteligência Artificial, capazes até de manipular as forças da Criação, ainda não perceptível àquela gradual ascensão da consciência na direção do AMOR.

Se um ateu encara a DEUS como uma coleção de mitos saídos da fantasia dos povos bárbaros e antigos, que não sabiam definir as leis e forças da natureza a não ser pela mistificação das mesmas, então a sua relação com o Criador será mais de um arrogante desdém, pressupondo que a ciência lhe dá e lhe dará todas as respostas aos mistérios da existência, e todo o resto, azar e sorte, lhe parecerão mais com uma roda inevitável e sem maiores propósitos chamada FATALIDADE, do que com uma gradual ascensão da consciência na direção do AMOR.

Se um vidente ou médium toma DEUS com base em suas visões do além-túmulo, carregadas de vozes agonizantes e sombras decaídas, espectros e formas dispersas sem direção em mundos ocultos, estranhos, fantásticos, cheios de céus e infernos da imaginação, muitas vezes motivo de assombro e medo, então a sua concepção de Deus mais se parecerá com um turbilhão de almas rodopiantes nos vórtices das dimensões ocultas, oscilando entre os sonhos e os pesadelos do Umbral do que uma gradual ascensão da consciência na direção do AMOR.

Se um artista toma DEUS como sendo a inspiração de toda a beleza existente, beleza essa que ele pode não só contemplar com os sentidos apurados mas também manipular na criação da sua arte pura, então a sua forma de sentir a Deus mais parecerá um mergulho diário dos sentidos na energia prazerosa da Beleza do que uma gradual ascensão da consciência na direção do AMOR.

Se um cientista não ateu toma DEUS como sendo o conjunto de leis previsíveis e mensuráveis dentro de um Universo matematicamente elegante e ordenado dos fenômenos, então a sua caminhada em busca da compreensão das coisas será mais parecida com a resolução de uma equação ou equações que o levem a uma Teoria Perfeita e Unificada do Universo do que com uma gradual ascensão da consciência na direção do AMOR.

Se um médico percebe DEUS como sendo a resposta final para todas aquelas curas milagrosas e desconcertantes que ele testemunhou diante de si, quando todos os métodos e soluções da medicina vigente falharam diante de um caso aparentemente irrecuperável ou doença aparentemente incurável, então seu jeito de sentir e compreender a Deus mais se parecerá com uma Fonte inesgotável e imprevisível de Vida e Cura abundantes do que com uma gradual ascensão da consciência na direção do AMOR.

Se um naturalista toma a Deus invisível como sendo a alegre e fecunda face da Natureza visível, então para ele Deus sorrirá em todas as suas criações vitais, em cada raiz e rebento, em cada tronco saudável que faz espargir galhos, folhas e flores, antes de brindar os campos com o milagre da semente dentro dos abundantes frutos…atraindo e aninhando todas as formas de vida animal em seu colo maternal, então a sua visão em busca de Deus mais parecerá com a vida alegre e simples de um camponês, serena e cheia de gratidão ao Sol pelos bosques nas manhãs perfumadas das flores silvestres do que com uma gradual ascensão da consciência na direção do AMOR.

Se um filósofo ou psicólogo interpreta a Deus como sendo um conjunto de propostas metafísicas a serem solucionadas pela mente humana ao longo de sua existência racional pelos argumentos da inteligência crítica, ou uma massa imprecisa de impulsos psíquicos com relações bioquímicas no cérebro mais ou menos autônomas dentro da fantasia de cada cabeça pensante, então a sua busca por Deus mais parecerá o desvendar de inumeráveis enigmas e proposições do universo limitado definido pelos cinco sentidos ou de projeções imaginárias da própria fantasia subversiva do Inconsciente adormecido do que uma gradual ascensão da consciência na direção do AMOR.

Se um filantropo concebe a Deus em cada mão que possa ser estendida para ajudar os necessitados, dando pão a quem tem fome, dando água a quem tem sede, dando roupa ao maltrapilho e teto ao mendigo, aliviando a dor e o sofrimento alheio da forma que puder e souber, então a Caridade será a sua forma de compreender a manifestação divina no maravilhoso verbo da compaixão, e tal percepção brotando de seu coração realmente estará muito próxima de ganhar um maravilhoso impulso dentro daquela gradual ascensão da consciência na direção do AMOR.

Se um esoterista, espiritualista, budista, ou pessoa de mente mais aberta e compreensão mais metafísica do universo, que já trilhou muitas estradas intelectuais em busca da Verdade, e reuniu boa soma de informações esotéricas, espiritualistas e teosofistas acerca do Universo espiritual, repleto de camadas e hierarquias, planos e dimensões, modelos e definições, leis e princípios reguladores, deste e de outros mundos, compreendendo que a Vida não é privilégio somente do planeta Terra ou da forma tridimensional, mas é o próprio milagre do espírito em ação por toda a parte, e se esse esoterista ou místico racional conseguiu então contemplar uma grandeza para enquadrar o significado de DEUS muito maior do que todas as religiões dogmáticas reunidas já puderam fazer, então para ele a busca do Divino se parecerá com um longo e detalhado estudo dele mesmo e todas as coisas ao redor, junto com meditações diárias a respeito da solução deste enigma presente que começa com a compreensão de que DEUS está dentro, antes de estar ao redor, e de que DEUS vive em mim, antes de viver em toda parte, e nesse ponto, tal mente aqui descrita já perceberá que a sua estrada está toda definida ao que concerne aquela gradual evolução da consciência na direção do AMOR.

Porque ele sabe que DEUS será encontrado a partir do momento em que venha encontrar-se a si mesmo, dentro de tudo o que o AUTO-CONHECIMENTO pode lhe oferecer em termos de ABERTURA DE PORTAS…

Por fim… se um espírito simples, que viveu todas as suas vidas, que sentiu todas as emoções, que sofreu todas as dores e degustou todos os prazeres, que contemplou todas as religiões, que estudou todas as ciências, que sonhou todos os sonhos e edificou todos os ideais possíveis, que conheceu todas as pessoas e com elas debateu todas as filosofias e caminhos da mente, e visitou todos os lugares e colheu todos os tipos de flores desta terra, e que comeu todos os frutos e plantou todas as sementes, e sorriu e chorou, e esteve tanto no alto como no fundo do poço, sabendo ganhar e perder, sabendo pedir e perseverar, sabendo levantar e subir outra vez… acreditando em si para poder acreditar em Deus, … e se este espírito simples, até infantil, que precisou reunir todas as suas forças para sobreviver à loucura dos sábios na demanda de suas dúvidas incessantes e continuar sua busca sem desistir, para compreender o semelhante sem julgamentos, para respeitar toda vida como respeita a si mesmo e encará-la como um santuário intocável onde o Criador também se abriga, como nele mesmo, para contemplar com reverência e êxtase a dinâmica das coisas, o fluxo das causas e efeitos e o movimento cíclico dos eventos na ilusão posta do TEMPO, e no final das contas, compreender que tudo isso fora criado para lhe ensinar a mais essencial de todas as lições, e a por em prática a lei mais fundamental de todas dentro deste Universo maravilhoso, que é aquela do DAR PARA RECEBER, e aquela do FAZEI AOS OUTROS O QUE GOSTARÍEIS QUE VOS FIZESSEM A VÓS MESMOS…

Então, este espírito simples bebeu da água da fonte e não tornou a ter sede… este espírito simples reuniu passos suficientes em sua ioga particular, em sua comunhão diária disposta numa estrada que serviu para lhe abrir cada vez mais o coração, de modo que este espírito evoluiu gradualmente em sua consciência no sentido não de entender a Deus mais do que SENTIR A DEUS em cada passo de sua busca, em cada pensamento de suas indagações, em cada beijo de suas relações, e em cada ato consciente de sua vida, descobrindo que esta caminhada era e é a única religião que existe, a caminhada que não pode ser escrita em um livro sagrado nem materializada numa oração ou crença fixa, e muito menos defendida por um pastor ou padre dentro de um templo de pedra, e sequer transformada em causa pessoal de guerra e competição…

Esse espírito simples, que é pequeno aos olhos dos outros mas IMENSO AOS OLHOS DE DEUS, aprendeu, pura e simplesmente, que o encontro com DEUS NUNCA EXISTIU a partir do momento que DEUS SEMPRE ESTEVE DENTRO DELE, e cada vez mais forte e intensamente se manifestava, quanto mais forte e intenso era o AMOR que ele expressava em seu coração, antes de qualquer outra coisa, e quando esse espírito simples aprendeu a fazer de tal AMOR A VERDADE QUE GUIAVA A SUA VIDA, então ele percebeu que já tinha ido ao encontro com DEUS a partir do milagroso, do glorioso momento em que seu coração aprendeu a amar incondicionalmente…

E que cada uma daquelas formas de busca a Deus mencionadas anteriormente, a busca do crente e a busca do fanático, a busca do santo e a busca do ufólogo, a busca do ateu e do vidente, a busca do cientista e do artista, a busca do médico e do naturalista, a busca do filósofo e do psicólogo, a busca do filantropo, a busca do esoterista e do místico, fizeram, todas elas, parte de suas próprias buscas em diferentes estágios da sua vida e momentos de sua existência, cada um deles compreendendo exatamente aqueles mencionados níveis e níveis de sua gradual evolução de consciência na direção do AMOR, este conceito que deixa agora de ser conceito em sua mente e teoria em seu intelecto, para se tornar PRESENÇA EM SEU ESPÍRITO E VERBO DE AÇÃO EM SUA VIDA!

Nesse dia, finalmente, ele compreendeu, com todas as suas forças, que realmente, Deus é AMOR. E que ele, o espírito simples saído das entranhas do Criador, a parte mais nobre da Criação, espírito nada sofisticado em sua forma de pensar, nada exigente em sua forma de encarar a vida e os semelhantes e, principalmente, nada egocêntrico ao ponto de creditar a si mesmo o valor de centro absoluto da própria existência, pode encontrar o seu lugar de indivíduo desejado por Deus que, com os braços abertos, o convida para entrar em suas muitas moradas…

Nele deixou de existir toda ambição e interesse de ganho, e por isso, ele se fez pequeno diante do Grande… e por se fazer pequeno diante do Grande, é que nele passou a existir todo esse amor puro e lucidez de consciência.

E por se fazer pequeno diante do Grande é que dentro do imenso OLHAR desse espírito simples passou a caber todo o Universo… e então ele finalmente abrigou com consciência e amor àquele Deus na morada do seu peito…

Ele se fez todo criança, como a parábola cristã ensinou, e então, cheio de amor, o Pai Infinito recebe em seu lar a desejada criança perdida… e que agora encontrou a si mesma… encontrou na vida simples e humilde o supremo, o sublime segredo da vida que aos grandes, aos soberbos e aos cheios de si fora negado desde que existiu humanidade…

E ele se tornou CRISTÃO não no sentido religioso do termo, mas no sentido realmente prático, renascido Filho de Deus porque o homem de ego nele está morto. Apenas ganhou asas e voltou para casa…

Pelas Mãos do Infinito Amor, ele aprendeu a pedir, confiando, e aprendeu a receber, agradecendo! E principalmente, ele aprendeu a partilhar!

O mesmo Infinito Amor o esvaziou de medos e o encheu de força… o curou de todas as culpas e o blindou com coragem… despiu-lhe de todas as crenças para vestí-lo com a armadura reluzente da fé! O Infinito Amor preencheu plenamente o seu coração com a Presença que se fez DEUS em si,

E falando ainda em um encontro com Deus…ele não precisou encontrar uma coisa que sempre esteve dentro dele.. .porque todo este tempo, só lhe faltava olhar na direção certa!

E o Amor lhe ensinou!

 

JP em 14.09.2019

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