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Almas em Busca … ou egos em fuga?

 

 

Muitos hoje em dia buscam a vivência em comunidades para tentar um refúgio que lhes permita um maior contato com o Eu Interior, tendo a paz e a tranquilidade do campo como fontes de inspiração e reequilíbrio, bem como o convívio harmonioso com outros “iguais”, um apoio logístico para esse empreendimento.

Mosteiros, monastérios e retiros do tipo existem desde que o mundo é mundo, e funcionam, até o ponto em que se haja a convicção de que eles reúnem almas em busca… e não egos em fuga!

O que quero dizer?

Quero dizer que não adianta fugir de uma situação com uma camuflagem por cima. Muitas são as pessoas que, contrariadas na vida, largam tudo e fogem para uma ilha deserta, ou sobem uma montanha, ou se isolam num convento, mosteiro, comunidade, qualquer coisa do tipo, movidos não exatamente por BUSCA, mas por FUGA, o que não justifica em essência a nova alternativa de vida.

Abandonar tudo, procurar o deserto como uma nota de ressonância que nos aumente o contato com o lado espiritual da vida, isso é nobre, louvável e recomendável a toda alma que se encontra pronta… mas usar esse expediente como manobra para fugir de uma situação familiar ou existencial terrível, que exerce pressão e deixa a pessoa confusa, sem respostas e soluções no momento em que atravessa a crise, fazendo-a largar tudo e fugir para o porto mais próximo… isso é tão somente adiar o problema, ou tentar remediá-lo com uma situação externa sem o poder de curá-lo, de saná-lo da mente, onde está sua raiz e origem.

Isso nos leva àquele belo pensamento de Einstein, nos posts abaixo.

VOCÊ NÃO PODE RESOLVER UM PROBLEMA NO MESMO ESTADO DE ESPÍRITO EM QUE O CRIOU!

Se estamos fugindo de uma situação ou problema, o mosteiro ou a comunidade só funcionarão como aquele tapete para onde voce atirou a poeira e a escondeu por baixo dele…

Se estamos buscando um significado maior para a vida, procurando frear o materialismo para acelerar no espiritual, então isso pode funcionar, desde que você encontre um lugar com estilo de vida e doutrina compatíveis ao seu nível de compreensão e consciência.

Porém, temos que lembrar que estes lugares ainda reúnem egos que, por sua vez, guardam moderados graus de FUGA de suas próprias limitações, medos, mágoas e frustrações.

Afinal, estamos em busca, e buscar soluções internas para que estas FUGAS DO EGO se convertam EM ENCONTROS COM O ESPÍRITO, resultando em Iluminação, é, em essência, a proposta original de tais ambientes.

Agora, se a motivação original da pessoa não foi o isolamento com proposta de ENCONTRO INTERIOR, e sim, como motivo de FUGA DE SI MESMO, aí com certeza, tudo se recriará ao redor, e a pessoa perceberá que não pode fugir daquilo que ela carrega dentro, porque o cenário sempre repetirá, qual um espelho, todos os seus piores temores.

Isso nos leva a refletir sobre a profunda diferença entre dois termos bastante extremos:

FUGIR DE SI MESMO
ENCONTRAR A SI MESMO!

Será que é fugindo de mim mesmo que eu encontrarei a mim mesmo?
Certamente que não.

Somente encarando a si mesmo, sem medo, com a vontade de solucionar todos os dilemas e conflitos internos, que esse encontro se realizará.

E vou te dizer: voce pode viver esse encontro em qualquer lugar, pode ser na montanha ou na cidade grande, pode ser na vida em campo ou na loucura urbana, não importa. O externo nunca foi e nunca será a condicional para que esse encontro interno aconteça. Muitas das vezes, quanto maior a pressão e força contrária externa, mais fortemente você é levado a esse encontro interior, isso se for forte o bastante para suportar e modificar a pressão externa.

E no final, voce mesmo descobrirá que o Exterior, como espelho, por mais desagradável e tenso que seja, terá sido o melhor mestre no sentido de te direcionar os passos na estrada do Auto-conhecimento.

Fugir desse exterior, quando ele se encontra tenso, doloroso e desagradável, pode ser uma valiosa oportunidade perdida de autoconhecimento, de teste de resistência, de desenvolvimento de força, paciência e tolerância, etc, as quais você não vai encontrar num pacifico canto de bosque ou montanha serena… é muito raro encontrar discípulos que prefiram a estrada apertada e difícil do que a estrada larga e facilitada para seguirem suas vidas e buscas internas… mas eles existem!

Essa condicional é pura e simplesmente uma força de vontade inabalável direcionada a tal propósito, que só será alimentado ao longo do tempo se você tiver muito amor no seu coração.

Caso contrário, o tempo te vencerá. E você desistirá… e todo o cenário a tua volta, que era novo ontem, se tornará velho hoje, porque se o interior não mudar, você transformará o exterior no velho de sempre.

Conclusão: de nada adianta fugir de uma dor ou medo, ela sempre lhe encontra, onde quer que você esteja. Não é o hábito que fará o monge, e sim, a paz interior. Porque, se a dor ou o medo ainda forem companheiros invisíveis de cela, estar ou não num templo não fará nenhuma diferença.

 

JP em 27.07.2019

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