Mistérios

Egito faz desfile público com 22 múmias que vão para novo museu

TNC (10.04.2021)

As 22 múmias foram levadas ao Museu Nacional da Civilização Egípcia, onde serão exibidas. O transporte das peças foi realizado em cápsulas com nitrogênio, para garantir preservação. As pessoas acompanharam nas ruas, pela TV e pela internet.

No Egito, o governo preparou um grande desfile impressionante para transferir os sarcófagos de 22 faraós de um museu a outro.

Há mais de três mil anos os egípcios não cortejavam faraós. As TVs do Egito chamavam a população para esse momento havia meses. O governo egípcio cogitou transferir as 22 múmias com cautela, sem alarde. A opção foi pela pompa e circunstância.

A Orquestra do Egito foi a trilha sonora da última jornada de 18 reis e quatro rainhas. Eles deixaram para trás o Museu Egípcio, na capital Cairo; escoltados pela carruagem, por ordem cronológica.

O faraó Seqenenre Taa, do século 16 antes de Cristo (a.C.), abriu o desfile. É a múmia mais velha do grupo, mas não a mais famosa. Ramsés II reinou por 67 anos e assinou o primeiro tratado de paz já conhecido.

Neste sábado (3) quem garantiu a paz foram os batedores. Mas o principal risco no trajeto de cinco quilômetros era o sacolejo de múmias tão antigas. Os organizadores usaram carros com amortecedores especiais. Os faraós ficaram em cápsulas cheias de nitrogênio para conservação.

Milênios atrás a técnica de embalsamento era outra. Os primeiros métodos envolviam o corpo com faixas apertadas de linho ensopadas com resina, sais, ervas, óleos, ceras. Para conservar melhor o corpo, os sacerdotes retiravam todos os órgãos, menos o coração, considerado o lugar da inteligência.

E ele bateu forte várias vezes ao longo do Desfile de Ouro dos Faraós. Luzes, faixas, músicas. As pessoas acompanharam nas ruas, pela TV e pela internet a sua História.

Novo Museu do Cairo, sendo inaugurado

O Egito experimentou um forte aumento de infecções por Covid-19 há um ano. Mas os casos de contágio e mortes foram caindo. O governo acha que está livre de mais uma praga e agora permite as reuniões.

Os 22 reis e rainhas também já tomaram decisões polêmicas. Hoje, com um discreto sorriso nos sarcófagos, pareciam gostar de uma renovada bajulação.

A carreata durou perto de uma hora. O presidente recebeu os antigos governantes no novo Museu Nacional da Civilização Egípcia, que passa a funcionar integralmente neste domingo (4). Abdel-Fattah al-Sisi inaugurou uma obra faraônica.

As múmias foram descobertas em 1871 no Vale dos Reis e desde o começo do século passado estavam em salas apertadas no Museu Egípcio. Agora, a antiguidade ganhou um controle moderno de temperatura e umidade, com projeções que lembram os túmulos subterrâneos.

O Egito teve uma aula em tempo real. Viajou de volta para o universo dos papiros, hieróglifos e outros artefatos de uma das mais importantes civilizações humanas.

A transferência dos faraós não aconteceu sem polêmicas. As múmias do Egito são historicamente associadas a maldições. No túmulo do faraó de Tut, haveria um aviso: “a morte virá em asas rápidas para aqueles que perturbam a paz do rei”.

Muitos supersticiosos enxergaram uma relação entre o desfile e um acidente de trem com dezenas de mortos; o desabamento de um prédio com 18 mortes e, claro, o navio que atolou no Canal de Suez, parando parte do comércio marítimo entre Ásia e Europa.

A professora Salima Ikram, da Universidade Americana do Cairo, explica que o desfile ajuda o povo a “se envolver com o próprio passado”. Ela lembra que esses são os reis do Egito e têm uma importância histórica e econômica para atrair turismo.

Os egípcios antigos faziam mumificações porque acreditavam que a pessoa precisava do corpo na vida eterna. E é nos museus que eles alcançam aquilo que queriam: a eternidade.

Grande Museu do Egito, internamente

O Grande Museu do Egito

Grande Museu Egípcio (GEM), também conhecido como o Museu de Gizé, é um museu para exposição de artefatos do Antigo Egito.

Descrito como o maior museu arqueológico do mundo, o museu deve ser parcialmente aberto em 2021.

A instituição ocupa uma área de 50 hectares de terra, a cerca de dois quilômetros das Pirâmides de Gizé e é parte de um novo plano diretor para o planalto de Gizé.

Vista externa do Grande Museu

Estrutura

O edifício tem a forma de um triângulo oblíquo e se encontra a dois quilômetros das pirâmides. As paredes ao lado norte e sul do edifício estão alinhados com as pirâmides Micerino e Keops, enquanto que na parte frontal do edifício há uma vasta quantidade de palmeiras. Uma das características principais do Grande Museu Egípcio é o muro de pedra translúcido, feito de calcita, preenchendo a fachada frontal do edifício.

Vista aérea do Grande Museu, as grandes pirâmides ao fundo

O novo museu está desenhado com a tecnologia mais avançada, incluindo a utilização de realidade virtual. O museu também será um centro internacional de comunicação entre outros museus, para que dessa maneira possa existir um contato direto com outros museus, sejam eles do mesmo local ou até mesmo internacionais.

O Grande Museu Egípcio também incluíra um museu feito para o público infantil, além de um centro de formação.


Veja o desfile em vídeo (melhores momentos):

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