Desvelando o VÔO DA SERPENTE EMPLUMADA (parte 15)

LIVRO III
Neste Livro, Judas faz uma profunda retrospectiva dos tempos em que viveu ao lado de Jesus Cristo, como seu discípulo, após deixar o rabino que antes o guiava, o velho Nicodemos. E é justamente a conversa entre Nicodemos e Jesus acerca do Segundo Nascimento (João 3) o pano de fundo de todo o Livro III, que tenta mostrar, mais uma vez, os caminhos da geração do homem de linhagem Maya.
Porque Judas testemunha a favor de Nicodemos, dizendo que este fariseu era sincero e puro de coração, e de como o Rabi da Galiléia despertou nele o sangue de sua linhagem maya…

E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.
Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?
Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.
Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.
O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso?
Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto?
Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho.
Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?
Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu.
E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado;
Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.
Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.

Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.
Depois disto foi Jesus com os seus discípulos para a terra da Judéia; e estava ali com eles e batizava.”
João 3:1-22


Capítulo I
“E Pensava (Nicodemos) neste espírito que é a chama que pela luz ilumina o santo beijo da princesa Sac-Nicté, e seu coração dizia, quando pensava nela, porque ele também queria ser ânfora viva para servir a ELA: ‘Prova-me que teus lábios não foram feitos para serem beijados e eu te provarei que as trevas são luz” JK


Essa passagem lembra muito uma antiga oração a Isis, atribuída aos gnósticos antigos:

Ó Ísis! Mãe do Cosmo, raiz do amor, tronco, capulho, folha, flor e semente de tudo o que existe.
A ti força da natureza conjuramos.
Chamamos a Rainha do Espaço e da Noite… e beijando seus olhos amorosos, bebendo o orvalho de seus lábios, respirando o doce aroma de seu corpo, nós exclamamos:
Ó, Nuit!
Tu, eterna deidade do céu, que és a Alma Primordial, que és o que já foi e o que será. Ísis, a quem nenhum mortal levantou o véu. Quando tu estiveres sob as estrelas irradiantes do noturno e profundo céu do deserto, com pureza de coração e na chama da serpente, te chamamos:
RAM-IO… RAM-IO… RAM-IO…


O Beijo da Princesa Sac-Nicté sobre o Velho Nicodemus, que aspirava pelo segundo nascimento, nada tem, portanto, de carnal ou sexual em seu ritualismo, estritamente aplicado a uma cosmologia espiritual de amor de devoção à Deus estampado na Face do Eterno Feminino, aquela Face capaz de nos conduzir ao Cristo vivo e interior que jaz no nosso ser como Criança eterna, pelos caminhos do conhecimento que, ao levantar o Véu de Ísis, o discípulo merecedor de tamanha dádiva para a incorporar em seus caminhos e trabalhos! É um amor de alma, de devoção! Porque, como dito antes, não há segundo nascimento sem um novo útero materno.

“Porque também Nicodemos buscou a água, a água viva que havia na vasilha do Santo Senhor Jesus, pois também havia entendido que a esteira na qual jazia, abarcava um vasto reino, dentro e fora deste mundo. E que somente bebendo essa água viva poderia entender o mistério das sente gerações, evitar o juízo com sete palmos de terra encharcada, morrer e renascer. Para entender e conhecer o homem e para vivificar o Homem Verdadeiro, Príncipe dos céus e herdeiro da Terra, é preciso primeiro entender o mistério das sete gerações, evitar o juízo com sete palmos de terra encharcada, morrer e renascer” JK

Neste livro terceiro e último, Judas recapitula as lições do livro anterior e analisa os evangelhos sob a ótica da cosmologia espiritual do Mayab, especialmente o tema segundo nascimento, conforme o livro de João 3.
Jesus, vasilha da água viva, água que significa o poder do Espírito Santo ativo e presente em sua alma não mais mortal… estimulando o levante do Espírito Santo em outras ânforas por ele tocadas… Beber a água viva é ingerir o poder do Espírito Santo dentro e fora, o que só é possível por meio da morte e do renascimento! Conhecerá a cosmologia das sete gerações saídas do Pai, o Senhor Elevado e Oculto, e poderá, com este novo conhecimento, ascender pelas mesmas gerações de três em três, conforme a marcha matemática e harmônica das próprias dimensões articuladas dentro da nossa estrutura espiritual ressonante!

‘É a Palavra que junta as 24 folhas negras com as 24 folhas amarelas na Árvore da Vida, e que faz o balché, e fia o fio com que se tece as vestimentas para as santas bodas do Céu.” JK
Judas evoca os mesmos ensinamentos do Livro II.

A nossa geração humana mortal é qualificada por 48 leis (Gurdjeff, Oupensky e o novo conhecimento que vem do Oriente, a sabedoria gnóstica verdadeira – esqueça SAMAEL AUN WEOR, que deturpou tudo com sua sexologia, ciência de demônios).
Combinar 24 ramas negras com 24 ramas amarelas é trabalhar com a morte do impuro e ao mesmo tempo, com a reativação das bases puras do ser encarnado.
Balché, a bebida maia, é analogia com o vinho da Eucaristia, através do qual tomamos parte da Árvore da Vida, porque toda vida é vida partilhada, e no caso dos deuses, toda vida é vida conscientemente partilhada pela energia do amor.

A referência aos trajes das Bodas vem do capítulo 2 de João e o primeiro milagre notificado de Cristo, a transformação da água pura em vinho, o que significa a conversão da nossa alma mortal desconectada da Grande vida em alma imortal conectada à Grande Vida.
A cena das BODAS nos remete diretamente ao capítulo 21 do Apocalipse, as Bodas do Cordeiro (Cristo) com sua Igreja resgatada e redimida da Terra (A Igreja ocuta de João, na qual só entram os transformados humanos da renascida linhagem maya – anjos).
A Árvore da Vida, apresentada por Judas em analogia à Árvore de Balché, só pode ser bem compreendida no estudo do capítulo 15 de João:

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador.
Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado.
Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim.
Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem.
Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.
Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos.

Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor”.
João 15: 1-9


O Cristo Vivo, Entidade cósmica, Filho de Deus, o Verbo, chamado Segunda Pessoa, é a força que habitou em Jesus humano e o transformou no maior canal do Poder do Pai em nosso mundo desde quando existiu mundo.
Essa entidade, Segunda Pessoa, é a Árvore da Vida, com sete gerações (móveis) possíveis. e somente na força do Amor e na obediência às leis do Pai é que qualquer vida poderá renascer e tomar parte da Vida coletiva também chamada ELOHIM.
Essa é a grande chave da Imortalidade e do porque Jesus e o Cristo vivo Nele dizer:
Ninguém Vai ao Pai a não ser por Mim!

“Assim, pois, que o sucede um Gigante da Pequena Cozumil, cuja geração é uma árvore de tantas ramas como oito vezes três (24), tem o poder, o amor e o saber de todos os planetas. Por isso são os Senhores da Terra, mas não são deuses. Porque a sua geração é somente o começo da regeneração, e é ainda de Baixo para Cima para fazer a do Meio, e o seu alimento é o alimento do Sol. E juntará doze ramas de folhas negras com doze ramas de folhas amarelas e então, para ele, a Árvore da Vida será de quatro vezes três. E sucederá o Pauah com o tempo e o alimento do Sol. Haverá estendido em si as asas do sagrado kukulkan, a Serpente Emplumada que o homem há de levantar no deserto, golpeando assim a pedra na escuridão e acalmando a sua sede com a água do Cenote Sagrado. Assim terá ele a potestade de Tzicbentan, palavra que é necessário obedecer, pois é a palavra de AHAU*, o que governa todas as gerações do Grande Descendente, desde o Katun onde tudo começa a andar em três.” JK

Aqui, Judas retoma a cosmologia espiritual do capítulo 6, livro 2 (2.6), relacionando dimensões e gerações conforme o número da tábua da Criação estabelecido por Oupensky.
A sétima geração é a geração perdida, geração das infradimensões e almas do Umbral, regidas pelo número de 96 leis. A sexta geração é a geração humana normal e mortal, de 48 leis e que tem condições de começar o trabalho a partir da morte (negro) e amarelo (bases vitais renovadas).
Os Senhores da Terra, que salta à Quinta Geração, são os Iniciados, como eram os apóstolos, gigantes da Ilha Cozumil, mas ainda não são imortais, como os deuses. A Quinta Geração é a de número dimensional 24. É o começo da regeneração.
Eles comem alimento do Sol, isto é, já possuem veículos da alma, porque já passaram pelo segundo nascimento, encarnando alma, mas ainda não subiram ao plano da plenitude do Espírito Santo, na geração seguinte, Quarta Geração, de número dimensional 12, e que se torna da geração dos Pauahs, regenerada profundamente pelo Espírito Santo, e levantando a serpente no deserto, golpeando a pedra na escuridão (a pedra, a base do novo templo, reedificação do Espírito Santo). O Cenote Sagrado, como fonte de água subterrânea, era parte importante da ritualística dos maias, e aqui representa as fontes da água viva, que a Bíblia associa ao Espírito Santo. Essa geração é o renascimento pelo Espírito Santo.

O Ser da Terceira Geração, número dimensiona seis, já é mais alto ainda, se relaciona com o renascimento no Cristo Vivo, e o ser da Segunda Geração, número dimensional três, este se torna o mais elevado do Universo, Hierarquias em União com o Pai, e este “Pai” ou divindade suprema, seria a Primeira Geração, número dimensional 1 (A Unidade Primordial). Mônada conectada ao Absoluto (0).
Ele traz a Palavra de AHAU, que é a primeira manifestação de Deus na Criação.
*O texto escreveu Ahua, mas o correto é AHAU, o selo maia número 20, o último do Calendário.

O de Baixo (Infradimensões-micro), o de Cima (Supradimensões-macro), o do Meio (plano físico, reino humano). E o termo “Tzicbenthan” (Palavra que se deve obedecer) é o que chamamos leis e mandamentos do Criador, e cada tempo (Katun) e dimensão tem suas próprias leis, para cada nível de consciência e existência no Universo SETENÁRIO.
No final deste capítulo, Judas associa esse termo aos mandamentos que Moisés recebeu de Deus, em seu Katun de luz.
“Assim como há sete tempos, sete medidas, e em cada uma há novamente sete.
Cada pequeno Descendente é parecido ao Grande Descendente.
Pequeno Descendente é o homem, e está na sexta geração, e leva em si medidas para medir os tempos da quinta, da quarta e ainda da terceira geração se, da pura água do Cenote Sagrado, faz seu vinho de Balché, se, quando come de sua plantação, come também a palavra do Grande Gerador, que disse: Eu Sou. Eu Sou Deus.
Como era em Yucalpeten, muito tempo antes da chegada dos Dzules.” JK

SETE é a grande medida estrutural do Universo. A começar pelos sete tempos (Dias) da Criação.
Tudo tem, nesta analogia, sete tempos. A nossa semana herdou sete dias em função disso.
Sete gerações são espelho dessa medida estrutural do Universo regido pelo Sete.
O TRÊS CRIA, O SETE ESTRUTURA, e o DEZ faz girar!
O Homem tem medidas de gerações ascendentes até o nível do Filho (nutrido pela fonte do Espírito Santo – cenote – em todas as suas transmutações desde a base, mortes e renascimentos, a lei do arcao 13, transformação. Comer o Sol, comer a Luz, comer a Palavra de Deus, são expressões que podem ser literais e metafóricas. A alma ingere sabedoria, enquanto o corpo se nutre de luz.

Quanto aos Dzules de Yucalpeten, o glossário do manuscrito esclarece que Dzules significa SENHORES, aqueles que os maias interpretaram erradamente nos primeiros colonizadores como sendo os Senhores de Vênus que retornaram do passado… conforme sua promessa desde os primeiros contatos com a América pré-colombiana.
E sobre o termo Yucalpetén, vide comentários sobre a nota final do Livro I, capitulo XV.
Neste capítulo 1 do Livro III, mais uma vez encontramos uma associação entre Sac-Nicté, Mãe divina, com a sabedoria e a força do conhecimento que envolve o discípulo preparado para ele, conduzindo-o nas provas da Iniciação que o tornam renascido no Ventre da Deusa.
Judas relata que a voz da Princesa se perdera no tempo dos sacerdotes e fariseus de Israel, sem sabedoria em seus corações, à exceção, então, de Nicodemos.
Judas relaciona o GRANDE SOL (Absoluto) que ilumina a todos os mundos e dá vida a todos os sóis, retomando os fundamentos da cosmologia de Oupensky.
Os poucos gigantes de Israel, no tempo de Jesus e Nicodemos, eram os apóstolos.
“Como AGORA EM MAYAPAN” JK

Mayapan ou Mayapán é um sítio arqueológico pré-colombiano maia, localizado no estado mexicano de Yucatan, a cerca de 40 km para sudeste de Mérida e 100 km para oeste de Chichén Itzá. Mayapan foi a capital política dos maias na península do Yucatã desde finais da década de 1220 até à década de 1440. Mayapan significa “Padrão do povo maia”.
Judas não fala literalmente de Mayapan, “gigantes de Israel como agora em Mayapan”, já que é uma cidade vazia e não é das mais importantes do circuito dos sitios arqueológicos maias. A referência, contudo, a “padrão do povo maia” é a que faz mais sentido aqui.
Nicodemos era um destes homens. Ele não comeu apenas a letra morta de Tzicbenthan, a Palavra de obediência dos mandamentos e estatutos que Moisés deixou aos judeus desde o katun do Êxodo.
Nicodemos procurava pela palavra viva nos escritos de Moisés. E aspirava por mais, diferentemente dos outros fariseus das sinagogas.

O Alimento do Sol e do Grande Sol fazem referência à vida e energia consciente que está nos ensinamentos sagrados. Como se diz: O Espírito Santo acompanha a Palavra que ele semeia!

Beijar os lábios da Princesa significa receber da Mãe Divina a fonte do Espírito Santo, que com Ela trabalha na intenção do Nascimento do Cristo interior. O Espírito Santo da parte do Pai fecundando a Virgem Maria significa que esta Palavra do Sol tem poder para uma nova geração a partir da regeneração, porque eles, os filhos de Deus, não nasceram do sangue, nem da carne e nem do desejo sexual do homem, mas da Palavra de Deus, e isso está mais do que claro!

Os lábios da Mãe divina são feitos de Luz, como Ísis, como Tara, como Sofia, como Minerva, como a Grã-Sacerdotisa do arcano II do TARO. A luz que Judas anuncia ter vindo novamente do Oriente… e me parece assombrosamente que JUDAS PREVIU as descobertas em Nag Hammadi, já que sua ação na Argentina me parece localizada entre 1944 e 1945, antes do anúncio do tesouro da sabedoria gnóstica descoberto no Alto Egito!

Continua na parte 16

Segue o Livro para leitura

https://ovoodaserpenteemplumada.com/arquivos/o-voo-da-serpente-emplumada-para-leitura-03-04-2010.pdf

JP em 15.04.2020
Veja a parte anterior:

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