Corrida do Meteorito: Queda de meteoritos no nordeste movimenta mercado milionário

Fragmentos encontrados vêm de asteroides que colidem com atmosfera. Uso comercial de rochas não é regulado por lei.

Primeiro, um rasgo de luz no céu como um cometa. Aí, de repente, caem rochas por tanto canto a ponto de encher a cidade de pedras. A maioria é pequena, mas algumas são grandes, do tamanho de um recém-nascido. A maior encontrada até agora pesa 38 quilos. Parece cena de filme, mas foi assim a queda de meteoritos em Santa Filomena, no Sertão do Araripe, município de 6.906 habitantes a 710 km do Recife.

A “chuva” propriamente dita foi registrada no dia 19 de agosto. Os fragmentos caíram muito rápido no solo. Segundo relatos, alguns atravessaram telhados e copas de árvore, mas ninguém se feriu. Esse foi o terceiro fenômeno desse tipo na região em pouco mais de um mês. O primeiro ocorreu em 16 de julho. O segundo, em 14 de agosto.
 
“É raro acontecer assim em lugares tão próximos e em tão pouco tempo, mas é coincidência”, diz o diretor técnico da Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (Bramon), Marcelo Zurita. Para ele, o caso de Santa Filomena chamou mais atenção por atingir uma área urbana. “Por exemplo, o de julho foi bem grande, mas a provável área de dispersão dele foi na zona rural, com menos gente”.

Os fragmentos vêm de asteroides que transitam no espaço e acabam colidindo com a atmosfera terrestre. “A atmosfera da Terra funciona como um escudo. A resistência do ar vai aquecendo o ar em volta e as pedras, desintegrando completamente essas rochas espaciais que atingem a Terra com frequência”, explica Zurita. Segundo Adalberto Tavares da Silva, técnico do Laboratório de Astronomia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), esses minerais são de valor inestimável para a ciência. “É através da coletiva e da análise que nós compreendemos o material que formou o Sistema Solar. E é importante também para entender o futuro e fazer algum tipo de previsão de onde ele pode cair”, afirma.

Por isso, desde que os relatos sobre a chuva de meteorito ganharam o mundo, pesquisadores e “caçadores de metais” passaram a circular pela cidade pouco acostumada a grandes movimentações. Enquanto alguns moradores doam pedras a estudiosos, outros guardam para vender. O prefeito de Santa Filomena, Cleomatson Vasconcelos, diz que o uso comercial de pedras de meteorito não é regulamentado por lei. 

“Algumas pessoas chegaram alguns dias depois do fato oferecendo dinheiro de uma forma aleatória. Criou-se até uma ‘corrida do ouro’”, descreve. “Somos um município pacato, que vive da agricultura familiar, então não tenho orçamento para fazer um investimento [em recolher os fragmentos]. Procuramos o Ministério de Ciência e Tecnologia, a Secretaria de Ciência e Tecnologia e pesquisadores que possam ajudar o município”.

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