ABBA Pai!

Jesus Cristo nos ensina a orar e falar diretamente com o Pai, mesmo sem a necessidade de intercessores ou interlocutores entre Deus e nós, e se os intercessores existem, e o próprio Jesus Cristo se colocou como o mais alto intercessor da humanidade perante Deus, ele mesmo declara, em Mateus 6, que a forma correta de contato com o Pai é em segredo, em nosso próprio aposento – o que, de cara, invalida a necessidade de correr para igrejas ou templos, ou mesmo tomar parte de grupos para se entrar em comunhão com Deus, que sempre acontece preferencialmente na solidão de um coração recluso e despido diante do Criador.

Já sabemos que Deus é Pai, e não padrasto.

E se em algumas passagens bíblicas Ele se mostra tão rigoroso, é porque realmente a humanidade de antigamente (como de agora) era terrível, cínica, debochada e violentamente pecaminosa.
Deus ama seus filhos, mas não pode amar o pecado dos seus filhos.

Deus perdoa os seus filhos, mas não pode evitar as medidas de reparação do pecado dos seus filhos, porque não há outra forma de se ensinar o que é certo, o que é verdadeiro, puro, limpo e justo, senão que fazendo cada um colher os efeitos dos atos plantados.

Quem é pai e mãe sabe que, se perdoar todos os erros dos seus filhos, dizendo SIM para todos os seus erros, fechando os olhos para suas transgressões, e se nunca aplicar medidas corretivas, castigos, limitações, restrições, deveres, disciplina, consequências, e tudo isso diante das ações erradas e persistentes de seus filhos, estará criando delinquentes, e não pessoas decentes para a sociedade.

Cada medida de Deus, por mais dolorosa que seja, tem uma carga de Amor que cura, e só o tempo e a maturidade espiritual revelarão seu propósito. O mal da humanidade é julgar que só o prazer é bom, tomando toda dor como algo maligno – sendo que o excesso de prazer é o mal real, porque o que conforta a carne, enfraquece o Espírito…

Nenhuma dor é má se necessária, e nenhuma dor será despropositada se for para remover uma alma do caminho da perdição.
O que é pior? Sofrer algo no corpo e despertar pelo choque, ou cair em maldição e fazer a alma despencar no abismo por causa de um estado letárgico de adormecimento que nada e ninguém detiveram?

Não sejamos levianos e nem nos portemos como crianças birrentas e mimadas diante do Criador, condenando-o só porque Ele não age da forma que queremos, e não nos concede de imediato todos os quereres do nosso ego, que são muitos!

“Pai, cumpra a Tua Vontade, e não a minha!”

Julgar que Deus é mal só porque Ele se recusa a tomar parte de nossas bestialidades, ou porque Sua Justiça precise agir severamente em alguns casos, mesmo após inúmeros avisos e alertas, é a coisa mais covarde que pode haver no ego humano, essa eterna vitima que nunca consegue ver os próprios erros, cercando-se daquele muro de culpados e autopiedade vergonhosa.

Pois bem, o que eu quero dizer é que esse Ser Supremo, que se nomeou por IHVH-ALHIM no Velho Testamento (Senhor Deus), e que era chamado pelos antigos judeus por ADONAI (Meu Senhor), foi transformado por Jesus Cristo em ABBA, o nosso Pai.

Não que Ele não fosse nosso Pai no tempo de Moisés, Abrahão ou Salomão.
Ele sempre foi o nosso Pai. Porém, a forma de abordagem da humanidade é que era diferente.

Jesus trouxe mais para perto de nós esse Ser Supremo, YHWH-Adonai, Ser de Justiça e de Sabedoria, se colocando diante dele como um filho, o que o converteu num Pai amoroso e compassivo.
Abba, em aramaico, é Pai.

E isso foi o que mais escandalizou os judeus do tempo de Cristo, que nunca se dirigiam a Deus como um Pai, mas sim, como uma realeza muito elevada, dotada de grande poder e autoridade.

Os judeus, especialmente os fariseus e doutores da Lei do templo, não suportavam ver e ouvir tamanha intimidade manifestada por Jesus em relação a Deus, o seu Pai. Como é possível que Ele se dirija ao Senhor-Adonai dos Exércitos dessa forma? Com tanta intimidade e proximidade?

E o crucificaram por ódio, e talvez, por inveja…

O que Cristo nos ensinou é que não devemos nos reportar a Deus como uma Entidade distante, tão distante, que mal pode conhecer que existimos! Ora, diz o Senhor: Se Eu sou um Deus de longe, porventura não serei um Deus de perto?

Então, através de Jesus, conhecemos e ficamos sabendo que não devemos nos dirigir a Deus como súditos se dirigem a um Rei, mas sim, como filhos se dirigem a um Pai, filhos legítimos e por Ele muito amados, sendo desnecessárias todas as fórmulas mágicas e místicas, todo o ritualismo, e todos os títulos de apresentação, tal como os humanos (e não Deus) tanto apreciam, como Vossa Majestade, Vossa Excelência, Vossa Eminência, e todo o resto!

Porque Deus não tem ego para ser alisado com toda essa bajulação inútil.
Deus tem sim, um grande coração que deseja ser tocado pelo amor dos seus filhos.

O maior mérito de Cristo foi o de transformar o temido e justo YHWH-Adonai no amoroso, próximo e acessível ABBA-Pai, nos colocando na condição de filhos perante Ele, e não mais súditos, e muito menos, escravos, como os ignorantes da letra morta tentam fazer parecer.

Curiosidade:
Em vários idiomas, a expressão PATAR se repete para definir PAI:
Father (inglês), Pater (latim), Far (dinamarquês), Vader (holandês), etc.
Em vários outros, a expressão ganha um segundo P, em vez de T ou D:
Papa! Papa é Pai.
Pois bem, o próprio nome de Pedro, o primeiro dos apóstolos, veio de Patar, relacionado a Pedra, e também a Pai.
O nome do pai dos deuses, segundo os romanos, é Júpiter, nome que vem de IO-PITAR, ou Pai IO, IHVH.
Inclusive, o pai dos deuses na mitologia egípcia era o deus PTAH.

E sabe o que significa PTAH em hebraico?
Chave.

Ou seja, a forma correta de se abordar a Deus, como filho diante de um Pai, filho que manifesta respeito e obediência ao seu Genitor Eterno, é a chave real do sucesso em todas as coisas na vida, e a chave real que destranca todas as portas que separa a criatura caída e perdida do seu Criador, quando então este a levantará outra vez, lhe dando tudo o que um Pai pode dar a um filho, desde que ele seja obediente, reto e perfeito em seus caminhos.

E também, aprenda a pedir!

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.
Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.
E qual dentre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra?
E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente?
Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?
Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas”
Mateus 7:7-12

Mas nunca nos esquecendo que é DANDO que se recebe!

JP em 19.10.2020

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