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A sublime indiferença

Vivemos num mundo muito complicado, onde tudo ofende as pessoas. Por qualquer migalha, o ego humano tem promovido verdadeiras guerras sangrentas contra o seu semelhante, só porque ele pensa diferente.

Conhecida como a Era do MiMiMi, estamos sendo proibidos de manifestar nossa opinião e, cada vez mais, sendo obrigados a pensar como cardume, na direção das ideologias de massa, não mais do pensamento livre, tudo na linha da imposição e não do esclarecimento.

Então, quando alguma coisa não me agrada e eu não concordo com ela, eu não a respeito e nem a desrespeito.

Se eu não a respeito, é porque não concordo com ela.

Se eu não a desrespeito, é porque todos têm o direito de pensar e agir como quiserem, independente da minha opinião pessoal.

Assim como eles têm o seu direito, eu tenho o meu, e o acordado fica que nenhuma das partes se desrespeite.

Mas ninguém me disse que eu não posso ignorar o que não me diz respeito. Assim, eu apenas excluo tal ou qual coisa da minha vida, que passa a não existir mais para mim.

O sábio Buda chamava isso de sublime indiferença, e ele mesmo a exercia amplamente diante dos seus acusadores, detratores e até demônios tentadores (Mara, o desejo).

Enfim, a sublime indiferença é um desdobramento direto do famoso caminho do meio, uma vez que, se você reagir contra todas as coisas que não concorda o tempo todo, irá somente gastar muita energia vital e consumir preciosos pensamentos com o que realmente não vale a pena e nada acrescenta ao seu currículo espiritual, pior, podendo fazer com que você retroceda em seu caminho trilhado até aqui.

Essa é uma técnica valiosa, eu diria, uma chave de ouro para a sobrevivência física e a manutenção da sanidade mental nos tempos obscuros atuais.

Fica a dica. Se uma coisa não lhe agrada, apenas ignore.
Não a desrespeite, porque todos têm o direito de ser como são. E que cada um responda pelos seus atos perante o Criador de todos.

Porque tudo também pode estar sendo usado lá fora como uma armadilha para prender você a coisas inúteis, desviando-o do seu foco espiritual.

Porque não há outro foco nessa vida.

Na Era do vitimismo social, faça como o profeta Elias, e entre na caverna da oração e da meditação, enquanto lá fora rugia o fogo, o vento e o terremoto, mas DEUS não estava em nenhum deles, apenas no coração do profeta.

Porque é no seu coração que você ouvirá a voz do Criador da humanidade, quando já não importará nem um pouco o que pense ou deixe de pensar essa mesma humanidade caminhando no escuro.

Ilumine o seu caminho através da sublime indiferença e evite polêmicas e multidões. São, todas elas, armadilhas tentando agarrar seus pés na estrada e impedir a sua caminhada na direção do despertar da consciência, que sempre foi um exercício individual.

Multidões dormem, e para despertar, é preciso se desligar delas e do que pensam, sentem e fazem.

A metáfora do isolamento do homem de Deus no deserto não tem outra melhor definição do que esta.

JP em 25.06.2023

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