A Sinfonia Bíblica em Três Movimentos

O que os seguidores da letra morta têm dificuldade em compreender é que todo o Velho Testamento, desde a queda de Adão, e a geração de Abrahão, e as leis de Moisés, e o domínio dos grandes reis até o magistério dos profetas de Israel, tudo isso foi uma preparação nos caminhos de Israel, para que o Senhor Deus encontrasse, tanto no cenário histórico como na mente daquele povo, o momento certo para realizar a grande, a maior de todas as alianças com o povo de Israel, a ser estendida depois com a humanidade inteira: a encarnação do Verbo chamado Jesus Cristo, aliança que superou todas as anteriores, por sua grandeza e seu valor real e absoluto de Redenção.

O mesmo Jesus faz uma releitura de todos os profetas e patriarcas hebreus do passado, desde Noé, desde Abrahão, desde Moisés, os grandes reis, Davi, Salomão, e os profetas. E declara: “Eu não vim negar os profetas ou as leis: eu vim para cumprí-los!”

É como se todas as outras alianças e contratos anteriores fossem simplesmente situações efêmeras preparando o mundo para este momento, quando a mais sagrada de todas as alianças foi consumada na noite das noites que hoje o mundo celebra no Natal, data ajustada pela Igreja católica para paganizar os modelos da cultura judaica, tornando-a mais acessível e compreensível aos outros povos além dos limites de Israel.

Quando Jesus nasceu, o Velho Testamento, na forma de um contrato entre Deus e Israel, foi finalmente cumprido.
E a partir do momento em que a nação de Israel induziu o braço de Roma a assassinar o Filho de Deus, a Menina dos Olhos de Deus, que é seu Filho, foi furada na cruz por Israel até morrer. Logicamente que a aliança com Israel e aquela coisa de NAÇÃO ELEITA foi cancelada imediatamente, porque, se pecados menores no passado cancelaram todas as alianças, imagine o deicídio?

Como qualquer contrato que é invalidado quando uma das partes trai o acordo. E o mais significativo nisto tudo, todos os profetas do VT falaram da traição de Israel, e que quando Deus a restaurasse, não seria mais a velha Israel no sentido nação e etnia. Seria a Nova Israel, no sentido de união fraterna de todos os povos que se congregassem em torno da Verdade Cristo!

A traição de Israel anulou todas as promessas de Deus para com a ex-nação eleita, e de virgem nação, se tornou uma nação prostituída aos reis da Terra e aos interesses dos poderosos, e a Nova Ordem Mundial é uma triste realidade que, à sombra de dois mil anos de exílio e histórias paralelas e acordos ocultos, marcam profundamente as direções do capitalismo e das políticas de domínio global.

Em dois mil anos, é como se os judeus recebessem um selo de Caim na testa, e isso explica tanto sofrimento e perseguição no tempo do exílio, registrado pela história desse povo até que, em 1948, por manobras políticas da ONU, pudessem voltar para a sua terra, debaixo de muitas guerras e oposição do mundo islâmico, que duram até os nossos dias.

Caim, o primeiro homicida, sofreu destino semelhante, recebendo uma marca na testa e sendo banido das nações, e a maldição acompanhou o seu crime.
E se assim foi com aquele que matou seu irmão, imagine como seria com a nação que matou Deus?
(…)
Ao mesmo tempo em que Israel traiu a maior de todas as alianças entre Deus e a humanidade, Jesus lançava a Nova Aliança, aquela que imediatamente revogou as velhas alianças do Velho Testamento, como a circuncisão. O Novo Testamento é a nova constituição ou conjunto de leis que formam a Nova Aliança de Deus com o mundo, e ela não tem mais nenhuma relevância diante de Israel e sua perdida eleição
(ex nação eleita).

Essa Nova Aliança foi celebrada com o sangue do Redentor, partilhado com doze apóstolos, o fundamento da Nova Igreja, da Nova Jerusalém, que não é a Jerusalém urbana, mas aquela que desce do céu (Meu Reino não é deste mundo…) e essa nova aliança não foi limitada a judeus, muito pelo contrário, judeus foram os primeiros a quebrá-la, e mesmo que o núcleo apostólico fosse de homens e mulheres judeus/judias, essa aliança pedia o mundo inteiro, como o próprio Jesus Cristo determina, lacrando as palavras do Evangelho:

“Pregai este evangelho em todo o mundo e fazei discípulos em todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo…”

A sentença diz tudo. Discípulos em todo mundo. Não somente israelenses. E batizar as almas em nome da Santíssima Trindade ou Deus em três pessoas, que o Judaísmo toma como blasfema. Um judeu ou seguidor do Judaísmo jamais se deixaria batizar em Nome de três deuses, a partir do momento em que, até os nossos dias, repelem Jesus Cristo e não o tem como Messias e redentor da humanidade…

Portanto, a Nova Aliança celebrada por Jesus Cristo pelo seu próprio sangue, determina que toda alma que comungasse de sua Verdade, poderia ser incluída nessa aliança, nesse resgate, nesse Segundo Nascimento, quando o homem mortal e caído, filho de Adão, se tornaria a semelhança do filho de Deus, imortal e puro, como Jesus Cristo, sendo essa a dádiva maior da Nova Aliança.

Sendo essa nova aliança estendida a todos os povos da Terra, a nação eleita deixou de ser aquela Israel do Oriente Médio, nação traidora, capitalista e belicista, para se tornar uma nação espiritual, formada pela grande família cristã reunida dos quatro cantos do mundo, almas batizadas pelas águas do Espírito Santo (pureza, castidade) e transformadas pelo sangue do Cordeiro em filhos de Deus.

Tanto o profeta João Batista como o apóstolo João evangelista criticaram duramente a maldade e a rebeldia dos judeus daquele tempo, e o próprio Jesus apontou a sua hipocrisia, todas as vezes em que os judeus usavam a prerrogativa de sempre “somos nação eleita de Deus”, quando lhes dizia que
“… o próprio Moisés, em quem eles tinham confiança, é quem lhes acusaria no Tribunal de Deus”.

Assim sendo, a Aliança de Jesus Cristo substituiu plenamente a velha aliança de Abrahão, de modo que os filhos de Deus não seriam mais os judeus, e sim, todas as nações, e todos os homens que se deixassem transformar pelo Nome acima de todo nome, e pelo sangue derramado na cruz.

Os profetas da velha Israel foram tão precisos que sabiam que Israel seria duramente punida por seus crimes, e só depois de muito sofrimento, seria transformada e redimida, não na forma da atual nação que até hoje repele o nome de Jesus Cristo, porque a SION de Deus não é deste mundo. Nem a sua Nova Jerusalém, que desce dos céus para o mundo.

E como pode algum crente apoiar a nação traidora, materialista, capitalista e tão belicista, e principalmente, tão determinada na sua rejeição a Jesus Cristo ao mesmo tempo em que segue firme dentro dos preparativos para a coroação do “Novo Messias”?
Que tipo de Messias é este que lhe chega, sabendo que não é um Messias da parte de Deus, e sim, um Messias da parte do seu juízo e consequência de ações ao longo do tempo onde não se verificou Arrependimento?

Somente os crentes que se guiam pela letra morta e pelo entendimento rebelde, não se fazem iluminados pela inspiração do Espírito Santo, e seguem então interpretando partes bíblicas ao pé da letra, ou letra morta, e ADAPTANDO interpretações na direção de suas crenças, por mais absurdas que pareçam, porque conflituam diretamente partes vitais dos evangelhos.

Como poderia o sangue do Redentor assinar a eleição divina sobre uma testa que se declara contra o Messias Jesus? Como poderia judaístas incorporar a família cristã dos 144 mil arrebatados?
Jesus não exclui judeus de sua promessa e nem negou-lhes o seu perdão. O problema é que a maioria dos judeus NÃO ACEITA JESUS CRISTO COMO REDENTOR E SALVADOR. E não se arrependem de suas decisões, apoiando todas as ações da velha Israel que se presume “nova” mas não é.

Como é possível que Jesus exerça seu perdão e salvação em tais condições?
Basta ler os apontamentos e críticas de João batista contra os judeus da época, para entendermos que pouca coisa mudou deste então.

A profecia-chave dos tempos está em Mateus 24, e ali, Jesus anuncia que, quando a Figueira (Israel) completasse 70 anos (uma geração), todas as coisas (Escatologia) por ele anunciadas, aconteceriam, e começariam a acontecer. E esta geração não passaria sem testemunhar o cumprimento de todas as palavras do Mestre, anunciadas há 2000 anos e bem resumidas naquele capítulo de Mateus.

Estamos falando da mesma figueira que, debaixo da abertura do Sexto Selo do Apocalipse, receberia um forte e imprevisto “vento” que derrubaria todos os seus figos ainda verdes (os projetos e planos de Israel, como por exemplo, o Templo e o Novo Messias) e o anúncio do sexto selo significa que realmente os frutos da nova Israel mundana serão “passageiros” (sete anos, o período limite segundo o profeta Daniel, a contar de 2018).

Isso porque faz dois mil anos que IHWH, o ABA declarado por Jesus, virou sua Face contra Israel, e tudo o que eles pretendem realizar agora, será à revelia de Sua Vontade, ou seja, suas ações não recebem mais a bênção de YHWH, já que a Voz de YHWH não está mais entre eles, como esteve no passado, dizendo que devem levantar um templo ou coroar um novo messias. A única voz que comanda Israel, neste exato momento, é a voz dos rabinos fundamentalistas, os mesmos que, seguindo a tradição dos fariseus, negam e rejeitam Jesus Cristo, e na própria declaração de um deles, eles preferem voltar para os campos de concentração nazista do que “mudarem sua forma de pensar…”

O Reino de Deus esteve entre eles, caminhou com eles, curou-lhes as feridas, expulsou-lhes os demônios, abriu as trevas com sua luz, mas Israel rejeitou tudo isso.
Então, quem rejeita Israel agora é o mesmo Deus que lhes enviou o Reino, há dois mil anos, e foi rejeitado…

Conclusão

Jesus Cristo é a plena realização do Velho Testamento.
E o Apocalipse é uma síntese de Velho e Novo Testamento fusionados em uma única visão profética, abarcando todos os tempos e nações na consumação do fim dos tempos anunciado, quando um grande período de transformação planetária acontece como prelúdio do Novo Reino.
Da mesma forma como os maias e outros povos de grande sabedoria anunciaram no passado… e não eram povos ligados a Israel, mas nem por isso, Deus lhes negou Luz.
(…)
Quem é a nação eleita?
Aquela que cumpre a Verdade Cristo.
Porque essa é a Vontade do Pai.
Quem é o filho de Deus?
Aquele que se transforma por assumir semelhança com Jesus Cristo, negando a si mesmo, carregando a sua cruz e seguindo-o… até a morte.

Portanto, a menos que o Judaísmo e todas as outras religiões que se fazem mortas se o Espírito da Vida não lhes vibrar a Palavra, a menos que elas se refaçam sob a luz da Verdade revelada por Jesus Cristo, o que é válido também para cristãos vivendo formas equivocadas de religião, fora da fé viva com obras, não haverá como tomarem parte da Grande e Nova Nação eleita, formada pelos tijolos da nova construção, resgatados dos quatro cantos do mundo.

Jesus Cristo declarou não uma nova religião, mas a Verdade que dá vida eterna e entendimento ao coração, e manifestou tudo isso em poder, ensino e obras.
E na qualidade de Verdade que dura para sempre, ela está ainda entre nós esperando uma decisão.
Porque ele não era apenas um profeta ou novo mestre.
Ele era e continua sendo Deus entre nós
Emmanuel!

Um olhar mais profundo além da letra morta sufocada pela crença cega, entendendo também que a Bíblia ou conjunto de livros, partindo das mesmas fontes que balizaram as escrituras sagradas de outros povos, com as quais a Bíblia apresenta muitas simetrias e semelhanças, nos revelará todo um plano completo e complexo de começo, meio e fim da raça humana atual, imediatamente endereçada ao seu recomeço.

Uma viagem literária que, sem o guia da Cabala, não pode ser realizada sem que o aventureiro se perca nas estradas da letra morta e da confusão intelectual nas quais nunca caminha o Espírito da Luz que escreveu cada letra, palavra e sentença usando por mãos os profetas e videntes que Ele mesmo elegeu e preparou para isso.

JP em 18.01.2019

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