A Pergunta da Esfinge

A cultura das Esfinges é tão antiga quanto a nossa civilização, e as esfinges egípcias derivam-se dos querubins sumerianos (Karibus) que eram seres híbridos, cuja função estava associada a guarda das entradas, entradas de templos e acessos a tesouros.

No Genesis 3, a primeira referência aos Querubins como guardiões do Éden e dos preciosos frutos da Árvore da Imortalidade, tem o mesmo sentido. Dragões e seres híbridos foram usados em praticamente todas as culturas do passado com essa função de guardiões de templos, de entradas, de dimensões e acessos a coisas de valor. A Esfinge egípcia é dupla, tem cabeça humana e corpo de leão, identificando a mesma relação de batalha interna, Hércules vencendo sem armas o Leão de Neméia. Ou Arcano 11 do Taro, chamado FORÇA, e que mostra um homem, ou uma mulher, segurando a boca de um Leão. Isso quer dizer basicamente que somente o humano que vence sua natureza animal instintiva terá acesso ao conhecimento. Por isso, se chama Força, e vale 11 (a soma dos signos Leão e Virgem no Zodíaco, 5+6, e que juntos formam a esfinge, metade humana, metade leonina. E não é alada.

Mas existem outras esfinges e Kerubins com quatro animais em sua composição, chamadas assim de Tetramorfos, e por exemplo, compondo os guardiões do Trono da Merkabah, conforme a descrição do profeta Ezequiel. Ela tem cabeça humana, asas de águia, corpo posterior de leão e corpo anterior de touro. Uma simbologia dos quatro elementos reunidos na imagem secreta do quinto elemento, que é o éter pelos antigos considerado o ponto de apoio do Universo em todas as suas transformações, movimentos e mistérios, algo repetido pela simbologia da cruz e pelas quatro letras do Nome secreto de Deus (YHWH).

A própria Psicanálise usou esse arco de conhecimentos para identificar os mesmos elementos existentes na nossa Psique Inconsciente, e por isso, toda pessoa que explora sua mente além dos níveis do consciente comum, por exemplo, estudando sonhos ou meditando, costuma ter visões dessas entidades dentro dela mesma, na forma de monstros míticos, de anjos, de mestres sábios, ou anciões, ou mesmo animais que lhe falam, lhe instruem e as vezes lhe testam em suas fraquezas, medo, paciência, perseverança, etc. Como se realmente dentro de nós houvesse um templo interior a ser explorado, buscado, e guardiões psíquicos ali situados, que antes de nos entregar o tesouro do autoconhecimento, nos testarão de diversas formas, tentando nos fazer ver não onde somos fortes somente, mas onde somos fracos e vulneráveis.

Uma maravilhosa ciência que aqui tem convergência entre as concepções mitológicas da imagem da Esfinge e as questões não respondidas da natureza humana, eterno enigma a nos perguntar:

“De onde eu vim? O que eu sou? para onde vou?”
Ou conforme as palavras da Esfinge a Édipo:
“Qual é o animal que tem quatro patas na infância, duas patas na maturidade e três patas na velhice?”
A resposta… não é somente O HOMEM. É mais do que isso.
Da resposta certa dependerá a abertura da passagem pela Esfinge Guardiã.

Esfinge, do grego
SPHINX, de SPHINGEIN, “segurar firme”.

Mito da Esfinge grega
Hera ou Ares mandaram a esfinge de sua casa na Etiópia (os gregos lembraram a origem estrangeira da esfinge) para Tebas e, em Édipo Rei de Sófocles, pergunta a todos que passam o quebra-cabeça mais famoso da história, conhecido como o “enigma da esfinge”, decifra-me ou devoro-te:
Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?
Ela estrangulava qualquer inábil a responder, daí a origem do nome esfinge, que deriva do grego sphingo, querendo dizer estrangular, apertar.

Curiosidade
Esfíncter é uma estrutura orgânica, geralmente um músculo de fibras circulares concêntricas dispostas em forma de anel, que controla o grau de amplitude de um determinado orifício (palavra com o mesmo sentido e origem de Esfinge).
Interessante associar isso ao fato de Esfinges terem a função de segurar, prender ou abrir entradas de templos e acessos ocultos.

“Qual é o animal que tem quatro patas na infância, duas patas na maturidade e três patas na velhice?”
A resposta… não é somente O HOMEM. É mais do que isso.
Da resposta certa dependerá a abertura da passagem pela Esfinge Guardiã.

A resposta é: A ALMA HUMANA, que nos primórdios da evolução, andou sobre quatro patas, isso é, foi um animal, e na maturidade presente anda sobre duas, é humano mortal, mas que, no futuro, na experiência da idade espiritual, vai andar sobre três, isto é, adquirir o cajado da iniciação e se tornar um Mestre.
A resposta comum é o bebê na infância, o homem comum na maturidade e o velho de bengala na velhice. Por isso eu disse que é mais do que isso.

A Esfinge abre a passagem dentro da própria alma e revela como o homem mortal de duas pernas, que já foi animal sobre quatro pernas, se torna um Iniciado portando o Cajado de Poder. Arcano IX, o Eremita. A Esfinge abre passagem para o ser imortal, daí era usada como guardiã dos túmulos dos faraós e templos destinados a Imortalidade e viagem dos deuses as estrelas.
Porque, para eles, o maior tesouro que a Esfinge guardava era a Imortalidade, exatamente como os querubins do Éden guardavam os frutos da Árvore da Vida…

Ps:a Esfinge é a própria chave do enigma alquimista. Porque o corpo leonino é solar, e a cabeça humana que fala é lunar. Unidas, formam o binário da androginia, o que, em termos de identidade divina, é o que concede a Imortalidade real (lembrando que o próprio Jesus falou da necessidade de levantar a serpente na vara, como Moisés, e nascer segunda vez…)

JP em 03.03.2020

Comentários
Compartilhar