A longa estrada da alma aprendiz

Evolução ou Ascensão?

A nossa alma imortal, chispa de Deus Criador, nasce pela primeira vez nas estâncias minerais dos mundos em evolução, e por elas vivificadas, para iniciar o seu aprendizado no contato com o primeiro aspecto do universo, o universo material bruto e o círculo das energias em contínua transformação (ciclos).

Os ciclos dos quatro elementos na base da Criação, é o começo de tudo, é a primeira percepção existencial da alma nas esferas criativas do Universo consciente.

A consciência do mundo mineral é a mais elementar possível: a consciência das sensações.
Na verdade, nossos cinco sentidos são herança desse patamar evolutivo, aprimorados em nossa estrutura nervosa.
Mas as sensações começaram no mundo mineral. Tato, olfato, paladar, visão e audição são as nossas percepções primárias do universo material e energético. É a base da formação da consciência experimental.

Depois de um tempo hábil nesse plano, a alma salta para a estância vegetal, o segundo andar da escala evolutiva dos mundos caracterizado pela natureza emocional.
A percepção emocional da alma começa, portanto, nas estâncias vegetais, enquanto o acervo das sensações de contato com a matéria e a energia brutas começa nas estâncias minerais.

No plano vegetal, as emoções de harmonia e beleza começam a brotar em cada árvore, arbusto, flor e fruto, e as invenções da Mãe natureza cobrindo o seu corpo nutridor com uma explosão de formas de vida que se preparam para saltar ao seu próximo nível, o terceiro andar, que reside na estância animal, quando a consciência em aprendizado entra em contato com os instintos, que são expressões vitais mais adaptadas à demanda da natureza rude em evolução (aquela questão da lei da sobrevivência).

Nesse ponto é que um tipo de energia mental inferior começa a se manifestar, a partir do desenvolvimento da consciência motora nas formas vivas dotadas de movimento voluntário, diferente das plantas, permanentemente fixas ao meio mineral em sua condição vegetal de crescimento.

Porque, alcançando o plano humano, a energia mental sobe uma oitava e se torna racional, capacitada a escolhas que podem inclusive modificar o ambiente externo imposto aos seres pela natureza, coisa que os animais, dependentes da natureza e dos comandos instintivos, não alcançam realizar, dentro do seu aprendizado muito limitado, e não podemos confundir condicionamento animal com inteligência racional de modo algum.

Quando a energia mental da alma em evolução se torna racional e auto-consciente, o que caracteriza um fenomenal salto evolutivo, por muitos cientistas investigado na questão do “Elo perdido”, ou a resposta que esclarece a origem da auto-consciência racional a partir da evolução animal num ser vivo que o distingue imediatamente da consciência instintiva não racionalizada dos animais.

O ser humano está no quarto andar do edifício evolutivo construído neste mundo e em outros também, contudo, até agora, todas as suas milenares experiências nos quatro círculos da existência inferior (mineral, vegetal, animal e humano) não lhes dotou da essência consciente do Amor, que nada tem a ver com emoções, instintos e sensações físicas ou mesmo intelecto (aprendizados dos círculos anteriores), mas que estes elementos são veículos da consciência que, agora, deste ponto para cima, precisa aprender a usar dentro do propósito do Amor.

Porque é exatamente a partir do amor consciente que ela abandona a roda mecânica evolutiva e começa a ascender na gravidade de Deus, transcendendo a própria evolução material involuntária das estâncias anteriores.

Porque, se até aqui, a evolução material involuntária só conseguiu, com o seu acervo de experiências, cristalizar o EGO no consciente/inconsciente da Alma aprendiz, somente o primeiro passo na direção do amor consciente e voluntário que transcende sensações, emoções, instintos e razões limitadas será capaz de mudar o status de sua experiência, saindo da evolução mecanicista involuntária para a ascensão consciente voluntária.

O Espiritismo de Kardec se baseou nas teorias darwinianas sobre evolução de sua época para construir teorias da evolução da alma sob parâmetros parecidos, e cometeu erros formidáveis nesse aspecto, porque existe uma gritante diferença entre evolução mecânica impelida pela natureza (agentes externos) e a ascensão consciente e voluntária, impelida por ideais da alma e decisões conscientes baseadas em livre escolha (agentes internos).

Kardec, nada criativo, tentou usar os mesmos argumentos da teoria da evolução de Darwin para SUPOR como seria o aprendizado da alma na matéria, e o resultado foi desastroso, por ser incompleto, superficial e muito errado em vários ítens. A comparação entre evolução biológica e evolução psíquica sugerida por Kardec e adeptos não verifica uma analogia linear entre as duas situações para que se pudesse construir toda uma doutrina e depois sair ileso da distorção evidente.

A teoria espírita da evolução é extremamente rasa, simplória e equivocada em diversos argumentos, portanto.
Fiquemos aqui com a doutrina da ascensão espiritual com base nas verdades da Teosofia, do Budismo tibetano, da mística egípcia, maia, cabalística, chave dos Anjos, teurgia dos 72 gênios, Bíblia oculta, evangelhos secretos, proibidos, apócrifos, etc etc etc.

Todos os vetores do EGO apontam na direção contrária do AMOR consciente, porque o ego é uma soma de impressões psíquicas baseadas nas memórias da alma em seus estágios de aprendizado no modo adormecido. Daí a exigência, neste ponto da encruzilhada da vida, da escolha entre o ser e o não-ser, o portar-se como animal ou portar-se como anjo (não havendo como portar-se como os dois ao mesmo tempo) e escolher entre o instinto e a doação, entre o EU e o outro, entre o ser e o ter, enfim, entre a verdade que liberta e a ilusão que acomoda na vida.

Daí a necessidade de muitos sacrifícios, desapegos, renúncias e transformações radicais, de dentro para fora, desintegrando mesmo o EGO e capitalizando toda a sua memória ancestral de experiências acumuladas no consciente e no inconsciente em prol de uma consciência cada vez mais sábia e alinhada com a Criação inteligente de Deus.

Diante desse novo homem, quando a própria condição humana é sublimada para a condição de Anjo, novas esferas de experiência se abrirão para si, experiências que, transcendendo e muito todo o conceito de sensações, emoções, instintos e racionalidade (os quatro elementos da natureza psíquica, terra, água, fogo e ar – nesta ordem) vão aprimorando o AMOR nascente lá no início da jornada, e desta vez, em NOVE (9) estações ou andares cósmicos regulados pelas Hierarquias espirituais em cada sefirote da Árvore da Vida… até que, do Anjo ao Serafim, o não-mais-humano Ser possa alcançar o estágio final completo de Filho de Deus auto-realizado (porque ainda somos fagulhas incipientes de Deus, filhos da geração animal, não da geração divina), conforme o modelo CRISTO da doutrina de Jesus e seus apóstolos, e o Espírito de Deus finalmente possa dizer:

“Eis aí Eu criei o homem a minha imagem e semelhança”,
para depois, ouvir o homem dizer:
“Eis aí eu me recriei à imagem e semelhança de Deus”!

Já não há sensações, já não há emoções, já não há instintos, já não há intelecto pensante a controlar este novo ser em suas ilusões ativas, porque já não existe o projetor das ilusões: o EGO. O EU, o primeiro EU, o Eu no centro, o EU acima de tudo… e seus argumentos que são antíteses do Amor. Já não há a lei do pecado controlando os membros e nem as viseiras da ignorância comandando a mente.

O que existe apenas é uma alma plena, que se fez Canal integral e ininterrupto do Amor Infinito, sábio, poderoso e provedor, e o amor divino lhe atravessa como um rio de águas puras, da fonte do coração do Criador, irrigando todos os campos de vida por onde esse Instrumento divino levantado em Terra passar.

Levantado em Terra, sua aura tocará o céu, sua Voz dará o tom das estrelas, e suas asas soprarão os ventos da prosperidade. Aquela alma criada como chispa ou semente agora alcançou sua estatura total para a qual foi criada.
O Ego humano, na verdade, está descaracterizando o homem cada vez mais, o ego humano e seus modismos, caprichos, taras e desejos insaciáveis estão desconstruindo a beleza da face humana que Deus imprimiu na alma em seu berço evolucionário, face tão simples e que, agora, se afunda cada vez mais na vaidade do corpo e das aparências ilusórias da vida, tão exploradas pela Indústria do consumo moderno!

Face cada vez mais irreconhecível!

E até que esse EGO desapareça de nossa vida de ações e pensamentos, não passaremos de sombras nos movendo nos eclipses da matéria e nos esgotos do desejo impuro, sementes que infelizmente correm até o risco de perecer sem realizar o grande propósito da primogenitura divina, não por evolução mecânica involuntária, mas conforme a ascensão consciente voluntária da alma que escolheu DEUS em primeiro, sempre… na gravidade vitoriosa do AMOR!

JP em 20.01.2020

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