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A cosmologia dos quatro deuses primordiais

O que quatro culturas tão afastadas – bíblica, sumeriana, chinesa e grega – têm em comum?

Aliás, não somente estas quatro, mas diversas outras culturas, afastadas no espaço e no tempo, mas preservando conceitos muito similares entre si?

A cosmologia velada em seu panteão central de quatro deuses, ou família divina original do Universo, formada pelo Deus criador, sua esposa a Terra, e seus dois primeiros entes criados ou filhos.

Quatro elementos, quatro estados da matéria (energia), quatro forças primitivas, quatro direções, enfim, o simbolismo universal quaternário é extremamente vasto e presente em todas as culturas antigas e seus mitos primordiais da Criação. Todas elas comportando um princípio superior chamado Pai, geralmente masculino e associado ao céu ou primeiro elemento, fogo ou éter, ou ainda, energia, ou a Palavra. Oposto a ele, o princípio inferior, chamado Mãe e associado a Terra, a matéria e Mater-Mãe, a base da criação do Pai.

Este casal primordial têm dois filhos. Dois irmãos ou um casal.

Na cena da Bíblia, YHWH (IEVE) é o Pai criador, e o Éden, a Terra, chamada também de Eretz (não aparece objetivamente como esposa dele, mas cenário material da criação). E seus dois filhos, o primeiro casal, Adão e Eva (sem contar os outros seres criados por YHWH, os Anjos, e a parte caída, os Nefilim).

Na mitologia sumeriana, ANU, o céu, foi pai de todos os seres, e sua esposa, Ki, a Terra, a Grande Mãe, também chamada Ninmah, a Grande Dama, ou Nin-Hur-Sag, a dama da montanha cósmica.

Do casal, nasceram dois filhos principais, Enlil e Enki. O primeiro, vingativo (o Karma) e o segundo, compassivo (a Misericórdia). Anun governava o céu, o éter, a energia da Palavra, enquanto Ki governava a Terra, a matéria, o elemento denso. Enki e Enlil polarizavam-se em ar e água.

Na mitologia grega, a mesma coisa. Urano, o pai criador, o céu, se uniu a Gaia, a Terra, esposa, e dentre os muitos filhos, incluindo seres monstruosos, nasceram dois deuses do panteão principal: Saturno (Cronos) e Vênus (Afrodite).

Vênus, nascida das águas do mar, pode ser associada a Enki, deus das águas e da sabedoria, enquanto o punidor Enlil se associa a Saturno, o Karma, o tempo, as duras experiências e seus resultados.

E por fim, no lugar mais impensado, a mitologia chinesa-taoísta e seu diagrama cósmico, o I Ching, a Roda dos oito elementos e o Livro das Mutações. Quatro elementos centrais são destacados, e eles se alinham perfeitamente com a cosmologia dos mitos anteriores.

No topo do diagrama, composto de oito trigramas em disposição circular, está o princípio Céu, K’ien (três barras inteiras) e oposto a ele, na base, o princípio Terra, K’uen (três barras segmentadas). A esquerda e a direita, o fogo e a água, Li e K’an. Os filhos do meio daquele casal. O fogo se associa a Enlil e a água, a Enki.

O fogo é representado com uma barra central partida cercada por duas barras inteiras, enquanto a água é o inverso, barra central inteira cercada por duas barras quebradas.

Na linguagem do I Ching, a barra inteira é Yang, o masculino, e vale 1, enquanto a barra quebrada é Yin, o feminino, e vale zero na mesma codificação binária.

Ou seja, princípios fundamentais da cosmologia universal, e é muito amadorismo interpretar essas potências, ora criadoras, ora destruidoras, na forma de deuses temperamentais, malvados e vingativos, inimigos da raça humana, como temos visto em vários discursos ignorantes sobre os mistérios da criação e sua rica simbologia cosmológica nestes panteões sagrados.

ANU é o Criador, a energia primordial, a Palavra, enquanto KI, a Terra, é a matéria. Aqui temos a primeira polarização binária da criação, matéria e energia. E seus dois primeiros filhos seriam a segunda polarização da criação, saída diretamente dos jogos de matéria e energia. O masculino e o feminino, o dia e a noite, nascimento e morte, enfim, a segunda dualidade que, somada à primeira, completa a estrutura da Roda e os ciclos da Criação dentro do que chamamos TEMPO.

Isso explica porque a CRUZ é o símbolo mais presente nos simbolos mitológicos do passado, associados aos quatro deuses e a Criação do Universo que se completa na criatura consciente e inteligente, o ser humano.

Cristo na Cruz, sob a leitura INRI, potência do fogo universal criador, é outra bela página do esoterismo crístico desconhecido pelas doutrinas da letra morta, fogo chamado VERBO e que pode encarnar e ressoar na potência mental dos seres cristificados pelo poder do NOME, que também é quaternário: YHWH.
Porque Cristo, no centro da Cruz, completa o quinto elemento da mesma Cruz ou família de quatro membros, que estão nas bordas da Roda, girando na Eternidade dos ciclos sem fim.

Lembrando ainda que Adão e Eva tivera igualmente dois filhos, o rebelde Caim (associado a Enlil) e o amoroso Abel (associado a Enki). E depois que Caim matou Abel, o terceiro filho do casal, Set, completou e equilibrou o jogo das forças quaternárias da Criação num sentido de renovação, continuação do movimento perpétuo da cruz em seu eixo central equilibrado pelo “Terceiro Filho”, não obstante, o Primogênito.

A simbologia crística reside no centro da roda como solução final do grande enigma cósmico proposto pelo mais antigo e elementar dos símbolos. Se a Cruz é o tempo como resultante final dos quatro agentes cósmicos, Cristo é a eternidade que transcende o tempo, o que explica sua Verdade falando em resgate do Adão imortal que a humanidade já experimentou um dia.

Grande é a sabedoria antiga, infelizmente sendo destruída pela especulação racional cega e ignorante de muitas vertentes do pensamento moderno. Se a ciência moderna investigasse mais a fundo estes modelos cosmológicos por detrás de todas essas simbologias religiosas do passado, poderia compreender muito mais o Universo em mutação, já que todas estas informações simbólicas foram passadas aos nossos ancestrais pelos deuses astronautas, tentando nos ensinar e nos tornar nivelados com sua consciência para que, um dia, a declaração de ELOHIM, o Anunnaki bíblico, se cumprisse:

“Eis aí fiz o homem a minha imagem e semelhança”.
“Eis aí que o homem é como um de nós, conhecendo o Bem e o Mal”.

A imagem dos deuses antigos é, antes de mais nada, a expressão de um vasto conjunto de códigos de simbolismos cosmológicos guardando relação com as forças primordiais da criação, destruição e renovação, sem as quais, nada existiria, nem tempo, nem espaço, nem vida e consciência. Precisamos de um olhar mais profundo e munido dos conhecimentos adequados para não sairmos palpitando de forma equivocada que deuses foram cruéis e inimigos da humanidade.

Se você não tiver um olhar profundo e munido da sabedoria adequada, continuará a olhar e a julgar as coisas pela casca, prisioneiro do mundo superficial que faz refém todo aquele que não arremessa sua consciência para além dos muros dos cinco sentidos!

JP em 26.08.2020

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