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O caso ORELHA e a natureza da crueldade humana

A natureza da crueldade humana

A crueldade envolvida é a mesma, embora a reação popular de muitos veja diferenças e tente justificá-las. Muitas pessoas indefesas têm sido assassinadas de forma cruel e covarde por adolescentes (e bandidos adultos) há décadas neste país, mas bastou um cachorro ser morto com requintes de crueldade que o tema da maioridade penal voltou ao debate.

Ou será que a dor do cachorro foi maior que a dor de tantos seres humanos assassinados cruelmente, bem como de suas famílias destruídas?

Enfim, precisou um cachorro ser martirizado por adolescentes maldosos para que as pessoas finalmente pudessem compreender que a maldade humana não tem idade. Ela pode ser bastante precoce.

Muita gente associa a criminalidade com fatores sociais, mas tem muito pobre decente e trabalhador que jamais cometeria tais atos, da mesma forma que tem muita gente rica e de berço cometendo crimes, roubalheiras e atrocidades por aí. Tiveram tudo, bons pais, educação, instrução, vida confortável e, ainda assim, praticaram crimes e roubos que, indiretamente, mataram muita gente. Basta olhar nos noticiários e ter certeza do que estou dizendo.

Essa relação que define nos fatores sociais a única causa motivadora da criminalidade é rasa demais, para não dizer, falsa. Existe uma coisa chamada índole, ou caráter, e ela não depende estritamente de fatores sócio- econômicos para aflorar desde a infância e mostrar a verdadeira natureza de uma pessoa, claro, que a educação recebida, ou a ausência dela, pode complementar ou danificar ainda mais. É algo que vem da alma, da genética espiritual de cada um, e que determina o eixo central do caráter de uma pessoa. Se há virtude, ela vai se superar. Se há maldade, ela vai cometer crimes. É a mesma relação entre a semente e a terra. Os frutos que a semente produz serão os mesmos, independentemente da terra onde foi lançada. A terra, sendo boa ou má, pode apenas afetar a qualidade da produção, mas não a natureza do que será produzido.

Infelizmente, o extermínio de humanos pelo crime desenfreado já está se tornando tão comum neste país que ninguém praticamente mais liga para isso.
Um genocídio moderno a céu aberto.
Aquela coisa da normatização do absurdo, todos os dias o mesmo noticiário de sempre.
Até o dia em que esse ser humano seja alguém da sua família… então a indiferença acorda e a dor grita alto na alma.

Que pena que o ser humano não se importa mais com o seu semelhante, e que as injustiças precisem chegar na sua vida para ele realmente perceber como tem gente sofrendo lá fora. Até lá, a pimenta no olho do outro não arderá no meu.

Procuremos julgar com a razão e o coração no lugar do sofrimento alheio, porque é o que está faltando e muito nesses debates acalorados entre os dois lados.

Será mesmo que a vida de um cachorro vale mais do que a vida de um ser humano?
Para muitos, sim, até o dia em que a vida deles é que esteja em jogo nas mãos da criminalidade. Pena que tenha que ser assim, que a dor alheia que não comove mais ninguém só seja percebida quando sofrida na própria pele.

Concluindo, a natureza da crueldade humana, portanto, vem da mesma fonte da bondade humana.
Ela vem do DNA da alma. Não importa a idade, a raça, o credo ou a situação econômica. Ela depende da índole de cada um e das escolhas exercidas do lado de fora do coração.
Seres maus já nascem maus.
Seres bons já nascem bons.
Mas podem mudar isso com o tempo e, novamente, com as escolhas.
Escolher ser bom.
Escolher ser mau.

Todos nós nascemos expostos ao bem e ao mal lá fora, e seremos atraídos para um dos lados conforme os valores da nossa índole. Quando, então, essa índole se tornará melhor ou pior, conforme as escolhas exercidas. Mas antes que o mundo piore ou melhore o caráter de alguém (a relação caráter x ambiente), a atração foi exercida, o que demonstra que o que está dentro da alma humana é o que realmente define a direção das suas escolhas por um dos lados.

Não serão portanto meras e rasas teorias socialistas que irão responder à questão mais antiga do mundo.
Mas apenas o coração de cada um, que somente Deus conhece.

JP em 31.01.2026

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