Nova testemunha contradiz conclusão do Exército sobre o caso do ET de Varginha

Uma testemunha civil localizada pelo Portal Vigília coloca o “Mudinho” – a explicação do Exército para o episódio, longe do local de avistamento que deu início ao famoso Caso Varginha. Segundo o novo depoimento, estaria excluída a possibilidade de as irmãs Liliane e Valquíria Fátima Silva e a amiga Kátia Andrade Xavier terem se enganado ao relatarem o encontro com uma estranha criatura na tarde daquele sábado, 20 de janeiro de 1996.

Embora não traga dados adicionais aos desdobramentos já amplamente descritos e documentados pelos ufólogos ao longo dos últimos 25 anos de investigação do caso, o depoimento deste morador de Varginha é extremamente importante. Seu relato, até o momento parcialmente verificado in loco e confirmado à luz de outros depoimentos, contradiz frontalmente o principal argumento usado pelo Exército para apresentar uma suposta explicação ao acontecimento e dar o caso por encerrado.

A testemunha terá, por ora, sua identidade preservada. Embora tenha autorizado a divulgação de seu nome, o Portal Vigília optou por manter, por enquanto, seu anonimato, para preservar a integridade de seu depoimento e permitir obtenção de novos dados, já que a investigação ainda está em curso e seus contatos foram compartilhados com outros pesquisadores do Caso Varginha.

Com sua autorização, o conteúdo das conversas iniciais foi repassado aos pesquisadores João Marcelo, Marco Aurélio Leal e Giordano Mazutti, que atualmente desenvolvem a maior empreitada de investigação e levantamento de novos dados do incidente em Varginha desde a pesquisa original, em 1996.

A conclusão oficial do IPM sobre o Caso Varginha

É notória a existência de uma investigação própria do Exército sobre os fatos de 20 de janeiro de 1996, executada pela Escola de Sargentos das Armas (ESA). Ela foi conduzida no âmbito de um Inquérito Policial Militar (IPM Nº 18/97) cuja finalidade original era apurar a possibilidade de ocorrência de um crime quando da publicação do livro “Incidente em Varginha – Criaturas do Espaço no Sul de Minas”.

Capa do volume 2 do arquivo que compõe o IPM sobre o Caso Varginha (O IPM completo, em PDF, pode ser consultado aqui)

Oficialmente, a preocupação era determinar se a obra, de autoria do ufólogo e um dos pesquisadores do caso, Vitório Pacaccini, em parceria com o escritor Maxs Portes, incorria em algum crime. Havia a suposição de que pudesse ofender a honra de militares citados, comprometer as Forças Armadas, incitar militares da ESA a revelarem dados sigilosos sobre a instituição, ou atribuir ao Exército testemunhos do acobertamento de um eventual incidente envolvendo supostos extraterrestres.

Em sua conclusão, o IPM isentou Paccacini de qualquer ilícito. Sendo um dos poucos documentos oficiais conhecidos do caso, foi também aquele que procurou dar uma “explicação oficial” para o que Kátia, Valquíria e Liliane teriam visto naquele terreno baldio do Jardim Andere. Segundo o IPM, teria sido o Luiz, ou Luizinho, um morador conhecido na cidade pelo apelido “Mudinho”.

Portador de autismo e morando à época exatamente em frente ao terreno onde as garotas afirmaram terem se deparado com a criatura estranha, Mudinho era visto com frequência na rua. Curiosamente, costumava agachar-se em posição praticamente idêntica à descrita pelas testemunhas quando encontraram o suposto ET de Varginha.

Baseado em fotos fornecidas pelo comando do 24º Batalhão de Polícia Militar à época, o IPM concluiu que “tais evidências tornam, portanto, mais provável que a hipótese de que este cidadão, estando provavelmente sujo, em decorrência das fortes chuvas, visto agachado junto a um muro, tenha sido confundido, pelas três meninas aterrorizadas, como uma criatura do espaço”.

Relato pode desconstruir a tese do Mudinho

Os ufólogos já tinham lidado com a teoria do Mudinho e a tinham descartado, porque as testemunhas o conheciam e declararam, à época, que jamais o confundiriam. Mas isso não foi suficiente para a elaboração da tese do IPM.

Agora, o novo testemunho obtido pelo Portal Vigília pode implodir de uma vez a explicação oficial: no exato momento do encontro das três garotas com a suposta criatura, aparentemente seria impossível Luizinho estar no terreno.

A nova testemunha conta que morou 30 anos no Jardim Santana, em Varginha (vizinho ao Jardim Andere). O terreno por onde as meninas passavam naquele momento era uma espécie de atalho para o bairro.

Ele inclusive conhece as irmãs Liliane e Valquíria; os pais de ambas as famílias eram amigos. Hoje, aos 43 anos, este morador continua na cidade e exerce atividade ligada ao serviço público.

Vista atual da frente do Ginásio do Marcão em Varginha. À esquerda, área de mata que faz divisa com o local da suposta 1ª captura, na parte da manhã

À época, com 18 anos, costumava jogar futsal com os amigos todos os sábados. O horário reservado era das 14 às 15 horas exatamente, no Ginásio do Marcão, uma quadra que existe até os dias atuais.

O dia 20 de janeiro de 1996, era mais um dia de jogo com os amigos. Mas aquele sábado estava diferente, segundo ele. “Naquele dia já havia o comentário circulando por aquela região da ação do Exército pela manhã e diziam que tinha tido disparos de arma de fogo”, contou.

Mudinho na porta do ginásio e bloqueio do Exército

Outra coisa naquele dia, contudo, continuava igual: “o Mudinho estava na porta do Ginásio. O mudinho ficava sempre lá nos sábados e em outros dias da semana porque as pessoas davam cigarro”, revela a testemunha.

O local fica a aproximadamente 500 metros – em linha reta – do terreno no Jardim Andere onde a criatura foi avistada. Mas chegar lá na mesma hora não seria simples, ainda que Luizinho corresse muito, por uma razão: o próprio Exército, por algum motivo, bloqueava o acesso e impedia a passagem das pessoas.

E o relato desta nova testemunha fica ainda mais intrigante.

“Quando terminou o horário, vimos um caminhão do Exército subir a Avenida dos Expedicionários. Imediatamente subimos, movidos pela curiosidade e pelos boatos que circulavam desde a manhã. E quando chegamos, há dois quarteirões da rua do lote, o Exército já tinha fechado a rua e o acesso era restrito”, conta.

Mais pessoas participaram da tentativa de averiguar o que ocorria. “Um dos amigos que estava na turma (éramos em 4) trabalhava na oficina do Zé Cavalo e argumentou que precisava pegar objetos pessoais. Também argumentei sobre o direito de ir e vir. Mas o militar mandou afastar e apontou o fuzil pra gente. O fuzil ficou a um palmo da minha cara”, relembra.

Segundo ele, os militares abriram as barricadas para a passagem de um carro modelo Fiat Panorama. Cerca de 10 minutos depois desmontaram tudo. Subiram nos caminhões – os quatro amigos viram três caminhões e mais dois carros de passeio – e continuaram na direção da praça São Charbel.

“Tinha muita gente na rua acompanhando o cerco do Exército. Foi rápido, mas chamou bastante atenção”, conta o rapaz.

Fim do silêncio há cerca de 10 anos

A nova testemunha revela que só começou a recontar essa história para os amigos e conhecidos há cerca de 10 anos, porque tinha receio de passar pelos mesmos constrangimentos que viu vizinhas passarem.

“É porque via a dificuldade que as meninas tinham de desenvolver a vida. Dificuldade de arrumar emprego, de estudar. Às vezes estávamos na rua conversando e parava carro na porta da casa delas. Elas atendiam atenciosamente e no final o pessoal tava debochando”, conta.

Além disso, um de seus amigos – Luciano, já falecido – que era funcionário da oficina do Zé Cavalo, dizia já ter falado com os pesquisadores à época.

Agora, 25 anos depois, o depoimento deste morador mostra como a pesquisa do Caso Varginha é cheia de nuances e pode haver ainda muitas surpresas a serem trazidas à tona!

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