Descoberto banho ritualístico MIKVÉ da época de Jesus em Jerusalém

PorFelipe Miranda

Publicado30 de dezembro de 2020

(Imagem de Yaniv Berman da Autoridade de Antiguidades de Israel)

Pesquisadores encontraram, em Jerusalém um “banho ritualístico”, um mikvé de dois mil anos de idade. As igrejas evangélicas batizam seus fiéis em espécies de “piscinas”, mergulhando-os para trás.

O mikvé, ritual judaico, segue um processo bastante parecido. Trata-se também de um tanque de água, mas não necessariamente para o batismo. Os judeus geralmente utilizam o ritual para purificar mulheres após a menstruação, nascimento de um filho ou aos recém convertidos ao judaísmo – uma espécie de batismo, nesse último caso. 

As descobertas

A equipe de arqueólogos encontrou o mikvé de dois mil anos de idade em um local que acredita-se ser o Jardim do Getsêmani, um local bíblico. Segundo a mitologia cristã, Jesus e seus discípulos oraram nesse jardim no dia anterior à sua crucificação. Hoje, há uma igreja cristã no local, a Igreja de Todas as Nações.

A Igreja de Todas as Nações (Israel Antiquities Authority).

Getsêmani significa literalmente ‘lagar de azeite’. Lagar é o local onde as pessoas pisam sobre frutos, como na manufatura de vinho e azeite por meios mais rústicos. No caso, o jardim localiza-se no Monte das Oliveiras, o que explica a relação com o azeite. 

No local, também havia uma igreja bizantina (a parte oriental do Império Romano), mas um pouco mais nova do que o banho sagrado, com cerca de 1500 anos de idade. 

Eles descobriram as construções históricas durante uma obra, e não uma pesquisa arqueológica, conforme relata um comunicado da página oficial da Autoridade de Antiguidades de Israel.

Os operários trabalhavam em um túnel de visitantes para a igreja. Inicialmente, ao escavar, eles notaram uma cavidade, e então, arqueólogos notaram que se tratava de um mikvé.

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Importância do mikvé de dois mil anos de idade

O mikvé. (Yaniv Berman, Israel Antiquities Authority).

A descoberta possui algumas implicações importantes. Acontece que a bíblia é extremamente imprecisa. Ao mesmo tempo que ela nos trás diversos fatos históricos reais, distorce-os.

Portanto, quando a bíblia cita algo, pesquisadores precisam suspeitar.

Os pesquisadores encontram esses banhos rituais, como o mikvé de dois mil anos de idade, em construções particulares, edifícios públicos, além de áreas rurais e tumbas.

Ou seja, a existência de um mikvé na área indica que realmente, havia algo ali, como a bíblia descreve, mas ainda não se sabe se como o Jardim do Getsêmani; isto é, se a bíblia descreveu o local de forma minimamente fiel. 

“Não é do mikvé que ficamos tão entusiasmados, mas sim da interpretação, do significado dele. Porque apesar de haver várias escavações no local desde 1919 em diante, e de haver vários achados – das eras Bizantina e Cruzada, e outras – não houve nenhuma evidência do tempo de Jesus. Nada!

E então, como um arqueólogo, surge a pergunta: há evidências da história do Novo Testamento, ou talvez tenha acontecido em outro lugar?”, disse Amit Re’em, da Autoridade de Antiguidades de Israel ao jornal The Times of Israel

(Imagem de Autoridade de Antiguidades de Israel)

A bíblia descreve o local como um campo de oliveiras fora dos muros que cercavam Jerusalém. No jardim também havia o lagar, conforme as histórias.
(socientifica)
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Até hoje, todas as descobertas arqueológicas confirmam os relatos da Bíblia que, apesar de imprecisos por causa das sucessivas traduções para os diversos idiomas do mundo, acrescentadas muitas vezes de interpretações alterando o tema original, pelo menos a parte histórica sempre confere. Aliás, muitas descobertas arqueológicas já feitas se devem ao guia histórico da Bíblia.

Evidentemente que o tempo, por si só, é um fator que tende a distorcer fatos históricos reais de 2000 anos atrás. Tudo isso tem que ser considerado. Porém, as distorções de uma história verdadeira tão antiga não implica que aquela história deixe de ser verdadeira. O esforço da ciência, neste caso, será o de filtrar as distorções acrescentadas pelo tempo e encontrar os elementos reais no final do processo.

Esta descoberta do tempo de Jesus Cristo é outra prova que sua história é real, e nunca foi criada pelos concílios papais ou ajustes pagãos de Constantino a partir do século IV, como defendem as teorias conspiratórias com muita especulação e nenhuma prova documental concreta.

A Verdade sempre aparece. Pode demorar, mas aparece.

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JP em 30.03.2021

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