
As grandes águas
“As grandes águas”, eis a identificação que o I Ching, livro da sabedoria oriental, empresta para a perigosa jornada do mar inconsciente, no qual a alma humana está profundamente imersa, afogando todos os dias em suas desconhecidas emoções até que possa aprender a nadar e encontrar uma ilha de refúgio na superfície da consciência, o que lhe fornecerá finalmente uma direção a ser seguida na vida.
O hexagrama K’AN entre os 64 hexagramas do I Ching é chamado de grandes águas porque traz o abismo em cima e embaixo.
Seu número é 29 e ele costuma aparecer em leituras que se aplicam a tempos difíceis e complicados na nossa vida, tempos de grandes dificuldades e provações.
Biblicamente, temos a imagem do Dilúvio, quando Noé precisou, com a ajuda de Deus, construir uma arca para cruzar o mar da morte em segurança, com sua familia e as espécies animais. A travessia do Mar vermelho a pé enxuto, prodígio de Moisés também com a ajuda de Deus, e que resgatou milhares de hebreus da morte nas mãos dos egípcios, também ilustra muito bem a travessia dramática das águas, que representa aquelas situações extremas em nossa vida onde, SOZINHOS, sem a ajuda divina, não conseguiríamos nada além de afundar.
As grandes águas equivalem à casa 12 do mapa astral, e é ela que nos conecta ao Universo, porque ali residem todas as conexões entre o EU e o Todo. Descobrir e acionar estas conexões é o caminho da reintegração do individual com o Coletivo espiritual, aquilo que o Budismo chamou de Aniquilação do EU como passaporte para a Iluminação da Comunhão com o Universo.
Caminhar sobre essas águas é extremamente difícil na falta de um guia inadequado.
O autoconhecimento é esse guia, mas ele também precisa aprender das fontes do conhecimento ou sabedoria da luz para escrever o seu próprio mapa.
Porque ainda que o destino final seja o mesmo para todos nós, cada qual deverá escrever o seu próprio mapa.
O mapa de ninguém poderá lhe conduzir nessa jornada além do seu próprio mapa.
JP em 22.08.2025





