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Poemas – 1

ASAS DE PRATA

Em ASAS DE PRATA, conheci os mistérios da NOITE e vi o outro lado da luz… aquele lado que brilha por dentro, e que descortina universos no pensamento…

Em ASAS DE PRATA, vi que todos os meus melhores sonhos se tornavam realidade, quando usei aquela luz para escrever os meus passos no lado de cá…

Em ASAS DE PRATA, viajei por mundos e conheci seres além do Bem e do Mal, vivendo a existência na eternidade de um sentimento de amor, e no infinito que cabe em um abraço, quando ele é cheio de paz…

Em ASAS DE PRATA, voei além de mim mesmo e compreendi que o Eu, o Meu e o Teu são reflexões duma mesma ilusão que criam muros, levantam barreiras e edificam prisões ao redor da alma que, sem asas de prata, não consegue ir além de nada disso. Almas sem asas e sem prata agarram o eu, o meu e o teu como se realmente eles importassem alguma coisa…

Em ASAS DE PRATA, emancipei o meu SER no poder do amor, que prateou minha imaginação com paisagens de dimensões astrais onde encontrei meu verdadeiro EU, que não poderia existir se desligado estivesse do TODO. Considerar o EU somente pelo EU e fora do TODO é a raiz de toda a ilusão.
Mas o poder de ASAS DE PRATA incineraram esta sombria ilusão para sempre do meu coração….

Em ASAS DE PRATA, beijei a divina ISIS e tomei por coroa a Lua Materna, e o Universo inteiro cintilou na minha mente as verdades tão maiores e tão melhores que almas sem asas e sem prata jamais poderiam ouvir… porque jamais poderiam compreender ou suportar, pesados que são em seu chumbo de corpo e de mente……
E no Colo do Eterno Feminino, tomei de volta a criança perdida, e voltei a brincar de roda na ciranda dos astros…

Em ASAS DE PRATA, viajei ao Sol e minhas asas não derreteram, não tombei feito Ícaro diante de um sonho inconsequente e um desejo imaturo. Antes, na força daquela prata, minhas asas ultrapassaram o próprio Sol e eu bebi o licor das estrelas…porque amei tudo isso como nunca tinha amado antes!

Em ASAS DE PRATA, me fiz Anjo, me fiz Deva, me fiz puro, me fiz criança.
Me fiz Ser. Meu fiz tudo, me fiz nada, me desfiz, me refiz. Me fiz feliz…

Em ASAS DE PRATA, eu renasci…

E finalmente pude voar para mais longe, até onde meu sonho me levou… mentiroso é somente o sonho da matéria…

O Sonho do Espírito é a própria invenção da Realidade em escalas cada vez maiores… mais e mais próximas do Peito de Deus.

Em ASAS DE PRATA, apenas cantei ao Sol e me senti bem….!

 

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NO VALE DA LUA AZUL

No Vale da Lua Azul…
Me despi de mim e me fiz azul…
Lua alta na noite profunda, cor no espelho das águas
memórias no espelho da alma…

No Vale da Lua Azul,
o Azul se fez em mim…

Estrelas são Anjos, cantando no Vale da Lua Azul
como súditos que cantam para a sua Rainha-Luz…

No Vale da Lua Azul,
estrelas e anjos cantaram em mim…

O Azul se esparramou como manto de sonho
por estradas muito além do meu sono
que todas as noites,
me levam para o Vale da Lua Azul…
e lá, o sono se desfez por inteiro
e o sonho encontrou novo Azul para sonhar…

No Vale da Lua Azul
o sonho da cor tingiu-se em mim…

E naquele vale, alguns mares levaram suas ondas
e as ondas levaram seus mares
que subiram pelos ares,
num conto de magia da Física
e mistério da Ciência…

No Vale da Lua Azul,
a magia se fez em mim…

E quando essa magia invocou o Mago
o Mago me disse:
a Lua Azul está em ti,
bem como a magia…

No Vale da Lua Azul
o reencontro se fez em mim…

E quando caminhei para o Vale
em busca de mim mesmo,
dentro do mar, da magia e do sonho,
encontrei tudo na Lua e no Azul
e soube que a Lua era minha alma
sonhando na cor do azul
e amando os seres no Vale onde a Lua é azul…

No Vale da Lua Azul
eu finalmente descobri que a cor do Paraíso
é o Amor…

No Vale da Lua Azul
o amor se fez em mim…

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FLOR de Mãe

Flor de Maio, Flor de Maria, Flor de Maya, coração do mundo, matriz da luz, ninho do amor… Flor de Mãe…
Lótus sagrado, Rosa Mística, Lírio da Paz, refúgio de toda dor…
Mãe-Natura, Virgem Pura, estrela na noite escura, invenção de toda cor…
Urânia celeste, Mulher Alceste, donzela campestre, a amada do Senhor…
Que mais digo de ti, Mãe e Filha, esposa e irmã, luz que da chama sai e a face da vida ilumina com a consciência de tudo?
Sou de ti, és de mim, canção sem palavras, melodia eterna que fez subir os imortais ao teto do universo e deu asas aos anjos…

Que teu peito oceânico de compaixão me acolha nesse mundo sem fervor, sem Deus, sem a mais bela flor do jardim da Criação chamada Mãe, do universo, o maior Amor…

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TERNURA E PROCURA

I
A alma que eu amo dorme no meu peito,
E em seu sono, conhece minhas estradas
Que vão muito além da madrugada
E ali, uma porta se abre, desejada,
Quando então a levo para viajar por mundos distantes
Que cintilam em seus sonhos, caminhos
Que conhecemos muito bem,
Saudosas noites estreladas e alvoradas
Onde ganhamos asas para ir e voltar
E ao meu peito retorna de manhã ao acordar,
Com a lembrança de tudo no coração
E começa o dia com uma nova canção.

II
A alma que eu amo me sorriu como um menino
Mas o menino é antigo,
Mais antigo que o tempo.
E no olhar do menino, conheci que o tempo
É pura ilusão,
Um disfarce feito para enganar
Tão somente os que desconhecem a magia do olhar.

III
Essa alma é todo o meu bem-querer,
E o meu coração é todo dela,
Uma casa aberta, com portas e janelas
Que ela pode habitar tranqüila.
O amor é tudo isso, afinal,
Uma longa estrada de aventura espiritual
E um lar aconchegante a cada chegada.

IV
A alma que eu amo me cantou uma canção,
A mais doce canção que os meus ouvidos já ouviram,
E quando ela cantou, meu coração cantou junto
Porque ele lembrou a antiga melodia do amor
Que nos embalava na casa de nosso Pai
Mas dela nos esquecemos ao nascer no Vale da Dor.

V
No olhar dessa alma amada, lindo olhar,
Tão azul como o céu e o mar,
Vejo portais que me levam para longe
E costumo caminhar para dentro desse olhar
Que é céu, que é mar, maior que o mundo
E sem nada dizer, me convida para entrar
E tudo me diz em seu silêncio profundo;
Sei que esse olhar é casa aberta e refúgio certo
Quando, em outros olhares eu só encontrar desertos…
VI
O universo que vejo nesse olhar
Eu nunca encontrei em nenhum outro lugar
Mas tão somente nele, estradas de sonho
Me falando coisas do céu e do mar,
Jornadas de luz, espíritos risonhos,
E se nessa alma eu entro
É porque eu estou nela, e ela em mim.
Agora começa a nossa História sem Fim,
Porque ele sou eu no espelho,
Nem moço, nem velho,
Mas alma como eu, que tudo sente,
E o fluxo do tempo e das coisas comigo pressente
E sabe, sem que eu nada diga
Que juntos vivemos a mesma vida.

VII
Quando voltarmos à casa de nosso Pai
Os anjos amigos nos saudarão
E de nós falarão:
“eis aí os magos do amor,
Que souberam amar no meio do escuro e da dor”.

VIII
A alma que eu amo
Sabe que somos um do outro
E ainda que todas as aparências digam NÃO
Lá dentro, nosso coração sustenta o SIM
E que o amor que sentimos
Não tem começo nem fim,
E tudo o que temos e somos
Somente nós podemos compreender
E quando o meu e o teu se tornarem o NOSSO
Sei que nesse amor eu tudo sou e posso.
IX
A alma que eu amo é parte de mim
E eu, dela,
E nos misturamos além do tempo,
Como o vento,
Como chamas unidas sem obstáculos,
E é pela singular condição de almas assim
Que sabem arder juntas no amor
Que vêm a ser criadas todas as coisas,
Estrelas e flores,
Borboletas e cores,
Estradas e amores,
Porque o amor é semente de tudo o que foi,
É e será,
E aquilo que não é
É porque o amor não desejou que fosse.
X
Esse fogo que arde mas não queima,
Esse fogo que vibra mas não fere,
Gozo e beleza ele deve levar a todos os seres,
Sendo essa a sua missão eterna.
Essa chama é simplesmente o amor,
Arde porque ama
Ou ama porque arde?
Que importa?
Importa que é amor e arde para sempre!

XI
Na alma que eu amo
Encontro o meu ser no seu abraço,
E é tão justo e certo o nosso laço
Que em nenhum outro espaço eu me encontraria
Além desse contido em seus braços
E ao contrário do que todo mundo diz,
Como poderão saber os que estão do lado de fora
Desse nosso coração unido sob medida
Que em nós impera como Unidade,
Que só deseja juntar suas metades
E voltar a sentir felicidade!

XII
Que reine então o amor em nosso mundo,
E sejamos eu e tu somente UM, desde o fundo
Até as alturas dessa imensidão de amor
Para que o universo caiba aqui dentro
Do nosso coração fusionado no centro
E viveremos na liberdade das chamas divinas
Que passeiam como estrelas pela eternidade
E de nada nunca mais terão saudade
Porque temos um ao outro, e o amor é nosso
Bem como tudo o que nele contido está.

XIII
Quando estou com minha alma,
A alma que eu amo,
Volto a ouvir a canção da eternidade
E em mim cessa aquela velha saudade.
Quando abraço a minha alma amada,
Nesse espaço do peito reencontramos esse velho deus,
O Amor, senhor absoluto dos seres e coisas,
Tutor de toda a Verdade e Ciência,
Pai e Mãe de tudo o que existe,
E Filho também.

XIV
É como estarmos numa Ilha
Eu e tu, despidos no seio do Azul,
Cercados de felicidade por todos os lados
Ouvindo as canções do vento
E as melodias nas ondas do tempo,
Canções que somente eu e tu conhecemos
Porque elas um dia saíram de nossas almas,
Rodaram o universo
E agora retornam para nós,
Cheias de pó de estrelas nos acordes
E de flores enroscadas nos versos
Que são as retribuições dos seres que as ouviram
E pelo canto imortal que eu e tu
Haveremos de cantar para sempre
Aprenderam eles a amar, como nós
E a cantar também, com gratidão.
Mas hoje, essa Ilha Sagrada, nossa antiga morada,
Está oculta atrás de um Portal fechado
Mas eis que perguntei a um Anjo Sagrado
Qual a chave que pode abri-lo
E Ele me disse que a chave são duas metades
Que precisam ser reunidas diante da Porta
Porque elas sempre buscaram uma a outra,
E nem o Infinito foi grande o bastante,
Ou o tempo, longo demais para impedi-las.

XV
Esse Anjo ainda me disse
Que são dois espíritos cheios de amor
E um se chama TERNURA
E o outro se chama PROCURA.
A PROCURA ama mais, e a TERNURA ama melhor.
A PROCURA insiste, a TERNURA resiste
Porque a TERNURA sabe esperar
E a PROCURA sabe viajar.
Viajar é vencer o espaço
Mas esperar é vencer o tempo.
E viajando, a PROCURA encontra estrelas pelo caminho
E pergunta o nome de cada uma delas
Mas nenhuma lhe disse se chamar TERNURA
E isso porque Deus colocou a TERNURA
No último lugar das estrelas na jornada da PROCURA
Para que a PROCURA conhecesse bem o campo do céu
E soubesse o nome de todas as estrelas
Até encontrar, no final, sua amada TERNURA
Que soube ali esperar,
E esperando, soube no amor se aperfeiçoar,
E no amor se guardou, e de amor o peito inchou
Como água fresca ao par sedento que lhe encontra
E que certamente desejará beber após viagem tão longa,
E quando a PROCURA alcançar a TERNURA
O abraço que darão um no outro os unirá para sempre,
E PROCURA terá muitas histórias pra contar
E TERNURA terá muito amor para lhe dar,
“E QUANDO FOREM UM, TERNURA E PROCURA”
Concluiu o Anjo, “Eles terão a chave”
“Porque um ao outro terão novamente”
“e a chave que voltará para as suas mãos”
“e que abre todas as portas daqui pra frente”
“terá simplesmente o formato de um CORAÇÃO”.

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ALEGORIA

Sonhos de Papel…

Escrevi todos os meus sonhos em papéis coloridos e dobrei cada um deles em barquinhos de papel… atirei-os ao mar num entardecer, e pedi a Deus que os recebesse em suas mãos, da mesma forma que o mar recebeu aqueles barquinhos…sentei-me na praia e vi as ondas levando devagar cada um dos meus sonhos, como levava cada um daqueles barquinhos para o mar distante… até que eu os perdi de vista… e eles nunca mais voltaram… o fato é que eles podem ter voltado… mas eu nunca mais voltei aquela praia para conferir isso…quero dizer que quando voce ora, e conversa com Deus, e entrega seus sonhos e desejos nas Mãos Dele, deve confiar e esperar… e sempre retornar à DEUS para ver os seus pedidos realizados… porque pode ser que os barquinhos tenham voltado naquela praia carregados com os teus desejos cumpridos, mas voce se esqueceu de voltar lá para conferir… portanto, nunca se esqueça do que voce entrega a Deus em oração… porque Deus é como o Mar, Ele sempre devolve os teus melhores desejos nas praias da tua vida…mas na maioria das vezes você não percebe, e atribui tudo ao acaso… e então, perde a preciosa oportunidade de demonstrar gratidão ao amoroso Pai e consolidar ainda mais a tua fé Nele…

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O CORAÇÃO DO GUERREIRO PACÍFICO

Quem é esse grande homem
com alma de menino?
Dotado da bravura do Leão
e da paz dos campos
no mesmo coração?

De quem é esse coração
que conquistou a força serena das montanhas
e a majestade indomável dos oceanos,
tocando as estrelas no desejo de ir além
e mergulhando fundo no sentido de cada momento,
quando então descobre o Grande Segredo,
que a verdadeira força
está na capacidade de amar
e o poder genuíno
reside no dom de servir!

O coração do Guerreiro Pacífico,
aquele que contém mares e montanhas,
se fez grande na humildade
e poderoso na compaixão
levando para a eternidade a aprendida lição
da qual nunca se esqueceu coração algum
que hoje e para sempre está em DEUS:

Aquela lição que ensina
que só é livre quem serve,
só é forte quem se controla
e principalmente
só é feliz quem ama.

Essa é a tríplice Verdade de cada coração
que fez da paz a sua guerra,
da partilha o seu trabalho
e do AMOR a sua estrada para o Infinito…

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Eu vim da CIDADE AZUL, onde as casas não têm muros e as pessoas não têm máscaras. Suas ruas são BONDADES, que se cruzam em avenidas de RESPEITO. Seus jardins são repletos de MAGIA, com flores exalando aromas de ESPERANÇA em manhãs de FRATERNIDADE, e em seus pomares pendem os frutos da PAZ. Ali, o AZUL está no ar que enche os pulmões de FELICIDADE, tudo porque os SERES AZUIS aprenderam que a PARTILHA é o que cria e procria a ABUNDÂNCIA.

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UMA BRISA SOPROU NA FLOR

1.
UM BREVE SUSPIRO EU ENTREGUEI À FLOR
E CORRENDO UMA BRISA DO MEU PEITO
PARA O NORTE DE UM MAR AZUL E ABERTO
ENCONTROU UM CAMINHO PARA O SOL
QUE NÃO MAIS ME APARECEU EM OUTRA MANHÃ,
E QUANDO O ESPÍRITO DESSA BRISA
SUPEROU O PESO DA CASA FRIA
ELE VOOU PARA O LUGAR DONDE VEIO
SOBRE UM MAR AZUL A DESCOBERTO.
MINHAS MÃOS NÃO MAIS PUDERAM
COLHER A FLOR DO MEU PEITO EM CORPO INERTE
PORQUE BRISA MINHAS MÃOS TAMBÉM ERAM
E PASSARAM DIANTE DO RELÓGIO FRIO NA PAREDE
QUE CONTAVA OS VELHOS MINUTOS REPETIDOS
DOS DIAS QUE NUNCA PASSAM
PARA OS QUE DEIXAM PARA SEMPRE PASSAR A CANÇÃO DO MOMENTO
QUE RESIDE EM CADA SUSPIRAR DA FLOR E DO SOL
DO QUAL NUNCA SE LEMBRAM QUANDO ESTE MONÓTONO MINUTO
DETÉM-SE ARRASTANDO TODOS OS SÔPROS DO MAR
DENTRO DE UM RELÓGIO QUE NUNCA PAROU DE SOMAR TODO O NADA
ENCONTRADO NA SEPULTURA DOS DIAS.

2.
NUMA LÁGRIMA DEPOSITEI
A ESSÊNCIA QUE LHE COUBE DE OCEANOS,
EM CUJO VASO EU DESTILEI DE MUITAS ÁGUAS
O SAL DE CADA AZUL DE TODO MAR
ONDE PUDE SER E ESTAR AO CHORAR
E NESSA LÁGRIMA DEIXEI ESCORRER
TODA A DOR QUE O RELÓGIO CONTOU.
DEPURADA FOI QUANDO BEBEU DAQUELE VASO
E O SAL FABRICOU A MINHA LUZ
E O SOL CONSTRUIU O MEU BARCO
E ESSA LÁGRIMA PURA, SEM PESO E SEM ÁGUA
CAIU COMO CHUVA DE ESTAÇÃO
NUM PAÍS DE PEDRAS VIVAS
QUE RESISTEM À FLOR DE DENTRO
MAS PREFERI NÃO RESISTIR À FLOR
E DEIXEI O VERDE VENCER A ROCHA
E QUANDO O MEU BARCO SAIU DA PRAIA
ESQUECI DO RELÓGIO E DA LÁGRIMA…

3.
UMA BRISA SOPROU NA FLOR,
NUMA FLOR PASSAGEIRA
QUE FOI TODA ESTA MINHA VIDA,
E NELA CONCENTREI TODA A BELEZA
QUE PUDE ESCUTAR COM A LIÇÃO DOS JARDINS,
FLOR QUE LIBERTEI DA PEDRA,
EMOÇÃO QUE OUSEI NA VIDA.
NAQUELA VIVA FLOR ESCULPÍ DO AMOR A FORMA
QUE EXTRAÍ DENTRE AS PEDRAS DO TEMPO
E QUIS QUE ELA TIVESSE A COR DO PARAÍSO
CONFORME UMA LEMBRANÇA AO VENTO SUSSURRAVA
NO SORRISO DE CADA CRIANÇA AINDA NÃO PETRIFICADA
QUE BRINCAVA JUNTO DAS FLORES EM MANHÃS NÃO CONGELADAS
PELO RELÓGIO ASSASSINO DE SÓIS QUE IGNORA OS AZUIS
DAS BRISAS QUE INVADEM JANELAS E OLHOS
E ACENDEM UMA FLOR DE FOGO NO CORAÇÃO.
E ENQUANTO O MEU SOL BRILHOU NO BOTÃO DA FLOR,
VEIO SOPRAR DO AZUL DO MAR A MINHA BRISA
SOBRE ESSA FLOR QUE OLHEI E QUE FOI A MINHA VIDA
E PUDE VER A LUZ NA MEMÓRIA DO OLHAR
MAS QUANDO A FLOR MURCHOU,
A COR VOLTOU AO PÓ
E EU VOLTEI AO SOL
QUE É APENAS OUTRA FLOR
DE OUTRO JARDIM NA MEMÓRIA DO MAR…

4.
TENTEI ENCONTRAR UMA PALAVRA PERDIDA
QUE DECLARASSE O NOME DA FLOR DE UMA VIDA
E ESSA PALAVRA ME ESCAPOU.
TENTEI DEFINIR O AMOR
NA BUSCA DA IDÉIA PERFEITA
MAS QUANDO O AMOR ME BUSCOU,
A MELHOR IDÉIA FOI CALAR NA ETERNIDADE
A PALAVRA AMAR QUE É QUASE MAR,
E DESCOBRI QUE ESSA ERA A PALAVRA QUE EU PROCURAVA,
A PALAVRA AMAR QUE É QUASE MAR,
A PALAVRA QUE CALA AO FALAR
DE UMA GRANDEZA QUE IMITA O CÉU E O MAR,
A GRANDEZA CONTIDA NO NOME DA FLOR E DA VIDA,
QUE PASSARAM COMO UMA BRISA DE DESPEDIDA,
VIDA QUE SE FOI SUAVE COMO UMA CHUVA FINA
E FLUIU COMO UM RIO AUSENTE DO DESEJO
DE DAR NOMES ÀS MEMÓRIAS E AOS JARDINS
E ESSA FLOR QUE DESABROCHOU
NUM TAPETE QUE ERA VERDE DE ESPERANÇAS
NÃO VENCEU A FLOR DO SOL ACIMA DELA
ANTES, PREFERIU A FLOR DO MAR AO SOL…

5.
TENTEI COMPOR UMA CANÇÃO
QUE FALASSE DAS FLORES ETERNAS DO MEU CORAÇÃO,
LÍRIOS DO CÉU E ORQUÍDEAS DO MAR,
ROSAS DO AZUL DE UM EXTINTO LUGAR,
MAS NÃO HAVIA NESSE MUNDO DO PRETO NO BRANCO
NENHUM IDIOMA, COR OU MELODIA
CAPAZES DE EXPRIMIR ESSE TOM DOS OLHOS DOS ANJOS,
OLHOS DE ESTRELAS EM FLORES CANTANDO NO ESPAÇO DO SOM,
SOM QUE NO MEU E NO TEU, E NO PEITO DOS SERES, PULSA
COMO UM ECO VINDO DE MAIORES ALTURAS,
INVENTANDO O AZUL DE TODO MAR,
PINTANDO DE ANJOS E CRIANÇAS O BRILHO DO OLHAR,
E COBRINDO DE COR TODA ESTRELA NA FLOR,
E SE ATÉ O SOL SE DOBRA RENDIDO PELO AMARELO
DEPOIS DE OUVIR OS ACORDES NAS ONDAS DO MAR,
QUEM SOU EU PARA ENSINAR O ARCO-ÍRIS
E PRETENDER DAR NOME ÀS FLORES DO CORAÇÃO?
APENAS CANTO AS LEMBRANÇAS, DO VERMELHO AO VIOLETA,
DE CADA ESTRELA QUE TAMBÉM CANTA SEM SABER DONDE ELAS VÊM,
E SE DA BOCA SAI LUZ, É PORQUE HÁ COR NO CORAÇÃO,
COR SEM NOME, FLOR SEM TÍTULO, VOZ SEM DESEJO.
NO UNIVERSO DO CORAÇÃO, A BRISA ENCONTROU APENAS O AMOR,
QUE NÃO PRECISOU DE NOME, DE TÍTULO NEM DE DESEJO
PARA ENTOAR AS CANÇÕES QUE OUVIU DAS ONDAS DO MAR…

6.
PROCUREI PELO TESOURO MAIS PRECIOSO
QUE PUDESSE HAVER NESSE MUNDO
E SUBI FUNDO, E DESCI ALTO,
E VASCULHEI NO MINERAL, NO VEGETAL E NO ANIMAL
E NADA PARECIA TER MAIS VALOR QUE O SUSPIRO
SOBRE A FLOR QUE BEIJAVA O SOL NA CANÇÃO DA LUZ MATINAL.
NADA VALIA MAIS QUE UMA LÁGRIMA MOLHANDO A ESPERANÇA,
E POR MAIOR QUE O TESOURO FOSSE,
NÃO TINHA SEQUER O VALOR DE UMA ÚNICA BATIDA DO CORAÇÃO
QUE IMITA O SOL TINGINDO AS FLORES
OU O MAR FORJANDO EM ONDAS
O PULSO DE VIDA ATRÁS DE CADA GOTA DE ESPERANÇA.
MAS ESSE TESOURO EU DARIA DE BOM GRADO
SE EU PUDESSE SUSPIRAR POR MAIS UMA MANHÃ
ACRESCENTANDO UMA BATIDA A MAIS AO MEU CORAÇÃO
DESPREZANDO AQUELE RELÓGIO QUE NÃO PODE CONTAR AS BATIDAS
DE UM PEITO QUE APRENDEU A CANTAR PRA GERAR A FLOR,
E ESQUECENDO AS NORMAS DO RELÓGIO
ESSE PEITO APRENDEU A PULSAR PARA SEMPRE,
PORQUE O TESOURO MAIS PRECIOSO DESSE MUNDO
ESTÁ NO CORAÇÃO QUE APRENDEU A CANTAR COMO O SOL…

7.
ESSE É O REAL TESOURO DE UMA VIDA
QUE NÃO PASSA INDIFERENTE DIANTE DAS BRISAS OU DAS CHUVAS,
E CONHECE O CAMINHO DE TODOS OS BARCOS NO MAR,
QUE NADA PROCURA, NEM NO CÉU E NEM NA TERRA
PORQUE ATÉ DA PROCURA SE LIBERTOU
SE OCUPANDO APENAS EM SER O QUE SEU CORAÇÃO CANTA.
QUE É FELIZ POR TER A FLOR DIANTE DOS OLHOS
E AS MELODIAS DA LUZ BRINCANDO NOS OUVIDOS
COMO CRIANÇAS NA CIRANDA DOS ASTROS,
ATENTAS ÀS ONDAS DO SOL VIBRANDO NOS CAMPOS
E AOS OLHOS DOS ANJOS NAS PÉTALAS DA CHUVA…
O TESOURO QUE É UMA PALAVRA
QUE MOVE O CORAÇÃO NO DESEJO DE CANTAR A VIDA,
E VIVER NA ESPERANÇA DE TUDO O QUE POSSA SER,
VIDA QUE PODE SER INFINITA COMO O CÉU E MODESTA COMO A FLOR,
VIDA QUE PODE SER AS DUAS COISAS AO MESMO TEMPO,
E ESTAR NA GRANDEZA DO CÉU QUE ADMIRA A BELEZA DA FLOR
E NA FLOR CUJA BELEZA SAIU DA GRANDEZA DO CÉU.
VIDA QUE ESTÁ NO CÉU E NA FLOR, NO SOL E NO MAR,
E JAMAIS NA MENTIRA DE TODOS OS RELÓGIOS
QUE SÓ SABEM CONTAR PEDAÇOS DE NADA
E NOS DIZER QUE A SOMA DE TUDO ISSO É O QUE É A VIDA…
EU ENCONTREI O MEU TESOURO E O PARTILHO AGORA,
O TESOURO QUE TEM O VALOR DA MAIOR VERDADE DESSE MUNDO,
VERDADE QUE NÃO ESCOLHEU RELIGIÕES PARA FALAR EM SEU NOME
VERDADE QUE ESTOUROU TODOS OS RELÓGIOS
QUE NÃO PUDERAM SUPORTAR SUA FORÇA DE ETERNIDADE
PORQUE O MOMENTO DESSA VERDADE DUROU PARA SEMPRE
E QUE RELÓGIO PODE CONTAR AQUILO QUE DURA PARA SEMPRE?
QUE SEGURA TODOS OS MINUTOS DA VIDA QUE SEMPRE FOI
E SEMPRE SERÁ ENQUANTO O AMOR EXISTIR.
VIDA QUE BEIJOU A FLOR DESSA VERDADE DESDE A SEMENTE DO SOL,
A MESMA VERDADE QUE, DESAFIANDO O INFINITO,
PORQUE NELE NÃO HOUVE ESPAÇO PARA CONTÊ-LA,
NÃO SE ESCONDEU NEM NA FLOR, NEM NO SOL, NEM NA LUZ,
NEM PRECISOU DE NOME OU DE REGRA PARA BRILHAR,
JÁ QUE DEUS RESOLVEU ASSIM DEPOSITÁ-LA
DENTRO DO CORAÇÃO QUE FEZ DO AMOR O SEU TESOURO
E QUE EXPRESSOU TODO O SEU VALOR
NUMA BRISA QUE SOPROU NA FLOR
E DEPOIS VOLTOU PARA O MAR…

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A ESTRADA

Por mais longa que seja a estrada,
por mais dura que seja a trilha,
não desista nunca da milha
já que a vida é breve estada
e ao merecedor, o prêmio final,
que aparece quando a prova, por sinal,
termina com seu tétrico açoite
que machuca a alma na mais negra noite,
tornando-a esquecida da luz…
mas lá vem ela, brilhando enfim,
subindo com o Sol que há em mim,
porque não existe vitória sem cruz,
e nenhuma vida sem morte…
não há qualquer azar ou sorte…
na escola da existência,
nem acaso ou coincidência…
tudo o que existe é a ciência
de que Deus está em tudo e tudo é,
e aquela perfeita e tua consciência
de que tudo é possível com fé…
e se estás de novo em pé,
é porque a fé nada mais é
DO QUE DEUS DENTRO DE TI!

 

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JP em 11.02.2019

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