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O Universo Metafísico de Caim e Abel

O Universo Metafísico de Caim e Abel

Uma das passagens mais significativas do Velho Testamento relata a existência de dois irmãos, um ciumento (o mais velho, Caim) e o outro, dócil e obediente aos seus pais (o mais novo, Abel), e que foram os primeiros “irmãos” constituídos da raça adâmica (os filhos de Adão e Eva).

E o irmão mais velho, por ciúmes, matou o irmão mais novo, que foi tomado como um modelo de protomártir da raça humana, enquanto Caim recebe o título de “o primeiro homicida”.

Depois do ocorrido, Caim é banido de todas as terras e, ao que parece, se refugia no mundo subterrâneo, e ali conhece “outra raça” (incluindo esposa) e constrói uma grande cidade. Veja essa passagem:

“Eis que hoje me lanças da face da Terra, e da Tua Face eu me esconderei, e serei fugitivo e vagabundo na Terra, e todo aquele que me achar, me matará”
Gênesis 4: 14

Ora, se Caim era amaldiçoado entre todas as nações da Terra, e quem o encontrasse, o mataria, qual o único lugar onde ele poderia recebido e tomado como líder?

São passagens que recriam os mitos do Anjo caído sob a perspectiva dos passos de um homem encarnado nas origens da nossa civilização: Caim era a forma “humana” ou a personificação de Satan?

Isso porque estas e outras passagens nos localizam um único refúgio para Caim: o submundo, como se, ANTES DE ADÃO E EVA no Éden, já houvesse uma civilização marginal, localizada na periferia do reino, no submundo, conforme todos os mitos reunidos dos povos antigos acerca da existência do Submundo sob diversos nomes, Inferno, Hades, Tártaro, Sheol, Xibalba, Tuat, etc, civilizações e reinos abaixo da superfície da Terra, habitados por seres diferentes de humanos – pelo menos os humanos que nós conhecemos.

Isso ressuscita as velhas teorias de raças habitando no inframundo, desde os mitos dos Anjos caídos e suas moradas nos mundos inferiores. Teorias extraterrestres também encontram eco aqui. Até que ponto o filho banido Caim se relaciona com supostas raças extraterrestres involutivas habitando o submundo, antes mesmo do reino de Adão e Eva, justificando a “esposa” de Caim?

Em outra passagem do mesmo Gênesis 4, um descendente de Caim chamado Tubalcaim é relatado como mestre na forja de metais. Os mitos paralelos associam os forjadores de metal aos seres do submundo, deuses coxos, ou semi-deuses, como Vulcano, ou ainda, anões, cíclopes e demônios, inclusive. O próprio nome Caim significa “lança”, uma arma de forja.

A grande cidade edificada por Caim, em homenagem ao seu primeiro filho, Enoque, seria na verdade, uma cidade subterrânea?

Ora, se Deus baniu Caim da face da Terra, qual o único lugar onde ele poderia ser acolhido sem ser morto, conforme a maldição sobre ele lançada por YHWH?

Seria essa a chave bíblica para compreendermos o pólo oposto bíblico, Apocalipse, no capítulo 9, que mostra a abertura do abismo e uma raça poderosa semelhante a gafanhotos (greys) emergindo de lá em naves e artefatos tecnológicos de destruição, no final do grande ciclo, como parte das revelações finais que antecedem a Grande Batalha, quando os exércitos da Luz e das Trevas se conhecerão no confronto?

Será que a humanidade conhece mesmo a totalidade de seus inimigos e a extensão dos agentes de oposição e escravidão, quer no mundo físico, quer no plano invisível?

Enquanto isso, Adão e Eva tentavam se reconstruir como família após a perda de Abel, gerando o terceiro filho, SET, aquele que daria continuidade a genealogia humana até os nossos dias, conforme o Gênesis 5 e a lista dos patriarcas anteriores ao Dilúvio, enquanto a linhagem HÍBRIDA de Caim se multiplicava nos mundos inferiores…

Na verdade, a história de Caim e Abel não é nada original. Muitas partes da Bíblia são adaptações de fragmentos mitológicos de culturas anteriores ao próprio Moisés, e no Egito, familiar a Moisés, encontramos um mito paralelo muito parecido: a rivalidade de Seth com Osíris, irmãos. Como o relato bíblico, Seth invejava o posto de Osiris, o líder supremo do Egito, e o matou, movido por inveja. Seth era um deus-demônio em forma de cão, habitando o deserto. O termo SATAN provavelmente tem alguma relação com SETH, já que as características deste rival de Osiris são muito similares ao Anjo rebelde cuja tradução (Satan) no hebraico significa O OPOSITOR ou Acusador.

Nos mitos greco-romanos, Saturno é o deus do tempo e do caos, um deus primordial, filho de Urano, o céu, e devorava seus filhos, para lhes impedir de subirem ao seu trono. Interessante a relação com o deus Júpiter, um dos filhos de Saturno, o grande líder do universo organizado (cosmos), que conseguiu destronar o pai e baní-lo, libertando seus irmãos e trancafiando os titãs no Tártaro. Saturno, Seth, Satan, a linha de construção mitológica é bastante similar.

Há também, e em muitas passagens do Gênesis, páginas cosmológicas em outras alegorias. A primeira concepção de muitas passagens bíblicas certamente é cosmológica.
E depois, extraterrestre.

Caim, o filho rebelde, foi o primogênito de Adão e Eva. E Abel, o filho segundo. Não eram gêmeos. O que significa que Caim representa as forças do CAOS, que realmente antecedem as forças do COSMOS no plano da Criação, e o CAOS tem que possuir mesmo esse caráter destruidor, aniquilador, rebelde e “satânico” (Anjo do fogo, do caos, da destruição e da morte, contrário às leis) para dar espaço ao Cosmos, que significa a ordem, o equilíbrio, a beleza e a harmonia estabelecida (Abel). E no entanto, o Caos deve ferir o Cosmos para que tudo se reinicie e se renove.
Antes de mais nada, essa é uma alegoria cosmológica.

Os Sete Dias da criação são, todos eles, páginas de uma epopéia cosmológica ainda não totalmente decifrada pela corrente de pensamento mais correta, a corrente do Criacionismo Evolucionário, que concorda com a alegoria de Caim e Abel, já que, no princípio, era a escuridão e as águas do caos cobrindo o vazio. Nada havia. Era algo anterior ao próprio Caos, que só podemos definir como NADA – no sentido de incompreensível para nós e indefinível para nossas palavras e conceitos racionais.

Imediatamente após esse estado anterior indefinível, uma faísca acende a revolução (Big Bang) e então o Caos, primeiro filho, se levanta com força, tudo é fogo, tudo é explosão e matéria indiferenciada numa dança frenética de Shiva, o Destruidor, preparando os caminhos do Cosmos, o Segundo Filho, que surge quando as galáxias de definem, quando as estrelas se estabilizam e os mundos se equilibram em órbitas regulares, assumindo condições para a vida orgânica e, mais tarde, a vida consciente e inteligente.

Lembrando que o primeiro Anjo. Lúcifer, é tomado como um ser rebelde, precipitado no submundo de fogo, dor e caos, enquanto o Cristo, este seria a segunda Entidade do Mistério divino, relacionada ao Verbo e a Organização cósmica sob seu poder.

O primeiro signo é Áries, um carneiro impetuoso, signo de fogo e grito de guerra, o caos, enquanto o segundo signo, Touro, é a estabilidade da terra florida e perfumada e dos pomares carregados aos sons da harpa e dos cânticos dos Anjos. Finalmente, Gêmeos, o terceiro signo, concilia os opostos: a Dualidade encontra o laço, a conexão dos extremos. Interessante associar o caos ao primeiro Ato Universal (Emanação), o Cosmos ao segundo (criação) e finalmente o Ciclo ou Movimento ao terceiro (Transformação), algo que a religião cristã interpreta como três forças divinas, Pai, Filho, Espírito Santo.

A alegoria do segundo filho é interessante nas passagens bíblicas. Abel foi o segundo filho e, depois de sua morte, nasceu SET, o terceiro filho, o conciliador (analogia anterior com o signo de Gêmeos).
E Abel, relacionado ao segundo signo, Touro, sendo sacrificado, nos reporta aos diversos cultos antigos do sacrifício do Touro, como os mitos do deus Mitra.
E Caim, o agente sacrificador.

Ainda no Gênesis, temos outras passagens significativas, por exemplo, sobre os gêmeos de Rebeca, Jacó e Esaú, e os gêmeos de Tamar, Peres e Zerá. Mitologias sobre os gêmeos primordiais existem em toda parte, elas ganham muito destaque nos mitos pré-colombianos.

Curioso é o registro dos gêmeos de Tamar e a forma como estes gêmeos nasceram (Gênesis 38: 27-30), repleta de significados ocultos.
Um dos filhos, antes de nascer, aquele que seria o segundo, apenas coloca a mão para fora do ventre, a qual a parteira amarra um cordão vermelho. E depois, este filho guarda sua mão para dentro. Então saiu o primeiro filho, que por ter rompido o ventre de sua mãe, foi chamado Peres. Só depois saiu aquele filho, o segundo, com o cordão vermelho atado à mão, que foi chamado de Zerá.

Peres significa “abrir”, “romper”. E Zerá significa “surgir”, “aparecer”, “brilhar” (a luz).
Creio que essa passagem é a chave para se compreender o simbolismo dos gêmeos e, por extensão, dos dois primeiros filhos nas relações com os dons da primogenitura e a missão estabelecida para cada um.

O primogênito, ou primeiro filho, é o que se destaca por abrir o caminho no nascimento (de gêmeos), mas o que brilha, o que realmente manifesta a beleza da luz, é o segundo, o Cosmos, para o qual o primeiro filho (caos) abriu caminho. O Universo é o ventre materno, tanto que o nome da mãe deles, Tamar, vem da árvore Tamareira, símbolo da Criação.

É como se o Caos, mesmo sendo o primeiro, não se sobrepõe ao papel fundamental do segundo filho, que é o de brilhar, ou de manifestar a CONSCIÊNCIA DA CRIAÇÃO, espelhada na perfeição do Cosmos, e para esse propósito é que a Criação converge como um Todo, para o qual as revoluções caóticas da matéria e da energia são apenas um canal de expressão ao que mais importa, a manifestação e a evolução da vida inteligente e do aprendizado da consciência ascendente!

Ainda no Gênesis, Isaac foi o segundo filho de Abrahão, donde nasceu Jacó, outro segundo filho de grande destaque, que gerou as doze tribos de Israel, numa transmissão de missão entre os segundos filhos de cada geração. Abrahão, que teve outros irmãos, provavelmente foi o segundo filho, embora isso não esteja especificado.

Lembrando que o primeiro filho de Abrahão foi Ismael, irmão mais velho de Isaac e somente por parte de pai, e Ismael era um homem rude, que viveu no deserto.
Esaú, o primeiro filho de Isaac e irmão de Jacó, era igualmente um homem rude, caçador que nasceu peludo e que mais tarde perdeu o direito da primogenitura para Jacó (eram gêmeos) por causa de uma estratégia de sua mãe, a quem Jacó era muito afeiçoado. Aliás, os gêmeos Jacó e Esaú já começaram lutando dentro do ventre de sua mãe Rebeca, outra passagem cheia de símbolos ocultos.

Esaú nasceu como um animal peludo, e Jacó, liso. Essa ilustração peludo como um animal, ou liso, parece uma alegoria da evolução da humanidade, e fala das raças que vão se refinando, se tornando menos animalescas e mais racionais e espiritualizadas. Jacó seria o selo dessa evolução espiritual, e por isso, se tornou o pai das doze tribos de Israel, ao sustentar a luta com o Anjo de Deus.
Esaú tentava rebaixar Jacó com seus pés, símbolo da força bruta, mas Jacó segurava o calcanhar de Esaú e o sustinha com as mãos, símbolo da racionalidade superando o instinto. Não foi a Virgem Maria que pisou a cabeça da serpente, a mesma serpente que feriu o calcanhar dos fracos e dos que cederam à tentação do fruto proibido?

Jacó representa portanto a própria evolução ou refinamento da nossa natureza animal, a sombra da psicologia, e é ajudado pela Mãe, o elemento Feminino da divindade, a Sabedoria do Amor, a Instrutora dos deuses, e Esaú representa essa sombra, esse humano animalesco que nasce antes e vive na nossa própria raiz psíquica, sempre tentando subjugar o humano espiritual (também em nossa raiz psíquica) com os pés e a força instintiva, mas Jacó, nome que significa “enganar”, “usar de inteligência”, expressa a natureza superior dentro do homem que prevalece nessa batalha interior, quando a Mãe Sagrada (Rebeca, “aquela que liga”) entra em cena e favorece seu filho em tudo… tal como a mãe de Zeus (Júpiter), Réia, o favoreceu, enganando Cronos (Saturno), o esposo, ao lhe dar uma pedra em vez do filho para engolir… tal como as tantas vezes que a Virgem Maria precisou fugir com seu filho do rei Herodes e dos romanos para permitir que Jesus Cristo amadurecesse para a sua sagrada missão!

E no paralelo com Caim e Abel e a rivalidade de Seth com Osíris, o mesmo acontece, é como se Caim representasse a natureza humana inferior, animalesca, cobiçosa e com sede de poder, enquanto Abel é a sua refinação, a natureza humana racional e consciente, que transcende a condição de humano para angelical ou divino através do Sacrifício, da doação, desapego e do serviço desinteressado, tirando a existência do foco do EGO (ilusão) e colocando-a no foco do AMOR (Realidade). E enquanto a natureza animalesca de Caim o faz retornar ao pó, o sacrifício de Abel lhe abre as portas para a condição imortal, perdida por seus pais no Éden, vitimados pelo veneno da serpente, o qual Caim propagou adiante… mas não Abel!

A ideia central de toda essa temática é que o humano primordial é filho da matéria, da energia, da geração sexual comum (mortal), expressão original e rude da Vida instintiva, enquanto que o humano espiritual refinado é filho do aprendizado e da evolução da consciência através do Conhecimento e da geração dos Anjos (a Palavra), dentro da transcendência da própria Vida, que resgata a condição de Imortalidade na vitória da luz dentro dessa batalha entre os dois irmãos ou duas forças antagônicas dentro da mesma alma encarnada!

Moisés, o segundo filho (o irmão mais velho era Aarão, o Sumo sacerdote) recebeu a maior responsabilidade em sua missão de libertação dos hebreus e a constituição da nova nação, Israel, em doze tribos organizadas segundo a Nova Lei.

De igual modo, Jesus foi o segundo “enviado” dos céus em concepção sagrada e missão assinalada, porque João Batista veio antes dele, a lhe preparar os caminhos, e era um profeta rude, que vivia isolado no deserto.
As imagens são paralelas aos modelos anteriores do Velho Testamento e nos remetem a um mistério ainda maior.
Não disse João sobre Jesus: “é necessário que ele cresça e que eu diminua”…?

Alegorias cosmológicas, porque Caos e Cosmos são irmãos combatentes que não podem coexistir sob o mesmo espaço e leis atuantes. Pelo menos dentro do nosso Universo fortemente marcado pela Dualidade. Talvez coexistam na origem de tudo, a Unicidade.

Provavelmente o filho pródigo e rebelde da parábola cristã era o primeiro, enquanto que o filho obediente, que nunca abandonou o pai, era o segundo.
O conceito de Deus como Destruidor completa aquele mais conhecido, Deus Criador, já que um não existe sem o outro. O Universo evolui através da Transformação cíclica.

Contudo, dentro do caráter teológico, é como se o segundo filho (Abel) tivesse uma conexão mais forte com a entidade divina MÃE (Eva), enquanto o primeiro filho(Caim), com a entidade divina PAI (Adão), e era tradição, e ainda é, que o pai transferisse todo o seu status profissional ao primeiro filho, numa espécie de continuidade de legado.

Mas, naquele aspecto teológico, ambas as entidades Pai e Mãe sendo DEUS em duas dimensões distintas da Espiritualidade, necessárias e mesmo inseparáveis, articulando poderes e emitindo atributos aos dois filhos do Universo: O Caos e o Cosmos.

Ou seja, enquanto o primeiro filho carrega o temperamento do Pai, em sua potência desbravadora de fogo, explosão e energia, cenários do CAOS abrindo caminho para a Criação, o segundo filho traz os dons da Mãe, relacionados com a própria cosmologia final como um todo, organizando a matéria, equilibrando a energia e dispondo a harmonia de todas as coisas, quando o grito da explosão do Caos é substituído pelo Canto do Verbo Criador, Verbo da transposição da Mente Divina e seus arquétipos de conhecimento para as formas do Universo, que é o espelho da luz e o vaso da sabedoria.

Isso é bem verdade, por exemplo, na relação íntima entre Jacó e sua mãe, e o próprio Jesus Cristo e todo o destaque dado a Virgem Maria, porque seu pai adotivo, José, não viveria muito tempo para acompanhar a missão do Filho de Deus. O Evangelho não começa em Jesus, mas começa em Maria. A Criação é finalizada pelo Filho
(o Verbo) no cenário cósmico onde predomina a Sabedoria implícita ao Eterno Deus Feminino… o Infinito é esse Ventre da Deusa, como Graal transbordante de Sabedoria, fecundada pela semente vital de Deus Pai.

Afinal, não é no ventre materno que a vida completa suas estações antes de sair à LUZ e assumir vida plena?

Tudo isso nos leva a refletir mais sobre muitas passagens bíblicas, alegorias de uma ciência profunda e verdadeira, que pode servir tanto para explicar os caminhos do Universo em mutação como para ilustrar todos os dilemas e mistérios da natureza humana e espiritual, completando-se sem se confundir. Porque o que está fora é espelho do que está dentro.

JP em 24.01.2019

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