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O Segundo Sol esteve todo esse tempo registrado na Pedra Asteca

Primeira parte: A Identidade das serpentes de fogo

A Pedra Asteca do Sol, tesouro arqueológico do acervo pré-colombiano, repete as mesmas coordenadas do famoso Calendário Maia, além de compor um magnífico modelo estilizado do sistema solar com suas órbitas planetárias, e ambos os calendários análogos computam o tempo na forma de ciclos encadeados, desde o ciclo da própria Terra (dia/ano) e o da Lua, até os ciclos dos planetas do sistema solar (Saturno), considerando também algumas estrelas notáveis em destaque, como as Plêiades (na cabeça das serpentes), bem como a representação da Galáxia nas suas bordas (segundo normalmente se interpreta), totalizando um conjunto de oito círculos concêntricos a partir do Sol central (Tonatiuh, nosso Sol) e compondo uma espécie de relógio solar-planetário complexo cujos mecanismos descrevem todos os fenômenos conhecidos (e desconhecidos!) e também estariam por trás de toda a evolução cósmica da vida contida na espiral do tempo.

Quatro selos em “X” envolvem o Sol central e mostram as quatro eras ou sóis anteriores ao atual. Ao redor destes quatro sóis, temos os 20 selos do Calendário (também os 20 dias do mês solar), que pode sugerir, na ordem exposta, a relação com a órbita de Mercúrio.

Ao redor deste, a estrela de oito pontas, chamada Lamat, o selo 8, e a relação com Venus, fundamental nos cômputos do Calendários devido ao seu ciclo sinódico. Tem oito pontas porque 8 anos terrestres equivalem a 13 anos venusianos e, curiosamente, a proporção 13/8 (1.625) nos aproxima do número Phi e os números 8 e 13 aparecem na sequência de Fibonacci.

Ao redor deste, o círculo representando o planeta Marte, mais o círculo representando o planeta Júpiter, e finalmente, o círculo de Saturno, completando os sete céus da antiguidade, e todos cobertos pelo oitavo círculo ou céu, chamado céu das estrelas e composto por duas serpentes, as Xiuhcoatl, ou serpentes de fogo, que se interpreta normalmente como sendo os arcos da Via Láctea e um signo de dualidade cósmica, uma espécie de conceito Yang-Yin pré-colombiano.

Claro, existem outras maravilhosas leituras astronômicas nessa pedra, combinadas aos mitos da Mesoamérica e seus deuses e forças personificadas, contudo, vamos nos concentrar nestas duas serpentes que ornam a borda da Pedra-Calendário: as Xiuhcoatl, a chave da solução do sistema solar binário.

Analisando com cuidado, vemos que o modelo dessas duas serpentes não se relacionam exatamente à dualidade universal como geralmente ela é interpretada, ao estilo Yang Yin, até porque, no símbolo do Yang Yin, as duas ondas seguem direções inversas e nunca se encontram, permitindo o fluxo equilibrado. Mas na Pedra Asteca é diferente: note que as duas serpentes saem de um mesmo ponto, no topo da pedra, e seguem para um mesmo lugar de encontro… como se estivessem realmente se aproximando uma da outra ao longo do tempo em curso marcado pela pedra – que, afinal, é um calendário, e se é um calendário, marca o ciclo do encontro destas duas serpentes, e do que elas representam. E por estarem no último círculo, é como se o ciclo de encontro delas cobrisse todos os ciclos planetários menores, representados nos círculos inferiores.

E que esse encontro é justamente o que parece acionar as chaves do calendário, como engrenagens de um relógio e ponteiros que se alinham na hora marcada no tempo: afinal, o sentido dos alinhamentos planetários parece mesmo concordar com todos esses círculos concêntricos ajustados (para 2012) representando os planetas, com o Sol no centro e, nas bordas, as duas serpentes de fogo em aproximação! E ainda que não se veja o segundo Sol no céu, os seus efeitos já são patentes há alguns anos.

 

Porém, o termo Coatl, além de serpente, significa também GÊMEO. Assim sendo, se “Xiuh” significa principalmente “Fogo” (e também, ano e turquesa), qual o entendimento para Xiuhcoatl = Gêmeo de Fogo?

Sendo que uma destas serpentes é o próprio Sol, Tonatiuh? E a outra é chamada Xiuhtecuhtli, que significa “Senhor do Fogo”, o deus asteca do fogo que teria presidido o nascimento do Sol, enquanto Tonatiuh é o nosso Sol, e significa “aquele que vai irradiando”.

Sobre Xiuhtecuhtli, se trata de uma divindade primordial que, como o Sol, lançou os quatro fundamentos da Terra. Ou seja, ele estava lá, como testemunha das origens do nosso sistema planetário, e se pensarmos nas origens de tudo, ela começa exatamente no embrião do Sol ao lado de outro foco estelar, naquelas nuvens de hidrogênio e poeira cósmica… os atributos, portanto, destas divindade gêmeas solares da Pedra Asteca conferem perfeitamente no conjunto com uma descrição cosmológica do nascimento de um sistema solar binário, envolvendo posteriormente a criação dos planetas conhecidos.

Inclusive em várias representações, tanto a Serpente de fogo Xiuhcoatl como o deus do fogo, Xiuhtecuhtli, são representados como cometas e asteróides, objetos ardentes com cauda de fogo, o que poderia perfeitamente ser uma retratação astronômica dos efeitos de Nêmesis em aproximação (chuva de asteroides) além de Ollin (terremotos por causa dos alinhamentos), e do sentido de ejeções solares intensas (a boca do Sol central Tonatiuh aberta, com a língua de fora).

Não faz muito sentido, então, associar estas duas serpentes de fogo a um mero arquétipo da dualidade Yang-Yin sem qualquer identidade cosmológica velada, pois se trata de duas entidades idênticas, relacionadas ao fogo e a energia solar/estelar e abraçando os planetas e intensificando efeitos nos tempos cíclicos de sua aproximação.  Dois sóis.

Duas serpentes cujas caudas (origens) saem de um mesmo ponto (13-Acatl, topo da pedra) ou a representação das duas estrelas nascendo duma mesma nebulosa primordial, parte da Via Láctea? É o que faz mais sentido.

Lembrando que o número 13, para os astecas e maias, tinham um sentido de alinhamento de energias cósmicas direcionadas à transformação ou morte (como no Tarô, Arcano 13, a Morte), e também um sentido de “porta”, além de retratar os 13 setores do céu, de Leste a Oeste, onde o Sol e os astros desfilavam, como se o céu fosse mesmo um túnel (o corpo oscilante da serpente) ou um corredor no qual todos os astros fazem fluir essas energias que, quando alinhadas, ganham reforço de impacto sobre a Terra (por isso, o selo 13 se chama Acatl = Cana, por onde a água flui). A morte como porta ou passagem de um estado para outro não é um conceito novo para nós.

A cascavel, por trocar anualmente de pele, também era vista dentro dessa simbologia de renovação cíclica. E que o mítico Quetzalcoatl asteca (análogo do Kukulkan maia), o pássaro-serpente, era a encarnação dessa lei de renovação, quando a cobra (13, transformação) conduzia ao renascimento (20, Flor, o último selo do calendário).

A imagem mítica de Quetzalcoatl não se aplica somente aos arcos da Iniciação humana, ela também tem profundas implicações cosmológicas envolvidas dentro da complexa cultura pré-colombiana, e eles já conheciam o conceito de alinhamentos e ondas gravitacionais correndo o universo em túneis, em wormholes (vermes, cobra, a imagem da cana-13) e abrindo portas para as dimensões!

Afinal, o que uma serpente que voa pode significar de mais elevado aqui? Lá, no extremo Oriente, os asiáticos já cultuavam o seu Dragão do Bem e da Sorte, a mesma Serpente alada dos índios americanos…

Então, aquelas duas serpentes gêmeas na pedra asteca também ilustram os braços da Galáxia onde se localiza a nebulosa primordial na qual o nosso sistema solar binário nasceu!

A propósito, na cabeça das serpentes existe a representação da constelação das Plêiades e, entre outros sentidos existentes, pode ser uma sugestão de localização e direção do segundo Sol (na região da constelação de Touro). Quanto ao ciclo de Nêmesis (órbita) costuma se falar em 25.920 anos, numa duração que coincide com a Precessão dos Equinócios e o giro das Eras. Mas nada ainda foi determinado; alguns estimam que o segundo Sol tenha um tempo de órbita na casa dos milhões de anos, o que tornaria o evento do retorno de Nêmesis o fenômeno astronômico mais raro do nosso sistema solar em nosso tempo!

Assim sendo, mais que o disco da Via Láctea ou um simples signo de Dualidade cósmica, como normalmente se interpreta, estas duas serpentes de fogo nas bordas da Pedra do Sol, abraçando as órbitas internas dos planetas conhecidos ali representados, significam sim dois gêmeos do Sistema Solar Binário, ou seja, o Sol, Tonatiuh, “aquele que irradia” e Nêmesis, Xiuhtecuhtli, “o Senhor do Fogo” ou “Senhor Turquesa”, quem sabe com alguma pista associativa entre a cor turquesa e a misteriosa estrela anã oculta nos confins do sistema solar (retratada na borda da pedra).

Outra pista: o nome de Xiuhtecuhtli, além de “Senhor do Fogo”, se associa a palavra “Xihutli”, que significa ANO, sendo também associado ao tempo, aos ciclos e ao calendário… ou seja, temos duas serpentes, uma serpente de fogo fixa, no centro do Sistema, irradiando, e outra serpente de fogo móvel, cíclica, retratada com cauda de fogo (como um cometa) e associada ao sentido do tempo e do retorno (ciclos), sendo que esse ANO seria o Ano de Nêmesis, em seu período de órbita, quando o Senhor do Fogo retornava nos céus e se unia a serpente fixa (Sol) em abraço gravitacional, gerando todos os eventos que marcam o tempo da grande transformação.

Dois campos de onda gravitacional em movimento de aproximação, abraçando todos os planetas do sistema solar binário a partir do nosso Sol central, e tudo isso ligado a ciclos, alinhamentos e disparos de energia gravitacional, especialmente na época do reencontro dos dois sóis dentro do sistema planetário que governam!

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