O que o trabalho do Sistema Nervoso tem a ver com Iluminação?

Toda e qualquer impressão do mundo exterior que alcança os nossos sentidos, em diferentes campos de energia, como energia luminosa (visão), energia sonora (audição), energia mecânica e térmica (tato), energia química (tato, diversos), etc, todas elas são convertidas em energia mental a partir de seus receptores nervosos, e através do trabalho de conversão de energia pelo Sistema Nervoso, ou seja, o Sistema Nervoso total capta, através de seus sensores nervosos, todo tipo de energia ou impressão energética do mundo externo, e para que o cérebro interprete tudo isso na forma de imagens, sons, sabor, cheiros, calor, frio, pressão, etc, e todo o tipo de informação via sentidos que nos ajudam o corpo de conceitos de nossa consciência sensorial, o sistema nervoso precisa converter todas as impressões externas em impulsos elétricos que envia ao cérebro, para que este realize a decodificação final.

Ou seja, entre todos os muitos sistemas do corpo físico, o Sistema Nervoso é o que provavelmente gasta mais energia para realizar essa transferência de impressões de energia do mundo exterior, como ponte entre a existência física e a consciência psíquica em função de todas essas impressões recolhidas lá fora.

Além desse trabalho com as impressões do mundo exterior, o Sistema Nervoso precisa comandar o funcionamento de todos os outros sistemas corporais, além de administrar as sensações internas de prazer e dor que regulam a atividade dos instintos (comer, dormir, trabalhar, reprodução) ou a detecção de doenças e outros desarranjos internos em função de abusos, excessos cometidos etc.

E como vimos antes, não existe um mecanismo instintivo de prazer que exija um maior trabalho de conversão de energia nervosa do que o orgasmo, nomeado de “pequena morte” em função disso: é como se ele submetesse o sistema nervoso a uma morte temporária na sua enorme demanda de energia vital e mental.

Tudo isso sem contar nos tremendos desgastes do sistema nervoso total quando o corpo físico está doente, ou quando a mente está acometida de stress e de todo tipo de emoções negativas, pelo que a disciplina completa do monge deve abarcar, além do controle físico, o controle sobre emoções e pensamentos.

Cientes disso, é que os discípulos da via ascética e monástica das antigas e modernas Ordens de Mistério propunham, com sua rígida disciplina, economizar o máximo de energia vital possível, e com a sua metodologia de trabalho mental e corporal, transmutar diariamente o máximo possível da energia economizada.

Todo aquele estoque diário de energia vital que eles conseguem guardar pelo exercício da abstenção sexual e moderação em tudo (comer, dormir, trabalhar), completando o grupo da cruz dos instintos na flor de quatro pétalas do chakra-raiz, eles então transmutam diariamente através das técnicas conhecidas para expandir o campo experimental das percepções mentais, conquistado por esse trabalho regular.

Não só estocar energia, mas o exercício do controle da respiração injeta grande energia no corpo, no fundo vital-nervoso, e por ser um ato tão simples, tão eficiente, e que exige um mínimo de energia do discípulo para ser realizado (diferente das ações do instinto, que sempre gastam muita energia vital) é que a respiração se torna a chave central dessa metodologia.

Como disseram as Escrituras, o Espírito de Deus entrou em nosso corpo e nos deu vida e consciência no primeiro ato de respirar, e continua fornecendo todo o mesmo, e por isso, quem trabalha a respiração, trabalha o espírito dentro de si!

Agora, se não houver um estoque diário de energia vital armazenada no fundo vital do corpo físico (precisamente, no Kundalini), por meio da moderação e abstinência, com que material os monges transmutariam?

Sendo assim, todo esse estoque vital diário é que se armazena na forma de um potencial elétrico-nervoso na base da coluna vertebral, e sobre ela é que todas as práticas são direcionadas, promovendo a sua movimentação até o cérebro, o que causa a expansão das faculdades mentais de um modo geral.

E se esses monges se separam da humanidade, é porque a humanidade segue na via oposta, ou seja, na dissipação total da energia vital em ações físicas voltadas o tempo todo para o prazer, o que as torna a cada dia mais fracas, mais doentes, cansadas e adormecidas, porque lhes falta o azeite nas sete lâmpadas do sistema nervoso.

Por todas estas coisas é que a conduta dos monges e ascetas da vida de retiro, muito além de parecer uma mera e despropositada mortificação física, é na verdade uma estratégia disciplinar altamente inteligente e especializada para obter a Iluminação através da expansão do campo mental, obtendo o rendimento máximo do Sistema Nervoso exposto ao menor trabalho útil.

Os discípulos esclarecidos sobre os mistérios da máquina humana sempre souberam que o prazer físico e, pior, o vício nos prazeres físicos, são os grandes vilões da senda da iluminação, e por isso eles nunca fizeram do prazer físico o centro de gravidade de suas breves mas bem vividas existências, e sim, a busca de iluminação e auto-conhecimento, que conferem a libertação da roda de ilusões chamada Tempo e de tudo o que ela abarca, isento de realidade perene porque carrega o estigma da efemeridade.

E nessa conduta, eles não medem esforços, paciência, fé e inteligência, cientes de que, após a morte, ascenderão aos reinos espirituais do Nirvana e da felicidade.

Se você não construir em vida as suas asas, simplesmente morrer não lhe tornará habitante dos céus de Deus.

Sim, estes são os que se fazem sábios sobre a Terra, enquanto o resto da humanidade continuará correndo atrás de sombras e lutando pelas migalhas de uma vida isenta de sentido quando assim vivida, sempre surda aos ensinamentos daqueles que sempre nos mostraram como fabricar asas…

JP em 19.02.2020

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