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O FILHO DE DEUS (POEMA)


O FILHO DE DEUS

I

O Filho de Deus que Eu Sou
recria as galáxias que dançam no pensamento
ao som da Música das Esferas,
ressonância pura entre o que vibra no peito
e o que cintila nas Alturas,
como estrelas que bailam com seus pares,
e corações que, da Onipresente Melodia Eterna extraem raros aromas
e santas inspirações,
em Rosas Cósmicas que exalam gloriosos êxtases
e inebriam a alma nua no Divino Amor,
Estesias Siderais
num sonho de Auroras Boreais…
E quando eu me equilibrar nos Equinócios,
nem os Invernos me farão indiferente
e nem os Verões me consumirão em devastadoras paixões,
estas que roubam a serenidade das órbitas regulares da mente
e assassinam a paz do doce conselho dos pulsares amigos e distantes
e de toda luz no Centro entronizada da Verdade.
A Primavera assim durará em meu planeta para sempre
como um colo quente, seguro e doce de Amorosa Mãe,
esse Útero-Espaço que dá Luz à luz de todas as estrelas!
Porque, no Centro da Cândida Rosa
contemplei o baile dos cálidos Astros,
florescendo em manhãs de alegria perfeita e gozo eterno
e descobri o segredo do Motor contínuo das Rodas
ao eixo duplo cruzado no Centro do Fogo.

II

O Filho de Deus que Eu Sou, nas estrelas,
conhece cidades de reinos distantes,
domínios de um quântico povo
em castas de prótons e elétrons, felizes casais,
e os nêutrons, seus sábios anciões,
no conselho dos núcleos,
mas nos jardins e campos externos,
partículas brincam, infantes que são,
atrás das muralhas das altas moléculas,
ainda inocentes dos segredos da matéria mais densa do mundo lá fora,
urbanas moradas mais tristes pelo cinza que predomina,
e mais confusas pela surdez que aumenta.
Felizes espíritos elementares atrás das muralhas,
muralhas que guardam todas as famílias pequenas
em suas cirandas de cordas e fantasias pueris…
e além daqueles muros altos e densos
de moléculas rodando o perímetro de suas vilas,
como sentinelas armadas e incansáveis,
pousadas existem para os pés cansados,
e que abrem os seus portais para peregrinos como eu,
estes que somente estão de passagem,
na eterna viagem em busca do Conhecimento.

III

O Filho de Deus que Eu Sou deseja estradas maiores
que se abram para além dos Universos Paralelos
unindo os dois mundos no fabrico de pontes de arco-íris,
sobre a garganta do tempo assim sustida pelos braços fortes de Atlas,
quando a Grande Deusa se despe de todos os seus véus
e concebe, no ato do mais puro e transcendente amor,
a toda vida que corre no espaço dos seus céus de diamante,
corôa de Urânia Musa,
lá, onde as estrelas encontram o vasto manancial no qual bebem
e, saturadas, explodem e morrem,
completando a Sinfonia da Criação com o seu acorde final,
o canto do cisne dourado sobre as águas escuras,
deslizando pela última vez sobre os berçários siderais
antes de respirarem novamente no choro dos recém-nascidos
que saem a luz pelo mesmo útero sagrado, espaço zero da vida e da morte
conjugando claridade e trevas num mesmo cenário de ciência oculta…

IV

Inalcançável Estado de Ser,
onde todas as máquinas falham,
todas as rodas emperram,
todas as lentes distorcem,
todos os canais entopem,
e tudo o que é matéria tem simplesmente o seu efeito anulado
e sua existência questionada.
E naqueles universos, eu entregarei a este acorde puro toda a minha vida
que, retemperada em suas forjas de fogo e estesia,
me tornarão pronto para seguir a jornada celeste
sem o risco de tropeçar em cometas
ou cair em buracos negros,
perdendo a tranquila Comunhão com a Presença da Presença,
que me juntou ao seu peito com um sentimento gravitacional.

V

E quando eu morei naquele peito,
o Filho de Deus que Eu Sou conheceu o Amor na sua sede original,
jardim pulsante de todas as flores,
aquarela-tinta de todas as cores,
pintando as formas, cantando as odes,
liturgia das musas e dos anjos em seus sacros acordes,
entregando o Beijo Santo do Pai da Vida
à Mãe da Luz
num festival sagrado que, do lado de cá,
os exilados filhos do pó interpretam erradamente,
vendo apenas sombras, porque sombras
é tudo o que eles têm na mente…

VI

Lira perfeita de insondáveis Cordas!
Esticadas Cordas nas alturas da Criação
que humanas mãos jamais tangeram,
fazei soar a Música de Vossa Partitura,
aprumada sobre os ombros dos Anjos,
permita que o meu sonho assome em tuas notas,
e quando o homem que eu sou ouvir da Melodia,
saberá que SOL ele será algum dia,
revendo o próprio rosto feliz no espelho das Nebulosas,
rosto que o Magistral Demiurgo, Artista Maior,
redesenhou na névoa das minhas Páscoas,
névoa que subiu do meu pó e das minhas lágrimas,
sempre que Adão tornava ao seu destino fatal,
pela força de Ordem da Palavra da Lei,
buscando a redenção em dores passageiras
se comparadas às alegrias infinitas…

VII

E este rosto sorrirá com gozo às lentes dos telescópios,
e falará palavras de felicidade aos radares,
vibrando ondas de deleite cósmico que alcançam as elétricas praias do entendimento,
porque um magnético dipolo de asas me fez voar
para muito longe da densidade, para o etérico reino,
o alcandorado reino de Apolo,
mas antes de partir,
o Filho de Deus que Eu Sou falou de Deus aos outros,
estes que, ali, nas mesmas praias dispersas do Mar-Infinito
buscaram as mesmas respostas que eu,
e quando os seus olhos contaram as estrelas do céu,
como que procurando a sua própria morada entre tantas,
como quem procura o seu lar em terras distantes e estranhas,
solitários, atraíram luzes de flamígeras ânsias que no espaço fervilham,
voando rápidas no sopro de querubins insones,
estas mesmas luzes que coroaram suas auras de revelações
e fecundaram suas almas de um desejo de busca interminável…

VIII

E lá, nas muitas moradas de meu Pai,
o Filho de Deus que Eu Sou encontrará o seu lugar para repousar,
e nenhum zênite alcançado será o bastante,
e continua a viagem no dia seguinte,
dia esse que não terá o tempo de dois sóis no horizonte,
mas o tempo que eu quiser que ele tenha
pois, se nem Deus pôs limites à felicidade,
por que eu viveria debaixo dos dias pequenos
e dos ciclos fechados?
A busca pelo Filho de Deus que se é,
não de barro ou vil metal,
Filho, porém, de cosmo e cristal,
perdido espírito vagando nas solidões do espaço,
espaço esse cheio de angústia e perguntas
desenhou sombras em meu trajeto errático,
e as sombras se fizeram carne,
e a carne se fez esquecimento,
e o esquecimento se fez luta,
e a luta se faz vitória.

IX

Nas efemérides de um momento eterno
a majestade da Cruz calou o próprio tempo
e sangrando as estrelas num fogo de ouro líquido
trocou a argila pelo cristal em meu corpo
e despertou no coração de homem o amor da Primeira Palavra,
aquela que o fez gigante a partir de um ponto insignificante,
porque esta Primeira Palavra ditou-a Deus no instante da Cruz,
e esta Primeira Palavra contou sobre tudo o que há contido no Amor,
e tudo o que deixa de haver quando Amor não há…

X

E esta Primeira Palavra disse: SEJA!
E a Luz se fez em mim
no primeiro instante do meu próprio batismo íntimo.
No dia do meu batismo
o Sol me iluminou,
a Lua me banhou
e das estrelas, fiz uma corôa de diamantes,
e o nome que nela se escreveu era este:
O FILHO DE DEUS.
E num parto incompreensível da Palavra,
daquela primeira Palavra golpeando a Pedra,
um novo universo nasceu neste dia,
como a bolsa que estourou nova e consciente vida das águas…
E ao longe, pôde-se ver um novo espírito cantando felicidade
enquanto caminhava sobre um mar de vida incriada,
desejosa em SER ao seu chamado,
e ERA, à medida que os sons arrancava da Lira…

XI

No Dia da minha Comunhão com Deus no Templo-Universo,
o Sol foi a minha hóstia,
a Lua foi a minha pia batismal,
e as estrelas, os convivas da cerimônia,
e nas núpcias das chamas-gêmeas,
o céu contemplou duas galáxias em fusão,
dois corações em singular união,
e após o seu beijo, um Big-Bang estourou nalguma parte,
entre o sem-começo e o sem-fim,
rolando abaixo das esferas móveis,
em camadas sobrepostas de densidade
e gradativa pêrda de lembranças
para os espíritos fracos que com elas rolaram
não suportando a Verdade daquele instante eterno
sobre o qual se firmaram os Filhos de Deus
porque dela jamais se esqueceram…

XII

E hoje, no Dia Cósmico desta celebração sem tempo,
celebração que inventou o tempo
e esticou os tapetes do espaço, salpicado de estrelas
para o desfile das Majestades coroadas,
o calor em massa que sobe do Útero da Terra
anuncia o parto da Mãe-Natureza,
concebendo o Amado Filho no homem que eu sou,
porque o homem que eu fui
morreu no estouro das supernovas crucificadas…
Além de toda crença, toda religião
e toda letra morta
o Coração do Filho de Deus se fez segundo a Palavra Viva
aquela mesma que diz: LEVANTE E ANDE!
Sim, Levante e Ande
repetiu o coro das estrelas no eco do espaço curvo,
e daí em diante
passei a vigiar com meus Irmãos entre as Galáxias
viajando de mundo em mundo em Carros de Prata
e Cavalos de Fogo,
anunciando o Evangelho da Verdade a todos os seres,
junto a todos os Emissários da Palavra,
Guardiões da Ordem,
Vasos de Sabedoria,
Espíritos do Amor,
que passaram a criar Universos
porque Universos criaram dentro de si.

XIII

E na Hiperesfera dos Renascidos,
artesãos atômicos costuraram meu novo vestido
com tecidos dimensionais de umas fibras vibrantes,
cordas e semi-cordas costurando roupas em camadas,
cantantes camadas do molde estranho que costurou-se sobre mim,
dispostas em fatias de cristais raros em geometrias inéditas, vivas,
num Ser-Resultante demais complexo e perplexo a mim mesmo,
e a fita métrica mediu, precisa, no conjunto,
do meu peito a cabeça,
e do meu peito aos pés,
e do meu peito aos braços,
e do meu peito ao círculo de influência ao redor,
exatos 144 de estatura harmônica,
dourado cordel que o mundo sem cor e sem medida rejeitou,
mas meu coração abraçou e memorizou
e nunca mais deixou de cantar fora do seu tom
quando o Anjo em mim retomou seu ofício eterno nas Esferas…

XIV

O Càlix Sagrado me foi dado
e dele eu bebi aquele dourado sangue dos sóis sacrificados,
e não haviam chips e engrenagens mecânicas em sua fábrica,
mas tão somente, concentradas, as causas da felicidade
vertidas no sangue do espírito
que o Cálix recolheu no seu supremo instante de doação,
derramando luz e vida conforme caía sobre o manto do espaço imaculado…

XV

O Filho de Deus que Eu Sou, revestido de Cosmos e Glória,
primeiro ajoelhou-se diante do Arco Sagrado
onde Sete de Fogo, Arcanjos, reassumiam a Hierarquia,
e Deles recebendo permissão para entrar no Santuário,
após, entregou suas primeiras palavras ao Pai Eterno,
palavras que só Ele recebe, e só o Filho conhece,
e logo depois da Bênção do Todo-Poderoso,
o Renascido reparou no zelo dos irmãos às praias de sua busca,
lá nas margens entre as águas do Oceano Sideral
e as plataformas da densidade material,
muito abaixo das oscilações do Azul sem Fim
em todos os seus matizes, ondas e mistérios…
E então, o Filho de Deus que se é,
lembrou-se que lá também esteve um dia
procurando sempre por aquela voz,
aquela voz que hoje é consigo,
aquela voz a chamar sem cessar
de algum lugar do vasto Infinito,
de dentro, muito de dentro do Coração,
onde Coração e Infinito são UM
e o AMOR
tudo é!

XVI

Naquele Dia Sublime,
um Dia de Deus, não da Terra,
que dura algumas eternidades a mais
no Campo das Flores Astrais,
lá, entre as distantes tempestades do Éter em revolução,
o Universo cessou suas chuvas cósmicas para celebrar, naquele momento,
a Comunhão entre o visível e o invisível,
quando o Sol de uma desconhecida luz raiou na manhã do Quadrante de Ceres
alinhado com a Lua azul de um fenômeno raro no curso dos séculos,
porque o Filho que nasceu, não nasceu para si mesmo
mas para o mundo,
num Parto incompreensível da Palavra
fecundando o Útero-Espaço da Virgem Imaculada,
e o Filho de Deus que Eu sou
se aproximou do Santuário da Lei e da Ordem
e nas páginas de Ouro e Safira do Grande Livro do Altíssimo,
assinou o seu Nome nos termos da gloriosa Constituição das Estrelas,
mais um Nome que assistiria diante de toda a dor
com todo o seu Amor.
CRISTO
Foi o Nome que Ele assinou,
o Nome do Milagre Maior que o Universo pode testemunhar,
um Milagre de Suas Próprias Mãos Servidoras…

XVII

O Nome assinado, Pacto das Estrelas
com tinta-sangue do coração transformado,
estremeceu os Pilares da Criação
quando o Ato da Incondicional Entrega
fez todo o Universo se curvar aos seus pés
rendido pelo Poder do seu Milagre,
o Milagre que a Semente do Amor gerou no ventre do tempo,
e se o tempo parou,
e se o Infinito sumiu
e se Deus sorriu,
tudo isso acontece porque, o que está dentro
é sempre muito maior do que o que está fora,
e a grande descoberta, no final de tudo,
é justamente esta:
O SER É O VENTRE DONDE SAIU TODA A CRIAÇÃO!
Cumpre amá-lo, venerá-lo, apenas Sê-lo
para que todo o resto se faça por si mesmo
da melhor forma, da forma perfeita e pura,
sábia e justa…

E mais uma vez, veremos inocentes crianças
brincando em novas praias criadas à margem de ditosos sóis
e estrelas maternais para embalá-las com sua luz
e nutrí-las com seu amor…
para que tudo comece de novo
despertando nelas as mesmas buscas sedentas pela origem do mistério
em outras manhãs da Eternidade.

FIM

JP em 18.01.2019

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