O Como e o Porquê

 

 

 

 

Eu sempre entendi a ciência com a função de explicar o COMO das coisas, e a religião, com a função de explicar o PORQUE.

Como funciona o corpo? Entra em cena a ciência, a medicina, a biologia, a fisiologia, a Química, Física, matemática, etc.

E PORQUE e para que funciona o corpo que temos?
Aí entra em ação a Religião, a Filosofia, a Psicologia, a Antropologia, a Moral e a Ética, a Arte, a Parapsicologia, etc.

Como poderíamos chamar a união de ambas as vertentes em busca de uma única expressão de Conhecimento da Verdade?
Duas colunas do templo? O Templo do Conhecimento da Verdade?

Se repararmos bem, vivemos a nossa vida concentrados em apenas duas perguntas sobre todas as coisas, e elas são:

COMO e PORQUE!

Como? Diga a ciência.
Porque? Discurse a religião.

E que uma não procure atropelar o testemunho da outra.

Esse, no entanto, é o erro mais comum.

A ciência quer abocanhar a religião, dizendo que pode explicar tudo.

E a religião, esta quer tapar os ouvidos aos depoimentos da ciência, dizendo que a crença lhe basta.

Ao primeiro ato chamamos de ceticismo limitante. E ao segundo, de fanatismo dogmático.
E ambos saem no prejuízo.

E eu chamaria de FÉ (no sentido mais puro da palavra) a essa fusão entre as duas, que nos faculta uma espécie de instinto espiritual das verdades das coisas, no seu sentido de COMO e de PORQUE.

A Fé que move o mundo e transforma a humanidade para mais perto da Verdade, cada vez mais que um ato de fé é coroado com obras reais.

Só existe um conhecimento, mas muitas formas de se usá-lo, e dentro dessas muitas formas, formas boas e formas ruins. Voce pode usar o fogo para fazer comida no fogão ou para queimar a casa do vizinho.O conhecimento vem de Deus, mas as escolhas vem do coração humano. Isso me parece algo muito simples de entender. Mas quando a ciência rompe com o conhecimento do espirito, então assume essa noção falsa de que pode fazer tudo o que quiser sem consequências, então comete inúmeros erros, e o tempo faz com que este círculo de causas e efeitos alcancem o homem com muita dor.

O Universo flui num equilíbrio perfeito. Usar bem o conhecimento é procurar criar e manter as coisas na conformidade deste equilíbrio anterior ao próprio homem, mas ferí-lo é sempre fatal, as consequências virão cedo ou tarde.

Essa é a Lei das leis! Ninguém pode escapar dela.

No exemplo comparativo dos filhos e a diferença de caráter e aprendizado entre eles, supondo que um ou dois sejam mais adiantados, e dois ou três, mais atrasados, estes dois ou três com desenvolvimento mais lento vão para outra sala de aula, num nível de aprendizado equivalente à assimilação deles.

Pelo menos, no universo em seus níveis, cada consciência encontra o seu lugar conforme seu nível de aprendizado e consciência.

Por estarmos na Terra ainda, isso quer dizer que nosso nível é baixo e nos falta aprender muito.

Porque temos assimilado devagar as coisas.

E isso realmente funciona de acordo com o espiritual íntimo de cada um. Não tem nada a ver com religião e muito menos com ciência. Tem a ver com consciência. Podemos partilhar conhecimento, mas nunca poderemos partilhar consciência.

Podemos discutir sobre todos os ramos do conhecimento humano, mas ainda assim, o íntimo de cada um se preserva sagrado e intocado.

Coração do homem é terra que somente Deus conhece.

O problema é que queremos enfiar Deus dentro de nossas concepções, ao invés de largar todas elas para que Deus preencha nosso coração. Queremos apenas captar Deus pelo entendimento, e não pelo coração, que é a sua principal morada e porta de entrada. Queremos julgar a Deus ao invés de nos submeter ao Juízo Dele estampado em todas as coisas ao nosso redor. Queremos criar um Deus pessoal ao invés de fazer aniquilar o Eu para absorver cada vez mais o Deus Impessoal num processo que os budistas chamaram, apropriadamente, de Aniquilação do Ego, coisa que causa temor em muitos. Mas a Lei é clara: a árvore será julgada pelos frutos que produz. Em nada a nossa concepção sobre Deus e o Universo há de mudar o ato gravado em nossas mãos e em nossa consciência.

Em tudo isso ainda detecto aquela arrogância típica da ciência, que a deixa tão cega quanto o fanatismo deixa as religiões.

Não há humildade em todas essas tolas teorias que chamam de Acaso o Criador, e de acidente a Vida.

 

JP em 24.09.2019

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