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Jejum é melhor do que comer de 3 em 3 horas, diz Nobel da Medicina

É capaz de haver pouca coisa menos consensual do que as dietas, porém num ponto a maioria parece estar de acordo: comer de três em três horas ajuda a emagrecer de forma mais saudável do que se fizesse jejum. Mas será que é mesmo assim?

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Em 1997, um estudo francês publicado no Instituto Nacional de Saúde dos EUA chegou à conclusão de que comer frequentemente não favorecia em nada o metabolismo.

São uma espécie de verdades absolutas da nutrição: o corpo é uma máquina que precisa regularmente de combustível para funcionar, deixá-lo sem energia desacelera o metabolismo, logo comer a cada três horas ajuda a emagrecer, muito mais do que qualquer jejum. Certo?

Errado, a avaliar por um estudo do biólogo celular japonês Yoshinori Ohsumi, Nobel de Medicina de 2016 e investigador do Instituto de Tecnologia de Tóquio, galardoado justamente por ter descoberto e esclarecido os mecanismos da autofagia – um processo fundamental para a degradação e reciclagem dos componentes das células.

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Um outro estudo realizado em 2009 por investigadores australianos sublinhava que comer de três em três horas não só não fazia perder peso, como poderia causar precisamente o contrário.

Segundo o cientista, o corpo necessita de fazer pausas mais longas entre refeições de modo a permitir a reciclagem das células degradadas. Para chegar a essa conclusão, começou por deixar células de levedura «com fome», sujeitando-as a uma situação de stress para forçá-las a reagir, tal como sucede no organismo quando passa longos períodos em jejum.

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Segundo Mattson, seria suficiente reduzir o consumo diário para 500 calorias – o equivalente a alguns legumes e chá –, duas vezes por semana, para sentir os benefícios.

Foi quando percebeu que a degradação das células gerava outra ação: nos reservatórios de reciclagem, após 30 minutos de fome, acumulavam-se muitas pequenas vesículas que, nas células, servem para o transporte celular até ao lisossoma (organelos responsáveis por degradar partes inúteis de células e estruturas potencialmente nocivas).

 

A autofagia acontece sobretudo quando o corpo está em estado de jejum.

Para a comitiva de médicos que integrou o Nobel, a autofagia acontece sobretudo quando o corpo está em estado de jejum e «pode rapidamente fornecer combustível para a renovação de componentes celulares, sendo essencial para responder à fome e outros tipos de stress».

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Mark Mattson, professor na Universidade Johns Hopkins e responsável pelo Laboratório de Neurociência do Instituto Nacional de Envelhecimento, garante numa palestra do TEDx que, além de não prejudicar a saúde, jejuar um ou dois dias por semana ajuda a proteger o coração e o cérebro.

Tudo benefícios que se perdem se nos alimentarmos infalivelmente de três em três horas.

 

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