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Faunos e a libido humana

 

 

 

Fauno (em latim: Faunus , lit. “favorável” ou também Fatuus, “destino” ou ainda “profeta”) é nome exclusivo da religião romana, de onde originou-se, como um rei do Lácio que foi transmutado em deus e, a seguir, sofreu diversas modificações, sincretismo com seres da religião grega ou mesmo da própria romana, causando grande confusão entre mitos variados, ora tão mesclados ao mito original que muitos não lhes distinguem diferenças (como, por exemplo, entre as criaturas chamadas de faunos – em Roma – e os sátiros, gregos).

Assim, para compreender a figura de Fauno, é preciso inicialmente saber que o nome era usado para denominar, essencialmente, três figuras distintas: Fauno, rei mítico do Lácio, deificado pelos romanos, muitas vezes confundido com Pã, com Silvano e/ou com Lupércio (como deus, era imortal); Faunos (no plural, embora possa ser usado no singular, quando individuado o ser) – criaturas que, tal como os sátiros gregos, possuíam um corpo meio humano, meio bode, e que seriam descendentes do rei Fauno. (Eram semideuses e, portanto, mortais); ou ainda, Fauno, um marinheiro que, tendo se apaixonado por Safo, obteve de Afrodite beleza e sedução a fim de que pudesse conquistar a poetisa.
(Wikipédia)

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Personificações da Natureza com simbologias híbridas que refletem aspectos da constituição humana, tal era um dos objetivos dos antigos mitos, ou seja, mapear a natureza humana, em todas as suas camadas, física, vital, emocional, racional, consciente e inconsciente, espiritual e animal, cercando-a de ensinamentos valiosos que até hoje são usados como ferramentas da Psicanálise.

O Fauno, meio humano e meio bode, representa a libido humana (o bode tinha um contexto fortemente sexual em várias mitologias, e a própria imagem do Anjo caído Lúcifer como um Bode faz essa alegação das tentações carnais da parte desse anjo com apelo sexual promíscuo e degenerado).

O Fauno é, portanto, a libido humana, que não deve ser destruída, mas transmutada, refinada, se convertendo então em impulsos psíquicos e espirituais elevados na contraparte mental da natureza humana, por definição, oposta a contraparte animal e instintiva do mesmo ser humano.

 

 

 

Geralmente esses seres híbridos, metade humano e metade animal (como os centauros) fazem alusão à mesma condição humana dividida em duas partes, a racional e a instintiva, e quando a racional está no controle, tudo caminha bem.
O grande mal advém quando o instinto ou parte animal assume o controle dos sentidos e da razão, convertendo o homem num monstro degenerado (e o Minotauro é um exemplo disso).

A diferença entre o Fauno e o Minotauro é que, no primeiro, a parte humana está na parte superior, cabeça e tronco, submetendo a parte animal, inferior, pernas e patas de bode.

No caso do Minotauro, o inverso acontece, porque a parte animal é que predomina (cabeça de Touro), governando a parte humana (o resto do corpo). A luta mais antiga da natureza humana é contra ela mesma, desde o momento em que se encontra polarizada em duas forças aparentemente opostas: razão e instinto, e que devem ser conciliadas, mas com a razão no controle. Diversas mitologias com alegorias relacionadas mostram que todo ser humano se converte num monstro quando a parte animal-instintiva assume o controle da razão.

Os alegados poderes dos faunos, poder de profecia, e mesmo sua musicalidade, por outro lado, seriam expressões positivas dessa transmutação da libido em dons psíquicos. A arte é um excelente exemplo de atividade humana com poderosa e eficiente capacidade de refinar a libido humana, sublimando emoções inferiores na busca pelos ideais da Beleza, Perfeição e Harmonia contidas em suas disciplinas.

(Libido é uma palavra que deriva do latim e significa desejo ou anseio. Seria a manifestação da sexualidade, desejo sexual).

Transformar o desejo impuro em amor puro e as paixões mundanas em ideais espirituais, eis a fórmula do Fauno e da Arte Superior, que ajuda o coração a encontrar o sentido do Amor verdadeiro na vida…

Os mitos greco-romanos são fonte ímpar de estudo e referência da moderna Psicanálise.

 

 

JP em 07.12.2019

 

 

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