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Ascensão e Queda de Ícaro

 

 

 

Extraterrestres só nos observam, não precisam fazer nada, a torre alta demais e sem base para suportar sua estrutura ruirá sobre si mesma por uma simples questão de lei de gravidade.

Foi assim com a antiga Torre de Babel, o homem teve a pretensão maior que a sua consciência permitia, e a Torre desmoronou. As asas de Ícaro sempre derretem diante do Sol, quando os vôos da loucura não calculada fazem esquecê-lo que elas são de cera. Então, vamos ver até quando aguenta a cera das asas do Icarismo da modernidade.

O homem não é culpado por querer voar. Esse é o seu sonho mais nobre, e o seu desejo mais puro. Ele só é culpado quando emprega asas não para garantir seu sagrado direito à liberdade, mas sim para privar o mesmo direito aos demais, fazendo do seu vôo não uma conquista, mas um atropelo.

Voar pelo desejo de liberdade é a sagrada aspiração dos Anjos.

Demônios voam também, mas não nos ventos da liberdade, e sim, nas tormentas da ambição.

Isso é o que distingue uns dos outros..
E se Deus dá asas aos Anjos, é para que possam melhor serví-Lo na grande Obra do Amor Universal.
E se Deus não retira imediatamente as asas dos demônios, é na esperança de que eles possam se arrepender algum dia, recobrando a consciência perdida do Anjo que mora dentro de cada um deles.
E se os demônios caírem um dia das alturas, não será por causa do fulminante raio de Zeus, e sim, porque suas asas de cera já não podem suportar a Força da Verdade que brilha no Sol…

Icarismo

Eu queria saber voar!
Não, apenas, voar sentado nessas máquinas ruidosas mais pesadas que o ar.
Eu disse que queria e, quero saber voar.
Não pode ser de ultraleve, asa delta ou outra máquina de planar.
Eu quero mesmo é saber voar.
Mesmo sem a destreza dos colibris.
Apenas saber voar.
Não quero ser veloz como o falcão-peregrino.
Nem ir tão alto quanto os Abutres da Eritréia.
Não preciso da autonomia dos fuselos.
Voaria em escalas mais curtas.
Ainda que pousasse todo desajeitado.
Desastrado como os albatrozes.
Eu nem faço questão de belas aterrissagens.
Eu só queria saber voar.
Descolar-me do solo num impulso suave.
Cortar a gravidade e flutuar vadio.
Inconstante como os Pardais.
Passear bem rente ao mar.
Aspirar o perfume das brisas.
Beber dos primeiros pingos da chuva.
Voaria a noite pelos guetos das cidades com as corujas e os morcegos.
Ah… Como eu queria saber voar.
Não acho isso nenhum absurdo!
Pior é o Zé, meu amigo, que quer ser invisível.
Vê se pode?
Invisível! Aí já é maluquice.
Eu não!
Eu só queria mesmo era saber voar.

Tom Lira

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