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A Rotina que Liberta

 

 

 

Tudo começa na definição do termo “Rotina”, do francês “routine”, que significa: trilha batida, curso costumeiro de ação, termo que vem de “route”, rota, e do latim “rupte”, via, caminho rompido à força, de “rompere”, quebrar, romper.

Vida Mundana (centrífuga) = dispersão, distração, adormecimento, esquecimento.

Vida disciplinar (centrípeta) = concentração, abstenção, despertar, autoconhecimento.

São dois movimentos antípodas, e se a entrega à mundanidade significa esquecimento de si mesmo, e adormecimento, a vida disciplinar ou a entrega a si mesmo significa despertar que conduz ao autoconhecimento.

Esquecimento é, portanto, o oposto do Autoconhecimento.

Num aparente paradoxo, o que a mente comum julga que a liberta, é justamente o que mais a aprisiona, e o que a mesma mente comum julga que a aprisiona, é exatamente o que a liberta!

A própria definição de rotina, alinhada com os valores da casa VI e do signo de Virgem, declaram que, bem conduzida, a rotina consciente é aprisionante apenas na aparência, porque sua intenção é justamente o contrário disso, é a libertação a partir de dentro, quebrando todos os limites do EGO na direção do despertar do autoconhecimento, já que a vida mundana é e sempre foi caracterizada pela política do pão e do circo que, nutrindo estrategicamente as necessidades do ego ilusório, geram dispersão de energias vitais e um eterno estado de adormecimento.

A Via monástica é o oposto de tudo isso, ela procura sempre por uma economia de ações (somente o necessário) com o propósito de acumular energia vital e mental suficientes que, voltadas para dentro (e minimamente para fora), serão empregadas na direção desejada do despertar da consciência, a porta do autoconhecimento.

Variando de Ordem para Ordem, a via monástica é caracterizada por isolamento, abstenção da carnalidade e da gula, vida reclusa, estudo e prática da doutrina da luz, música e arte, e o convívio harmonioso com outros irmãos que professam a mesma busca e fé.

Como tudo o que é excelente nessa vida e que exige renúncia e sacrifício, não será diferente aqui, porque falsas religiões pregam uma evolução espiritual automática em sucessivas vidas, bastando apenas reencarnar sucessivas vezes para que tal “evolução automática” aconteça, e essa é a maior mentira pregada sobre a Terra.

Os discípulos da via do auto-conhecimento sabem exatamente quais são seus esforços, responsabilidades e trabalhos necessários, bem como sacrifícios e renúncias, para deter a roda das reencarnações em uma vida muito bem aproveitada aqui e agora, e que se este discípulo conquistar a pérola preciosa do autoconhecimento ainda nesta vida, poderá ter a chance de não precisar mais reencarnar numa próxima, exatamente como BUDA, que alcançou o Nirvana ou plano das almas que não reencarnam (estão livres da Roda) no dia em que se fez Iluminado.

Sem sacrifícios e renúncias constantes, a semente de alma não germina e não cresce, nem dá frutos. Jesus assim ensinou, como todos os outros mestres verdadeiros.

Se o despertar da consciência interiorizada é a prerrogativa do autoconhecimento, o adormecimento nas distrações mundanas é o eterno abismo do esquecimento de si mesmo.

A rotina bem dirigida tem por alvo criar trilhas internas através das quais a mente vá despertando gradualmente, e cada vez mais, tendo acesso ás faculdades paranormais que, revelando novas paisagens internas, e estando acima da questão de dons naturais, são ferramentas que aparecem na justa medida de um trabalho consciente e voluntário de sacrifícios e renúncia à esfera mundana dispersiva, o veneno de todo despertar.

Porém, em tempos de tecnologia, muita gente continua em contato direto com o mundo e as culturas mundanas dispersivas sem sair de casa, de uma tal forma que o sentido de refúgio e reclusão também não terão valor, porque o mundanismo continua entrando em nossa casa e nos hipnotizando e adormecendo.

Aqui resplandece aquela sentença:
VIGIAI E ORAI!

Na Astrologia, o sexto signo, Virgem, análogo aos valores da casa VI, ostenta relação direta com o universo da “rotina libertadora”, que se torna o meio fecundo de trabalho, estudo e aplicação diária de energias vitais e mentais bem conduzidas na direção de métodos que resultarão, cedo ou tarde, na maestria, em busca dos níveis desejados de perfeição.

A rotina que conduz a maestria descarta ações inúteis e diversões fúteis que não passam de desperdício de energia vital e mental, roubando todos os dias a preciosa oportunidade de autonhcimento por nos atirar num movimento centrífugo de dispersão.
Falo de diversões exageradas, de companhias humanas que nada acrescentem e, pior, trazem desgaste e roubo de energias, falo de atividades fúteis e tolas que não aumentam o nível de inteligência e consciência em um centímetro sequer, senão que o fazem regredir…

Tudo funciona de forma semelhante ao agricultor que não tem receio algum em cortar muitos galhos da sua árvore que está demorando em dar frutos, porque esses galhos excessivos estão enfraquecendo a planta, desde a raiz. E fazendo isso, ele garante que a seiva vital da planta circule somente nos galhos sadios, o que garante o melhor desenvolvimento da árvore e a frutificação abundante na próxima estação.

Não é por acaso que o signo de Virgem se relaciona às colheitas, que acontecem no final de agosto (Hemisfério Norte).

Geralmente as pessoas despreparadas encaram a rotina como algo negativo e aprisionante, e será mesmo se a mente não tiver um propósito firme e inteligente definido em sua marcha diária, voltado para a introspecção e o crescimento interior, que não pode encontrar ressonância alguma com o sistema de mundo que desde sempre foi voltado para o adormecimento das massas.

Se essa trilha diária de autoconhecimento for mantida, então a rotina se torna uma verdadeira porta diária de iluminação, porque a Iluminação budista ou cristã não é fruto de um relâmpago momentâneo, mas de um trabalho longo e dedicado.

Então esse cenário de dias e noites iguais e repetidos só será aparentemente monótono, apenas do lado de fora, porque do lado de dentro, ele conduzirá o discípulo a descobertas fascinantes e crescimentos concretos na direção da estatura ANJO almejada, porque o Anjo é uma semente humana que deu certo, que germinou e frutificou na direção do Amor Maior, fonte da Luz.

Os monges e os aspirantes à Iniciação (que é um conjunto de estágios preparadores da Iluminação interior do segundo nascimento) tinham que entrar em mosteiros e ordens secretas, apartadas do mundo, que aplicavam a rotina disciplinar como regra, o que é insuportável para a maioria das pessoas com a alma fracionada e capturada em toda a enorme lista de distrações que comportam sua vida praticamente toda exteriorizada e sem os quais não conseguem viver, com pouco ou nenhum tempo dedicado á interiorização, a via da iluminação.

Poucos conseguem entender que o verdadeiro sentido da vida aparece quando renunciamos aos falsos modelos de vida pregados pelo estilo mundano equivocado, que nunca foi e nunca será um estilo de vida que conduz ao despertar interior, muito pelo contrário, nos mantém em eterno adormecimento.

Isso explica porque todos os homens de Deus, incluindo Jesus, tiveram que se afastar do mundo e praticar a via solitária da oração e vigília no deserto, para se levantarem espiritualmente para suas missões, encontrando ali, naquelas condições, a porta do despertar da consciência e conexão com a Voz que os conduziu até ali.

É pela mesma razão que as 144000 almas virgens retiradas deste mundo terão, antes, que realizar um estágio de 3.5 anos no deserto, para se purificarem e completarem seus trabalhos internos de despertar da consciência, antes de uma ascensão para fora deste mundo, já que, cedo ou tarde, este planeta vai entrar em severos processos de cauterização de todas as suas feridas através do fogo purificador, o único elemento dos quatro que não se contamina (ar se contamina, água se contamina, terra se contamina, mas não o fogo). E nesse tempo, a sementeira terá que ser guardada em celeiros especiais até a nova plantação, a futura raça.

Falando em termos agrícolas, a rotina bem dirigida é como uma terra bem preparada e fertilizada para receber as sementes das ações que tem metas de iluminação por frutos.

É como o bom pianista, o bom ginasta, o bom pintor, o bom médico, o bom profissional em qualquer área, que antes precisou se dedicar ao trabalho diário, horas e horas por dia, semanas, meses e anos antes de alcançar níveis aceitáveis de desempenho e até excelência em seu trabalho.

Se assim é com atividades comuns, por que não seria com a maior de todas as atividades do espírito humano chamada Despertar do Autoconhecimento, conquistado através de duras rotinas de práticas e aperfeiçoamento psíquico?

Este mundo moderno, com suas regras e valores materialistas, ateístas, aplicadas ao consumismo desenfreado e a filosofia do dinheiro (o Ter e não o Ser), voltado para os prazeres dos sentidos físicos que derrubam, com sua embriaguez, a percepção dos sentidos da alma, nunca foi um bom conselheiro dos interesses da Iluminação, justamente porque este mundo CONSPIRA CONTRA A ILUMINAÇÃO, já que sua meta é manter o controle da humanidade através do seu permanente adormecimento e hipnose coletiva.

Este mundo aparentemente atrativo e convidativo com suas inovações e comodidades não passa de um abismo disfarçado sob os pés do caminhante desavisado, onde milhares de almas despencam todos os dias, perdendo a preciosa chance de despertarem, encontrando aquela pérola de mor valor chamada Autoconhecimento, pela qual vale a pena vender tudo o que se tem para se possuí-la, segundo a parábola bíblica.

Os evangelhos declaram, nas palavras de Jesus:

“Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma?”
(Marcos 8 : 36)

Q quem quer ganhar este mundo, vivendo loucamente os prazeres do mundo, este vai perder a sua alma, a partir do momento em que não podemos servir dois senhores ao mesmo tempo sem que um deles seja traído.

A vida é feita de escolhas, mas a disciplina que conduz a maestria, esta é feita das MELHORES ESCOLHAS.

Sabemos que esse sistema tenebroso que manda no mundo, chamado Nova Ordem Mundial, está a serviço do Anticristo, e o Anticristo é, e o primeiro passo para se conquistar a União com a Verdade libertadora crística é a total renúncia a todo esse sistema de valores, ao máximo que se puder, vivendo a vida lá fora dentro daquela economia de ações necessárias, como o trabalho mundano que nos sustenta.

Mas feliz quem pode renunciar até a esse estilo de trabalho e rotina de um escritório ou empresa capitalista para estar numa Ordem monástica, cercado por natureza, boas energias e irmãos sintonizados na mesma fé, que se fortalecem mutuamente.

Aos que não puderem, fazer do tempo consigo mesmo esse mosteiro pessoal é a única saída. A rotina bem dirigida é a única via para se encontrar a verdadeira liberdade.

Porque esse mundo que aí está sempre conspirou contra a nossa alma e liberdade de escolhas positivas na direção espiritual.

A bela rosa não desabrocharia numa gloriosa manhã ensolarada se a roseira, antes dela, não tivesse suportado todos os dias anteriores da rotina da raiz crescendo e se desenvolvendo nas profundezas da terra, fora das vistas do mundo.

Nenhum Mestre iluminaria o mundo numa bela manhã de renascimento interior se não tivesse estado oculto por muitos anos das vistas do mundo, em uma rotina severa de estudos, trabalhos e construção interior.

A bela rosa é o resultado final da lenta construção interior da raiz, cumprindo a promessa da beleza final após toda a fileira de espinhos em seus galhos.

A Bela Aura de Luz dos Iluminados é o resultado final da lenta construção interior da alma nos caminhos libertadores da rotina aplicada ao autoconhecimento e morte do EU, cumprindo a promessa da beleza final após toda a fileira de renúncias e sacrifícios em sua vida.

A rotina que liberta estabelece trilhas interiores profundas, fazendo a energia física e mental migrarem para dentro de forma intensa, quando verifica economia da mesma energia física e mental nas ações exteriores, aquelas mesmas energias que uma vida dedicada ás distrações sem limites dissipa rapidamente.

Os caminhos que conduzem ao autoconhecimento são, todos eles, internos, embora as experiências da vida acontecem para nos ensinar nesse sentido, o sentido de que toda descoberta é interior, e ao abrir trilhas dentro destas florestas desconhecidas do Subconsciente, é que o discípulo vai se libertando do Sistema manipulador de mentes, porque é exatamente sobre estas regiões inexploradas da mente humana nos domínios do Subconsciente e Inconsciente que o mesmo Sistema mundano manipula premeditadamente, aplicando suas técnicas de indução mental, alienação, hipnose coletiva e pensamento tendencioso fabricado desde o berço, e se o discípulo se faz consciente nestas regiões do seu Inconsciente, então ele quebra todos os comandos hipnóticos e manipuladores do Sistema ali aplicados sobre a grande massa adormecida. E não sofrerá mais ação da manipulação, se libertando de dentro para fora, e não de fora para dentro.

Se a palavra DISCIPLINA deriva de “discípulo” (aluno em aprendizado) que vem do verbo “discere”, aprender (todos estes, termos latinos), então a rotina bem dirigida por técnicas e trabalhos conscientes de repetição com efeito de transplante subconsciente de conduta modificada reunirá a via da iluminação gradual, e se alguém achar tudo isso muito tedioso e cansativo, até mesmo insuportável toda essa didática, é porque esse alguém ainda não está pronto para suportar o encontro consigo mesmo, com todas as surpresas boas e más decorrentes de todas as coisas boas e más que todo discípulo encontra dentro de si a medida que avança para dentro…

E quem não pode suportar tudo isso, este seguirá como o resto do cardume humano, se atirando na primeira distração e diversão que aparece na sua frente, se enturmando mais e mais por não suportar a solidão como porta de encontro consigo mesmo, como quem busca uma droga que anestesia seus medos, ou um vinho que o mantém sempre embriagado de prazeres sentidos no corpo e na esfera exteriorizada da vida, que o mantém afastado daquela interiorização, para si, dolorosa, insuportável.

E tal conduta assumida de eterno esquecimento de si mesmo acaba revelando uma alma em constante fuga de seus medos, de suas fraquezas, e da dolorosa constatação de sua incompetência espiritual para o caminho da Iluminação, quando então o mundanismo e todas as formas de escapismo (que se multiplicam a cada dia na Era da Máquina) se tornam a sua conduta, a conduta de quem não suporta ficar cinco minutos em comunhão consigo mesmo… quanto mais uma rotina de dias, semanas, meses e anos com esse propósito.

E ele se tornará cada vez mais escravo de um estilo de vida com os dias contados, que durará até quando suportar seu fòlego de vida, sua vitalidade física e sanidade mental, que são destruídos um pouco mais a cada dia dentro desse estilo falso de vida que prega:
Viva intensamente o agora, porque amanhã você morrerá!

Estilo de vida infeliz e covarde, que morre todos os dias um pouco numa sucessão de dias isentos de um propósito maior, diferente do discípulo e do caminhante da via interior, que nasce todos os dias um pouco mais na direção da Luz, vivendo passo a passo cada vez mais perto do real Propósito da Existência.

 

JP em 07.08.2019

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