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A Bíblia e a reencarnação em três argumentos

 

 

 

 

Hebreus 9:27
Aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo, depois disto, o juízo.

Eclesiastes 12: 6-7

” Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.” (Eclesiastes 12:6-7)

Mateus 17: 10-13

“Mas os discípulos O interrogaram: Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias venha primeiro? Então, Jesus respondeu: De fato, Elias virá e restaurará todas as coisas. Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do homem há de padecer nas mãos deles. Então, os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista”.
(Mateus 17: 10-13)

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Primeiro Argumento

Em primeiro lugar nem se sabe quem escreveu a epístola aos hebreus. Tradicionalmente ela é atribuída a Paulo, mas os estudiosos são quase unânimes em afirmar que não foi Paulo quem escreveu Hebreus.

As palavras são diferentes, o estilo é diferente, e a própria teologia é diferente da teologia de Paulo. Digite no Google “autor de Hebreus” e você vai ver que existem inúmeras especulações sobre quem é o seu autor.

Mas, independente se foi Paulo ou não quem escreveu a epístola aos Hebreus, sabemos que sua composição está alinhada com os valores da sabedoria de Paulo exposto em outros livros, então, esse ponto não tem relevância.

“Aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo, depois disto, o juízo”.

O que tem relevância é que, de certa forma, a sentença está verdadeira.

Mas precisamos compreender o que se quis dizer naquele versículo em análise conjunta com todo o tema exposto naquele capítulo, do qual esta citação é parte de uma doutrina maior apresentada.

Mas muitos tradutores tendenciosos estão trocando a expressão “morrer só uma vez” por “viver só uma vez”, para rebater com mais vigor a teoria da reencarnação ou transmigração das almas, que é conhecida desde a Grécia, Egito, Tibet, Índia e civilizações antigas. De modo algum o Espiritismo, a Teosofia ou a Gnose moderna criaram este conceito.

Na verdade, todas estas modernas doutrinas importaram esses conhecimentos da sabedoria antiga, e cada vertente tentou interpretar e explicar a seu modo.
Mas como sempre, só me interessa um modo: o verdadeiro.

O capítulo 9 de Hebreus, dentro do qual este versículo é mencionado, faz um paralelo objetivo com a missão de Jesus Cristo na qualidade de cordeiro imolado, ou vida dedicada a morrer (uma só vez) em ato de sacrifício voluntário pelo gênero humano. Este é o ponto central do discurso de Paulo.

 

“Nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio;
De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo.
Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo”
Hebreus 9:25,26

 

Estes são os dois versículos imediatamente anteriores àquele versículo do MORRER SÓ UMA VEZ.

Paulo faz uma comparação entre os sacrifícios da lei antiga (Judaísmo) e o sacrifício único da nova Lei (Cristianismo), porque no Judaísmo, até hoje os sacerdotes realizam sacrifícios animais regularmente para cumprir os preceitos da sua lei, com alvo de redimir o povo, sendo que o sacrifício da Nova Lei (Cristo) tem caráter permanente, o que significa que sua validade não se perdeu até hoje, e Jesus não precisou se sacrificar várias vezes, senão que uma só vez, para estabelecer esse compromisso de redenção da humanidade.

É muito possível que, nesta acepção, Paulo esteja se referindo àquela morte libertadora, onde se morre realmente uma só vez para se alcançar a libertação da roda dos renascimentos e receber o dom da imortalidade (segundo nascimento), como cumpria ser nos mitos egípcios e a viagem do faraó no post mortem. Porque o contexto da carta fala no SACRIFÍCIO LIBERTADOR, e se o homem morrer (uma só vez) como Jesus Cristo, em morte de sacrifício, ele é julgado e recebe a grande graça de liberdade das encarnações.

Esse modelo se ajusta com perfeição nos modelos daquelas culturas anteriores à doutrina cristã de Israel de 2000 anos atrás… o que também se aplica à morte do EGO.
Dizia o sábio:

Feliz do homem cujos defeitos morrem antes do seu corpo!

Buda ensinava a aniquilação do EU multifacetado em cada ilusão da vida.
Jesus ensinava a mesma morte dos defeitos em seus ensinamentos.
Todos os mestres da sabedoria são unânimes em afirmar que, quando uma vida se torna consciente e espiritualizada DE FATO, com a erradicação de todos os defeitos e eliminação das ilusões, ele só morrerá aquela vez, naquela vida, porque o julgamento após sua morte lhe será totalmente favorável.

A cada encarnação, somos julgados nesse mesmo Tribunal, e os Anjos do Karma imprimem no novo nascimento todos os resíduos reprojetados da vida passada. Mas no caso do renascido, do liberado, não há mais Karma, e então, não há mais roda (renascimentos).

O Dharma passa a reger sua nova vida. O Dharma que o converte num Bodisattwa, um Instrumento de Deus.

Cada reencarnação é precedida por um julgamento da alma desencarnada no Tribunal dos Mortos, e no Egito antigo, essas concepções são bem conhecidas, elas aparecem em toda parte daquela cultura passada.
O Tribunal se instala nas regiões celestiais do Amenti, enquanto as baixas dimensões se localizam no Duat ou Tuat.

Osíris é o Grande Juiz, e Anúbis, o deus dos mortos, que pesa o coração do morto e avalia seu karma, mas não é quem julga o destino futuro.
E três destinos se apresentavam diante da alma no Tribunal da Lei Maior:

 

1. Ressuscitar (segundo nascimento)
2. Reencarnar (roda, o mais comum)
3. Involuir (segunda morte)

 

O segundo nascimento (ressurreição) era a situação mais rara, e se relaciona a uma existência muito bem vivida, que explorou todos os recursos do auto-conhecimento, despertando os poderes inatos da natureza sobre-humana, além de reunir méritos suficientes para esse voto positivo. Trata-se da definição ANAGAMI, quando a alma não retorna mais (isto é, não reencarna mais), vencendo a roda do tempo. E cumpre sua evolução de consciência como um imortal, neste ou em outros mundos.

A reencarnação é a situação mais comum, almas ainda presas a roda dos retornos, e dizem os hermetistas que, segundo Buda, esse número de reencarnações é finito, comportando apenas 108 retornos na existência humana, como tempo limite para a alma buscar o segundo nascimento, sob o risco da segunda morte, caso não cumprisse seu trabalho objetivamente nas existências da Terra como escola.

Assim, a conclusão final é que o contexto do escrito de Paulo onde aquela citação “só se morre uma vez” foi inserida deve ser compreendida, e melhor compreendida, na análise do conjunto exposto.

Segundo argumento

Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.” (Eclesiastes 12:6-7)

Desta vez, é o Velho Testamento que nos apresenta uma visão alegórica muito precisa da reencarnação.

O Cordão de prata, ou Antakarana, é um condutor de energia vital que liga a alma ao corpo físico (pelo chakra umbilical) e já era conhecido nas antigas culturas muito anteriores aos tempos do Eclesiastes!

O vaso ou copo de ouro é o corpo vital, que é o segundo invólucro da alma (existem sete) e a contraparte energética do nosso corpo físico, onde se assenta a energia vital como fundamento da parte física funcional.
E o cântaro de barro, o corpo físico.
A Roda junto ao poço… reencarnação, os ciclos da alma.
O espírito volta a Deus.
O espírito é julgado.
E o espírito é novamente atado à roda pelo novo cordão de prata, junto ao poço.
O poço é alegoria da fonte: o Espírito Santo, que é a entidade diretamente relacionada aos mecanismos da existência de uma alma no mundo material.

Na alegoria poética do Eclesiastes, se colocou a chave das reencarnações, especialmente num símbolo muito conhecido no Tibet para representar o mesmo: a Roda!

 

Terceiro Argumento

E finalmente, uma das passagens mais discutidas da Bíblia sobre a reencarnação:

“Mas os discípulos O interrogaram: Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias venha primeiro? Então, Jesus respondeu: De fato, Elias virá e restaurará todas as coisas. Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do homem há de padecer nas mãos deles. Então, os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista”.
(Mateus 17: 10-13)

João Batista foi Elias que voltou dos mortos?
Sim… e não.

Vamos por partes.

Primeiro, temos que considerar que ELIAS não morreu, mas foi tomado em vida, após uma vida profética dedicada a Deus.
E que o Apocalipse normalmente o associa a UMA DAS DUAS TESTEMUNHAS, ao lado de Enock, pelo que há um diferencial aqui a ser considerado.
João Batista foi sim a reencarnação de Elias, cujo corpo foi tomado antes.
João Batista morreu, veio com os talentos de Elias para cumprir sua missão perante Jesus em Israel.
E sua alma desencarnada voltará a ocupar o corpo de Elias no tempo do segundo retorno.
Ou seja, de Elias a Elias, Velho Testamento ao Apocalipse, está a nobre existência de João, cumprindo a apresentação do Filho de Deus ao mundo.

O corpo de Elias, como o de Moisés e o de muitos santos, foi conservado para o dia da ressurreição.
Uma coisa é um veículo, a outra é a alma.
No mesmo Egito antigo, a conservação dos corpos era parte essencial da doutrina da imortalidade do faraó, para quando sua alma regressasse ao mundo.

E como Jesus trouxe a dádiva da vida eterna, transcendendo a mecânica da morte e a sentença eterna do pecado de sempre “voltar ao pó”, retirou menções à reencarnação mecânica associada ao pecado em seus ensinamentos.
Ele não quis focar na doença, e sim, na cura.
Ele quis mostrar ao mundo uma velha porta já esquecida chamada segundo nascimento.

Agora, só um ponto para finalizar este assunto, trazendo uma lógica cristã para a reencarnação como necessidade.

Digo e repito, reencarnação não é evolução, é repetição (de erros).
Evolução só começa quando se nasce segunda vez.
Antes do segundo nascimento, reencarnamos, acumulamos experiências, memórias… e erros.
E enquanto esses erros não são superados, não estamos evoluindo, mas rodando.
É como um aluno sempre repetindo o mesmo ano letivo.
Não está evoluindo no aprendizado.
Apenas acumulando muita experiência da mesma série escolar nunca vencida.

Qual a lógica da reencarnação sob o ponto de vista da própria doutrina cristã?

Ora, se os pagãos vão para o Limbo por não terem sido batizados na nova fé cristã, como poderiam ser condenados por isso?
Como alguém que morreu ANTES da revelação da Verdade cristã ao mundo poderia ser condenado por não tê-la aceitado se nunca a conheceu?
Faz sentido?

Porque Cristo disse que veio ao mundo para redimir a humanidade dos seus pecados.
E quanto a todas as gerações que viveram e morreram ANTES da manifestação de Cristo ao mundo?
Podem ser condenadas se nem tiveram a chance de escolher ou não por essa Verdade, doutrina e nova fé?
Isso não faz o menor sentido e nem expressa Justiça da parte de Deus.
Na verdade, seria injusto.

Para que realmente haja Justiça, todas as gerações que morreram antes de Cristo precisam voltar para conhecer a sua Verdade.
Não poderiam jamais serem julgados por rejeitar a Verdade que nunca ouviram…

 

Conclusão:

Temos que entender que a Sabedoria de Deus é uma só, e que a Bíblia não é inédita em vários capítulos de seu conhecimento, seja ele exposto, seja ele oculto. Novamente não seria justo para com o mundo se a Sabedoria de Deus só brilhasse num lugar e tempo do mundo. Concordo que a luz mais brilhante do mundo brilhou em Cristo, mas não concordo que luzes menores não vieram antes… a lhe preparar o caminho… e depois…a lhe confirmar em espírito e verdade perante a consciência!

JP em 15.11.2019

 

Veja também:

 

Os Mortos podem ensinar e guiar os vivos?

 

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